{"id":6785,"date":"2013-12-13T15:25:35","date_gmt":"2013-12-13T15:25:35","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/12\/13\/comissao-da-verdade-delegado-acusado-de-tortura-nega-participacao-em-crimes\/"},"modified":"2013-12-13T15:25:35","modified_gmt":"2013-12-13T15:25:35","slug":"comissao-da-verdade-delegado-acusado-de-tortura-nega-participacao-em-crimes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/12\/13\/comissao-da-verdade-delegado-acusado-de-tortura-nega-participacao-em-crimes\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade: delegado acusado de tortura nega participa\u00e7\u00e3o em crimes"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A regi\u00e3o leste sempre esteve a margem das conquistas da cidade; na periferia, infraestrutura sempre foi prec\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>O delegado aposentado da Pol\u00edcia Civil, Aparecido Laertes Calandra, negou nesta quinta-feira (12), em depoimento \u00e0 CNV (Comiss\u00e3o Nacional da Verdade), qualquer envolvimento com epis\u00f3dios de tortura durante a ditadura militar no Brasil.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Apesar de ex-presos pol\u00edticos terem reconhecido o policial como o torturador de codinome capit\u00e3o Ubirajara, ele disse que no per\u00edodo em que trabalhou no DOI-Codi (Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es e Informa\u00e7\u00f5es do Centro de Opera\u00e7\u00f5es e Defesa Interna) atuou apenas como assessor jur\u00eddico.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Ele informou que desconhece qualquer viola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos cometida no local no per\u00edodo de 1972 a 1976, quando exerceu essa fun\u00e7\u00e3o no departamento.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Nunca ouvi gritos.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"> <br \/> <\/span>Ele n\u00e3o soube explicar como tantas pessoas o reconheceram como membro das equipes de interrogat\u00f3rio.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Atribuo isso a um engano pessoal das pessoas que est\u00e3o fazendo essas acusa\u00e7\u00f5es. Nunca participei de nenhuma atividade de tortura e nunca apoiaria isso.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Embora cumprisse expediente no DOI-Codi, ele negou trabalhar no sistema de informa\u00e7\u00f5es do governo.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O coordenador da Comiss\u00e3o da Verdade, Pedro Dallari, apresentou documentos em que o comando do Ex\u00e9rcito elogia o delegado por sua performance profissional. Calandra tentou justificar.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014Isso era parte da conduta do comando aqueles que se dedicavam especificamente a sua fun\u00e7\u00e3o. E a minha era de assessor jur\u00eddico.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Aparecido Calandra disse ainda nunca ter usado codinomes.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Sempre usei o meu nome. Nunca interroguei ningu\u00e9m e muito menos violei direitos humanos. Sempre fui o contr\u00e1rio disso.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Para a aposentada Darci Miyaki, ex-presa pol\u00edtica, que relatou ter sido torturada por ele, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas da verdadeira identidade do capit\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Ele mudou pouco, muito pouco. Est\u00e1 com cabelo mais ralo, branco, mas o visual, a estrutura s\u00e3o os mesmos. Esse cidad\u00e3o era o Ubirajara, um torturador e part\u00edcipe de muitos assassinatos.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Antes do depoimento do acusado, sete ex-presos pol\u00edticos falaram na audi\u00eancia sobre os momentos em que estiveram de frente com o delegado. Durante o testemunho, Darci Miyaki questionou a vers\u00e3o da morte de seu companheiro de milit\u00e2ncia \u00c9lcio Pereira.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 A morte dele foi anunciada em um tiroteio no dia 28 de janeiro de 1972, mas, nesse dia, ele estava sendo trazido do Rio [de Janeiro] para S\u00e3o Paulo comigo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Ela disse que foi torturada diversas vezes pela equipe do capit\u00e3o Ubirajara.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Foram choques el\u00e9tricos no ouvido, nos dedos dos p\u00e9s, das m\u00e3os, choque na vagina. Era algo muito violento.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>A aposentada Maria Am\u00e9lia de Almeida Teles, detida pela ditadura em dezembro de 1972, tamb\u00e9m esteve na audi\u00eancia e disse ter sido torturada pessoalmente pelo delegado. Am\u00e9lia foi presa junto com o marido e Carlos Nicolau Danielli, companheiro de milit\u00e2ncia. Ela contou que os filhos do casal, \u00e0 \u00e9poca com 4 e 5 anos, tamb\u00e9m foram levados ao DOI-Codi e presenciaram a m\u00e3e j\u00e1 machucada pelos m\u00e9todos violentos aplicados no interrogat\u00f3rio.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Eles queriam saber porque eu estava azul. Quando olhei para o meu corpo, vi que estava toda roxa.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Em um dos momentos em que ela esteve com Aparecido Calandra, o delegado lhe mostrou um recorte de jornal com a manchete de que um terrorista havia sido morto em tiroteio.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Era uma vers\u00e3o mentirosa. Danielli foi morto naquela sala.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Am\u00e9lia contou que foi amea\u00e7ada de que o mesmo poderia ocorrer com ela, pois eles dariam as vers\u00f5es que quisessem para as mortes.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Ele ficou ali se gabando de ser autor daquela farsa. Amea\u00e7ando que eu poderia ter manchete como essa.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A morte de Danielli \u00e9 uma das acusa\u00e7\u00f5es que pesam sobre o capit\u00e3o. Al\u00e9m de Darci e Am\u00e9lia, tamb\u00e9m prestaram depoimentos, os ex-presos pol\u00edticos Gilberto Natalini (atualmente vereador de S\u00e3o Paulo), o jornalista S\u00e9rgio Gomes, o deputado federal Nilm\u00e1rio Miranda, o deputado estadual Adriano Diogo e o f\u00edsico Arthur Scavone. Eles detalharam as situa\u00e7\u00f5es em que estiveram com o capit\u00e3o Ubirajara no per\u00edodo da pris\u00e3o.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O advogado Jos\u00e9 Carlos Dias, membro da Comiss\u00e3o da Verdade, considerou o depoimento uma \u201cdesfa\u00e7atez\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014Os vizinhos ouviam os gritos e ele, que trabalhava l\u00e1, n\u00e3o ouvia um grito? \u00c9 uma desfa\u00e7atez. Mas n\u00f3s cumprimos o nosso dever de perguntar.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Pedro Dallari fez avalia\u00e7\u00e3o parecida ao dizer que o depoimento foi pouco \u201ccr\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 \u00c9 ruim por um lado, mas as provas que a comiss\u00e3o possui contra ele s\u00e3o muito robustas. Os fatos indicam claramente que o delegado praticou tortura.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Ele informou ainda que a comiss\u00e3o j\u00e1 recolheu grande n\u00famero de depoimentos que far\u00e3o parte do relat\u00f3rio final.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Todos os depoimentos que considerarmos importantes para a elucida\u00e7\u00e3o dos fatos, n\u00f3s colheremos, mas temos um problema de tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Pedro Dallari espera que haja prorroga\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o final do ano, do prazo para conclus\u00e3o dos trabalhos, que se encerrariam em maio.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; R7<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A regi\u00e3o leste sempre esteve a margem das conquistas da cidade; na periferia, infraestrutura sempre foi prec\u00e1ria O delegado aposentado da Pol\u00edcia Civil, Aparecido Laertes Calandra, negou nesta quinta-feira (12), em depoimento \u00e0 CNV (Comiss\u00e3o Nacional da Verdade), qualquer envolvimento com epis\u00f3dios de tortura durante a ditadura militar no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6785"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6785"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6785\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6785"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6785"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6785"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}