{"id":6956,"date":"2014-02-22T12:43:50","date_gmt":"2014-02-22T12:43:50","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/02\/22\/um-promotor-brasileiro-apresenta-indicios-do-assassinato-de-joao-goulart\/"},"modified":"2014-02-22T12:43:50","modified_gmt":"2014-02-22T12:43:50","slug":"um-promotor-brasileiro-apresenta-indicios-do-assassinato-de-joao-goulart","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/02\/22\/um-promotor-brasileiro-apresenta-indicios-do-assassinato-de-joao-goulart\/","title":{"rendered":"Um promotor brasileiro apresenta ind\u00edcios do assassinato de Jo\u00e3o Goulart"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A cada dia surgem mais provas de que a causa da morte do ex-presidente brasileiro Jo\u00e3o Goulart (1961-1964), ocorrida em 1976 na Argentina, n\u00e3o foi uma parada card\u00edaca, como informou aqui na \u00e9poca a ditadura de Jorge Videla (1976-1981), e sim um envenenamento, cometido como parte da chamada Opera\u00e7\u00e3o Condor, um programa em que os regimes militares da maioria dos pa\u00edses sul-americanos cooperavam para eliminar opositores.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6955\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/1392151519_832515_1392151855_noticia_normal.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"194\" \/><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<address \/>Jango (dir.) fala ao lado do ex-presidente Kennedy. \/<span class=\"s1\" \/>ARQUIVO DE FAM\u00cdLIA  <!--more-->  <\/span><\/address>\n<address><span class=\"s1\"><br \/><\/span><\/address>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O promotor brasileiro Ivan Marx apresentou uma den\u00fancia pelo suposto crime ao tribunal da prov\u00edncia de Corrientes, no nordeste da Argentina, que h\u00e1 anos j\u00e1 vinha investigando a morte de Goulart, popularmente conhecido como Jango. Marx tamb\u00e9m protocolou documentos que supostamente provam que o ex-chefe de Estado e uma dezena de outros exilados brasileiros sofriam persegui\u00e7\u00f5es e vigil\u00e2ncia de militares do seu pa\u00eds de origem e tamb\u00e9m de argentinos e uruguaios. Um promotor de Buenos Aires, Miguel Osorio, assumiu a den\u00fancia e decidiu promover uma investiga\u00e7\u00e3o a partir daqui, conforme informou nesta quarta-feira a T\u00e9lam, ag\u00eancia estatal de not\u00edcias da Argentina.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O Governo de Goulart foi caracterizado pela ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de esquerda, o que o levou a ser deposto pelas For\u00e7as Armadas em 1964. A ditadura brasileira se prolongou at\u00e9 1985. Jango inicialmente decidiu se exilar no Uruguai, e em 1973, a convite do ent\u00e3o presidente argentino, Juan Domingo Per\u00f3n (1946-1955 e 1973-1974), partiu para este pa\u00eds. Naquele ano de 1973 tamb\u00e9m caiu a democracia uruguaia. Goulart, que impulsionou uma maci\u00e7a reforma agr\u00e1ria, apesar das origens latifundi\u00e1rias da sua fam\u00edlia, tinha propriedades no Rio Grande do Sul e nos pa\u00edses vizinhos nos quais se refugiou. Morreu em 6 de dezembro de 1976, oito meses depois do golpe de Estado na Argentina, em sua fazenda La Villa, pr\u00f3xima \u00e0 localidade de Mercedes, em Corrientes. Foi precisamente uma ju\u00edza dessa prov\u00edncia, Gladis Borda, quem estava comandando o inqu\u00e9rito sobre a morte de Jango, o que a levou a colher em 2012 um depoimento de Christopher Goulart, neto do ex-presidente.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Mas agora o promotor Osorio pediu que a causa seja transferida para a sua jurisdi\u00e7\u00e3o, no tribunal de Buenos Aires que investiga os delitos da Opera\u00e7\u00e3o Condor, que uniu as ditaduras da Argentina, Brasil, Chile, Peru, Bol\u00edvia, Paraguai e Uruguai nos anos 70 e 80, apesar das desconfian\u00e7as m\u00fatuas que havia entre elas. Ocorre que os ind\u00edcios apresentados por Marx apontam para a hip\u00f3tese de que Goulart tenha sido envenenado ao ingerir um rem\u00e9dio em um hotel portenho, o Liberty, onde o ex-presidente se encontrava circunstancialmente hospedado. Al\u00e9m disso, o advogado e historiador brasileiro Jair Krischke, militante dos direitos humanos, apresentou ind\u00edcios de que em maio de 1976 o Ex\u00e9rcito do seu pa\u00eds pediu \u00e0 Pol\u00edcia Federal da Argentina que seguisse Goulart. A partir de tudo isso, Osorio iniciou uma investiga\u00e7\u00e3o contra integrantes da Pol\u00edcia argentina e do Ex\u00e9rcito brasileiro, embora em suas alega\u00e7\u00f5es por escrito admita que a identidade dos suspeitos por enquanto \u00e9 desconhecida.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O promotor portenho solicitou tamb\u00e9m \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade do Brasil que envie c\u00f3pias autenticadas da documenta\u00e7\u00e3o fornecida por seu colega brasileiro. A Comiss\u00e3o da Verdade foi criada em 2011 pela presidenta Dilma Rousseff para investigar assassinatos, torturas e outras viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos nos 21 anos de regime militar brasileiro, do qual ela pr\u00f3pria tamb\u00e9m foi v\u00edtima e prisioneira. Diferentemente do que acontece na Argentina e no Chile, vigora no Brasil uma anistia para os criminosos da ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em janeiro passado, os ministros de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo, e da Argentina, H\u00e9ctor Timerman, assinaram um acordo para revogar o sigilo e intercambiar arquivos sobre as v\u00edtimas das ditaduras em ambos os pa\u00edses. Ser\u00e1 criada uma comiss\u00e3o t\u00e9cnica bilateral para assumir essa tarefa. Os funcion\u00e1rios revelaram, ap\u00f3s aquele acordo, que desse interc\u00e2mbio de informa\u00e7\u00f5es poderiam surgir dados sobre a morte de Goulart.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Jango foi homenageado no ano passado por Rousseff em um ato no qual ela lhe devolveu simbolicamente a presid\u00eancia. Goulart foi ministro do Trabalho do \u00faltimo Governo de Get\u00falio Vargas (1951-1945), um presidente caracterizado por uma pol\u00edtica de interven\u00e7\u00e3o estatal na economia e aumentos salariais. Foi vice-presidente dos Governos do desenvolvimentista Juscelino Kubitschek (1956-1961) e do populista J\u00e2nio Quadros (1961), que, ap\u00f3s renunciar, foi sucedido pelo pr\u00f3prio Goulart. Primeiro Jango governou o Brasil sob a tutela do Congresso, com presen\u00e7a conservadora, e das For\u00e7as Armadas, mas em 1963 se liberou dela e p\u00f4s em pr\u00e1tica suas \u201creformas de base\u201d, o que inclu\u00eda o aumento do imposto de renda, a exig\u00eancia de que multinacionais reinvestissem seus lucros no pa\u00eds e um plano de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Embora mantivesse uma boa rela\u00e7\u00e3o com os EUA, em plena Guerra Fria se atreveu a se aproximar da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Custou-lhe caro. Em 1964, foi derrubado pelos militares. Em seu ex\u00edlio argentino, antes de sua morte, durante o Governo de Isabel Per\u00f3n (1974-1976), sofreu uma tentativa de atentado cometida pela for\u00e7a parapolicial Alian\u00e7a Anticomunista Argentina, conhecida como Triple A.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; El Pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada dia surgem mais provas de que a causa da morte do ex-presidente brasileiro Jo\u00e3o Goulart (1961-1964), ocorrida em 1976 na Argentina, n\u00e3o foi uma parada card\u00edaca, como informou aqui na \u00e9poca a ditadura de Jorge Videla (1976-1981), e sim um envenenamento, cometido como parte da chamada Opera\u00e7\u00e3o Condor, um programa em que os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6955,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6956"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6956"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6956\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6955"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6956"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6956"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6956"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}