{"id":6790,"date":"2013-12-13T18:03:22","date_gmt":"2013-12-13T18:03:22","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/12\/13\/a-comissao-da-verdade-capitao-ubirajara-nega-tortura-na-ditadura\/"},"modified":"2013-12-13T18:03:22","modified_gmt":"2013-12-13T18:03:22","slug":"a-comissao-da-verdade-capitao-ubirajara-nega-tortura-na-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/12\/13\/a-comissao-da-verdade-capitao-ubirajara-nega-tortura-na-ditadura\/","title":{"rendered":"\u00c0 Comiss\u00e3o da Verdade, capit\u00e3o Ubirajara nega tortura na ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Apontado como torturador durante a ditadura militar (1964-1985), o delegado aposentado da Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo, Aparecido Laertes Calandra, reconhecido como capit\u00e3o Ubirajara, negou nesta quinta-feira (12) ter participado de sess\u00f5es de tortura nas depend\u00eancias do Doi-Codi\u00a0 (Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es do Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna). Calandra foi ouvido pela Comiss\u00e3o da Verdade (CNV).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6789\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/c8ced696f757a272a01af0ceb2118709.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<address \/>Capit\u00e3o Ubirajara (\u00e0 direita) dep\u00f5e \u00e0 Comiss\u00e3o\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\" \/>da Verdade (Foto: Tatiana Santiago)  <!--more-->  <\/span><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Calandra afirmou que cuidava apenas da burocracia do \u00f3rg\u00e3o e negou conhecer todas as v\u00edtimas que o apontaram como torturador. As v\u00edtimas presentes \u00e0 audi\u00eancia desta quinta se mostraram inconformadas com o depoimento do delegado aposentado.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEu era um burocrata\u201d, afirmou o delegado. \u201cNunca ouvi [gritos] e nem queixas [no local]\u201d, respondeu ap\u00f3s ser questionado pelos representantes da comiss\u00e3o. Ele tamb\u00e9m disse nunca ter tido acesso aos presos pol\u00edticos ou celas, j\u00e1 que cuidava apenas da assessoria jur\u00eddica.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A audi\u00eancia p\u00fablica foi realizada no audit\u00f3rio do Banco do Brasil, na Avenida Paulista, no Centro de S\u00e3o Paulo. Al\u00e9m de Calandra, depuseram os ex-presos pol\u00edticos Maria Am\u00e9lia Teles, Darci Miyaki, o vereador Gilberto Natalini, o jornalista S\u00e9rgio Gomes e o deputado estadual Adriano Diogo. Tamb\u00e9m foram exibidos em v\u00eddeo os testemunhos do jornalista Arthur Scavone e do deputado federal Nilm\u00e1rio Miranda, que n\u00e3o puderam comparecer.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Calandra trabalhou na equipe do interrogat\u00f3rio do Doi-Codi onde atuou entre 1972 e 1976. Segundo v\u00edtimas da repress\u00e3o e testemunhas, Calandra \u00e9 acusado de torturar e matar no \u00f3rg\u00e3o, considerado o maior centro de repress\u00e3o pol\u00edtica brasileira durante a Ditadura Militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Calandra, o capit\u00e3o Ubirajara, \u00e9 apontado por envolvimento na tortura e no desaparecimento de Hiroaki Torigoe e na tortura e morte de Carlos Nicolau Danielli.\u00a0 O capit\u00e3o n\u00e3o responde judicialmente porque a Lei da Anistia, que garante anistia aos que cometeram crimes pol\u00edticos durante a ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O delegado aposentado chegou \u00e0 audi\u00eancia por volta das 10h40 desta quinta e provocou tumulto na sess\u00e3o, que precisou ser interrompida por alguns minutos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Apesar de informar que cuidava da documenta\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o, o interrogado disse n\u00e3o se lembrar da natureza dos of\u00edcios recebidos. \u201cNunca interroguei ningu\u00e9m e jamais violei os direitos humanos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Confrontado pelo advogado Pedro Dallari, da Comiss\u00e3o da Verdade, sobre um auto de pris\u00e3o em que constava sua assinatura como autoridade respons\u00e1vel, ele voltou a dizer que n\u00e3o tinha contato com os presos pol\u00edticos. \u201cDe maneira nenhuma, minha fun\u00e7\u00e3o era s\u00f3 de assessoria jur\u00eddica\u201d, disse. Apesar de ter trabalhado por anos no Doi-Codi, ele afirmou que n\u00e3o teve contato com nenhum militar que trabalhava no local.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es de que ele era conhecido como capit\u00e3o Ubirajara, alegou ter sido confundido. \u201cEu acho que isso s\u00f3 pode ser um erro de pessoa, porque em nunca fui citado nessa a\u00e7\u00e3o. Eu nem sabia disso\u201d[&#8230;] \u201cNunca fui capit\u00e3o de lugar nenhum, sempre fui civil, nunca participei de tortura, n\u00e3o faz parte da minha rotina\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Calandra tamb\u00e9m negou conhecer o coronel reformado do ex\u00e9rcito Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foi comandante do Doi-Codi. Segundo o delegado, ele apenas foi apresentado ao Ustra quando se apresentou ao quartel e depois n\u00e3o o viu mais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; CBN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apontado como torturador durante a ditadura militar (1964-1985), o delegado aposentado da Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo, Aparecido Laertes Calandra, reconhecido como capit\u00e3o Ubirajara, negou nesta quinta-feira (12) ter participado de sess\u00f5es de tortura nas depend\u00eancias do Doi-Codi\u00a0 (Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es do Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna). 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