{"id":6792,"date":"2013-12-14T22:59:24","date_gmt":"2013-12-14T22:59:24","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/12\/14\/ministra-tortura-de-preso-na-ditadura-e-a-coisa-mais-forte-da-minha-vida\/"},"modified":"2013-12-14T22:59:24","modified_gmt":"2013-12-14T22:59:24","slug":"ministra-tortura-de-preso-na-ditadura-e-a-coisa-mais-forte-da-minha-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/12\/14\/ministra-tortura-de-preso-na-ditadura-e-a-coisa-mais-forte-da-minha-vida\/","title":{"rendered":"Ministra: tortura de preso na ditadura &#8216;\u00e9 a coisa mais forte da minha vida&#8217;"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Respons\u00e1vel pela Secretaria de Pol\u00edticas para Mulheres, Eleonora Menicucci prestou depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>Em 1971, sob a <a href=\"http:\/\/www.terra.com.br\/noticias\/infograficos\/desaparecidos-da-ditadura\">ditadura<\/a> militar (1964-1985) no Pa\u00eds, o jornalista e militante do Partido Oper\u00e1rio Comunista (POC) Luiz Eduardo da Rocha Merlino foi preso, torturado e morto. Enquanto era torturado em um pau-de-arara nas depend\u00eancias do Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es do Centro de Opera\u00e7\u00e3o de Defesa Interna do 2\u00ba Ex\u00e9rcito (DOI-Codi), na rua Tut\u00f3ia, em S\u00e3o Paulo, Eleonora Menicucci, atual ministra da Secretaria de Pol\u00edticas para Mulheres, era torturada na cadeira do drag\u00e3o (cadeira revestida de metal ligada \u00e0 corrente el\u00e9trica).  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu estava sendo torturada e ele tamb\u00e9m. Ele estava em um pau-de-arara e tinha uma ferida enorme na perna direita, que gangrenava. Ele come\u00e7ou a morrer ali&#8221;, disse a ministra, relembrando o dia em que presenciou Merlino sendo torturado. &#8220;Essa \u00e9 a coisa mais forte da minha vida, embora eu tenha assistido a outras sess\u00f5es de tortura e \u00e0s minhas pr\u00f3prias&#8221;, ressaltou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na tarde desta sexta-feira, durante audi\u00eancia da Comiss\u00e3o da Verdade da Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo, a ministra declarou que o ex-comandante do DOI-Codi, o coronel reformado do Ex\u00e9rcito Carlos Alberto Brilhante Ustra, \u00e9 um dos respons\u00e1veis pela morte de Merlino.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;O assassinato de Merlino tem respons\u00e1veis e pessoas diretamente respons\u00e1veis, com a f\u00faria e selvageria que caracterizava (o per\u00edodo)&#8221;, disse, acrescentando que na sala de tortura, em que estavam ela e Merlino, estavam tamb\u00e9m presentes o comandante Ustra, o capit\u00e3o Ubirajara (como era chamado o delegado Aparecido Laertes Calandra)\u00a0e JC (como era conhecido Dirceu Gravina). &#8220;Essas tr\u00eas pessoas s\u00e3o absolutamente respons\u00e1veis pelo assassinato do Luiz Eduardo da Rocha Merlino&#8221;, destacou a ministra.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na audi\u00eancia na tarde de hoje na Assembleia Legislativa paulista, mais quatro pessoas, que tamb\u00e9m estiveram presas no mesmo local, foram ouvidas e disseram ter presenciado momentos do jornalista nas depend\u00eancias do DOI-Codi. Um deles foi Ivan Seixas, membro da Comiss\u00e3o da Verdade de S\u00e3o Paulo. Ele relatou ter ouvido os gritos de Nicolau (codinome que era usado por Merlino)\u00a0sendo torturado. &#8220;A noite inteira a gente ouviu as torturas pelas quais passou o Nicolau&#8221;, disse. Seixas contou que sua cela ficava muito pr\u00f3xima \u00e0 sala onde Merlino era torturado, e que presenciou Ustra pedindo para que limpassem a sala depois da tortura &#8220;porque havia muito sangue&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A irm\u00e3 de Seixas, Ieda Seixas, que tamb\u00e9m esteve presa no mesmo local, declarou ter ouvido os gritos de Merlino. &#8220;Ele foi torturado a noite inteira. Aquela noite foi especialmente dif\u00edcil.&#8221;\u00a0Segundo ela, no dia seguinte, ouviu torturadores dizendo que &#8220;Merlino era uma pessoa dif\u00edcil&#8221;\u00a0porque se recusava a falar ou delatar algu\u00e9m.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Leane de Almeida, que militava no mesmo partido do jornalista, contou ter visto Merlino, ap\u00f3s as sess\u00f5es de tortura, sendo retirado do DOI-Codi e colocado dentro do porta-malas de um carro. &#8220;Mas n\u00e3o sei dizer se ele j\u00e1 estava morto&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em seu depoimento, Otac\u00edlio Cecchini relatou que estava sendo interrogado no DOI-Codi quando ouviu o comandante Ustra receber um aviso sobre um telefonema de um hospital. &#8220;Um estranho &#8211; um militar &#8211; entrou na sala onde eu estava sendo interrogado e disse que havia um telefonema do hospital. Ele n\u00e3o falou que hospital era, mas (disse)\u00a0que os m\u00e9dicos estavam pedindo contato de uma fam\u00edlia porque havia necessidade de uma amputa\u00e7\u00e3o. Ou seja, havia uma solicita\u00e7\u00e3o de um hospital, de um paciente ainda vivo que estava no hospital, sobre um preso pol\u00edtico torturado com princ\u00edpio de gangrena, com necessidade de amputa\u00e7\u00e3o de uma perna, e o Ustra recebeu esta informa\u00e7\u00e3o&#8221;, ressaltou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Para Cecchini, os depoimentos de hoje demonstram que Merlino foi torturado e morto por agentes da ditadura. &#8220;Todos os colegas (aqui presentes na audi\u00eancia)\u00a0viram uma s\u00e9rie de fatos que, somados, remontam essa hist\u00f3ria covarde (sobre a morte de Merlino)&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 alguns anos, a fam\u00edlia de Merlino moveu uma a\u00e7\u00e3o por danos morais envolvendo Ustra. Na decis\u00e3o de primeira inst\u00e2ncia, o coronel foi condenado a indenizar a fam\u00edlia em R$ 100 mil por ter participado e comandado sess\u00f5es de tortura que mataram o jornalista. A defesa de Ustra recorreu da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na audi\u00eancia desta sexta-feira, o jurista e defensor dos direitos humanos F\u00e1bio Konder Comparato citou um relat\u00f3rio feito pela Arquidiocese de S\u00e3o Paulo no qual consta que durante o per\u00edodo em que Ustra comandou o DOI-Codi, entre janeiro de 1970 e dezembro de 1973, 40 pessoas morreram no local e mais de 500 foram torturadas. &#8220;Muitos desses mortos faleceram em consequ\u00eancia das torturas&#8221;, declarou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Comparato criticou o fato da Lei de Anistia no Brasil n\u00e3o permitir a condena\u00e7\u00e3o, responsabiliza\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o dos torturadores. &#8220;Na Argentina, a Lei de Anistia foi anulada. Mais de 200 policiais e militares foram condenados e dois ex-presidentes foram condenados \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua e um deles morreu na pris\u00e3o. No Brasil, nenhum sequer dos torturadores foi condenado com <a href=\"http:\/\/noticias.terra.com.br\/brasil\/transito\/\">tr\u00e2nsito<\/a> em julgado&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No decorrer deste ano, segundo o deputado estadual Adriano Diogo, presidente da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade, 106 audi\u00eancias foram feitas pela comiss\u00e3o, restando ainda mais tr\u00eas para serem feitas at\u00e9 o fim deste m\u00eas. &#8220;Fizemos o primeiro cap\u00edtulo, que \u00e9 o cap\u00edtulo das v\u00edtimas e da mem\u00f3ria. No pr\u00f3ximo ano, vamos tentar fazer o cap\u00edtulo da repress\u00e3o, dos agentes do Estado que provocaram toda essa trag\u00e9dia e barb\u00e1rie, os assassinatos e ocultamentos de cad\u00e1veres&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.terra.com.br\/noticias\/infograficos\/desaparecidos-da-ditadura\/\" style=\"line-height: 1.3em;\">Desaparecidos da ditadura<\/a><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">O Terra apresenta as hist\u00f3rias de 15 dentre centenas de brasileiros cujos destinos seguem enevoados em tempos de democracia.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Respons\u00e1vel pela Secretaria de Pol\u00edticas para Mulheres, Eleonora Menicucci prestou depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade de S\u00e3o Paulo Em 1971, sob a ditadura militar (1964-1985) no Pa\u00eds, o jornalista e militante do Partido Oper\u00e1rio Comunista (POC) Luiz Eduardo da Rocha Merlino foi preso, torturado e morto. 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