{"id":6802,"date":"2013-12-19T12:05:01","date_gmt":"2013-12-19T12:05:01","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/12\/19\/comissao-da-verdade-investiga-trabalho-de-general-frances\/"},"modified":"2013-12-19T12:05:01","modified_gmt":"2013-12-19T12:05:01","slug":"comissao-da-verdade-investiga-trabalho-de-general-frances","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2013\/12\/19\/comissao-da-verdade-investiga-trabalho-de-general-frances\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade investiga trabalho de general franc\u00eas"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Paul Aussaresses, militar que entre 1973 e 1975 esteve no Brasil ensinando t\u00e9cnicas de tortura e combate a guerrilhas aos oficiais brasileiros e de pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/>A Comiss\u00e3o da Verdade da Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo ouviu nesta ter\u00e7a-feira (17) especialistas na hist\u00f3ria do general franc\u00eas Paul Aussaresses, militar que entre 1973 e 1975 esteve no Brasil ensinando t\u00e9cnicas de tortura e combate a guerrilhas aos oficiais brasileiros e de pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Aussaresses morreu no dia 4 deste m\u00eas.  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os debatedores que participaram da audi\u00eancia p\u00fablica concordam que a participa\u00e7\u00e3o francesa nas ditaduras militares na Am\u00e9rica Latina \u00e9 pouco conhecida, sobretudo no Brasil. \u201cAchei bastante material na imprensa argentina sobre a atua\u00e7\u00e3o dessa escola do terror que se implantou em toda a Am\u00e9rica Latina, mas n\u00e3o acho quase nada na imprensa brasileira\u201d, disse o pesquisador e ex-ouvidor da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Fermino Fechio.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Aussaresses veio ao pa\u00eds como adido militar. \u201c\u00c9 um eufemismo para colabora\u00e7\u00e3o estrita de informa\u00e7\u00f5es e controle dos exilados\u201d, explicou Leneide Duarte-Plon, jornalista e escritora. O general deu aulas no Centro de Instru\u00e7\u00e3o de Guerra (CIG), que ainda existe em Manaus. Fermino explica que a escola, hoje, \u00e9 famosa por oferecer bons cursos de sobreviv\u00eancia da selva. O centro surgiu para proteger as fronteiras brasileiras, por\u00e9m, a partir de 1973, passou a ser uma \u201cescola do terror\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fermino defendeu que os documentos referentes \u00e0s atividades da escola naquela \u00e9poca sejam divulgados. \u201cN\u00e3o sabemos quantos oficiais foram formados. No site da escola de Manaus se diz que foram 400 estrangeiros treinados, mas eu acho que foram at\u00e9 mais. S\u00f3 o Chile mandava de um a 12 oficiais por m\u00eas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O pesquisador questiona a falta de informa\u00e7\u00f5es sobre o trabalho do CIG durante a ditadura. \u201cO que a escola tem a esconder? J\u00e1 se passou tanto tempo e o Brasil precisa saber da sua hist\u00f3ria. Quem \u00e9 que fez curso l\u00e1? Quais foram os instrutores? Por que essa escola foi direcionadas para ser uma escola do terror?\u201d Fermino contou que j\u00e1 foram solicitadas c\u00f3pias dos documentos \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, mas acredita que nenhum desses dados tenha sido divulgado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Leneide Duarte-Plo, que est\u00e1 escrevendo um livro sobre Aussaresses, a pol\u00eamica em torno dele teve in\u00edcio em 2000, quando o jornal franc\u00eas Le Monde publicou uma entrevista chocante com uma ex-torturada por soldados franceses durante o conflito da Arg\u00e9lia, responsabilizando o general. No final daquele mesmo ano, Aussaresses reapareceu na imprensa reconhecendo as torturas praticadas e dizendo n\u00e3o se arrepender delas. \u201cEle diz que a tortura pode ser necess\u00e1ria\u201d, conta ela.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Posteriormente, explica Leneide Duarte-Plo, Aussaresses escreve mais tr\u00eas livros em que admite e detalha execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias que praticou. Nas publica\u00e7\u00f5es, ele faz revela\u00e7\u00f5es como o envolvimento de militares brasileiros, que teriam colaborado ativamente no golpe militar chileno. O general franc\u00eas chegou a ser processado por apologia \u00e0 guerra, mas recebeu anistia.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Aussaresses fala que era bom amigo do falecido general Jo\u00e3o Baptista Fiqueiredo, que presidiu o pa\u00eds de 1979 a 1985, durante o regime militar, e foi chefe do Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), e de S\u00e9rgio Fleury, o delegado que comandou o Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops) de S\u00e3o Paulo, um dos centros de tortura da ditadura militar. Fleury, que morreu em 1979, dirigia pessoalmente as sess\u00f5es de tortura, sendo respons\u00e1vel por v\u00e1rios homic\u00eddios decorrentes da a\u00e7\u00e3o ilegal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paul Aussaresses, militar que entre 1973 e 1975 esteve no Brasil ensinando t\u00e9cnicas de tortura e combate a guerrilhas aos oficiais brasileiros e de pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina A Comiss\u00e3o da Verdade da Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo ouviu nesta ter\u00e7a-feira (17) especialistas na hist\u00f3ria do general franc\u00eas Paul Aussaresses, militar que entre 1973 e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6802"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6802"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6802\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6802"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6802"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6802"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}