{"id":6962,"date":"2014-02-22T12:51:40","date_gmt":"2014-02-22T12:51:40","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/02\/22\/brasil-ofereceu-apoio-a-golpe-antes-da-eleicao-de-allende\/"},"modified":"2014-02-22T12:51:40","modified_gmt":"2014-02-22T12:51:40","slug":"brasil-ofereceu-apoio-a-golpe-antes-da-eleicao-de-allende","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/02\/22\/brasil-ofereceu-apoio-a-golpe-antes-da-eleicao-de-allende\/","title":{"rendered":"Brasil ofereceu apoio a golpe antes da elei\u00e7\u00e3o de Allende"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1966, quatro anos antes da elei\u00e7\u00e3o de Salvador Allende \u00e0 Presid\u00eancia do Chile, a ditadura brasileira se colocou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para colaborar com um golpe de Estado contra um eventual governo da esquerda chilena. Na \u00e9poca, o Chile era presidido pelo democrata crist\u00e3o Eduardo Frei Montalva, mas ainda assim o marechal Humberto Castello Branco e seus ministros demonstravam preocupa\u00e7\u00e3o com os rumos do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6958\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/juracypetrobras56651.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"202\" srcset=\"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/juracypetrobras56651.jpg 600w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/juracypetrobras56651-300x201.jpg 300w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/juracypetrobras56651-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>Chanceler Juracy Magalh\u00e3es tamb\u00e9m foi o primeiro presidente da Petrobras| Foto: Banco de Imagens Petrobras  <!--more-->  <\/address>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A estrat\u00e9gia do Brasil para lidar com o crescimento da candidatura de Allende, que tinha o apoio de ao menos 30% do eleitorado local, segundo o ent\u00e3o chanceler Juracy Magalh\u00e3es, est\u00e1 registrada em ata do Conselho de Seguran\u00e7a Nacional. O grupo, que produziu mais de 3 mil p\u00e1ginas de documentos secretos, divulgados apenas em 2009, era um dos \u00f3rg\u00e3os de assessoramento direto ao presidente da Rep\u00fablica durante a ditadura, ao lado do SNI (Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es) e o Estado-Maior das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Na reuni\u00e3o de 24 de outubro de 1966, Magalh\u00e3es exp\u00f4s aos demais ministros os resultados de suas viagens por Europa, Estados Unidos e Am\u00e9rica Latina. Em Santiago, o chanceler discutiu com seu par chileno, Gabriel Vald\u00e9s, o que aconteceria se o Partido Comunista vencesse as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 1970.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u201cDevo dizer, \u2018off records\u2019, que tive oportunidade de analisar com o Ministro Vald\u00e9s a possibilidade de uma vit\u00f3ria do partido comunista nas futuras elei\u00e7\u00f5es, ainda long\u00ednquas, se o Governo Frei n\u00e3o conseguir realizar as aspira\u00e7\u00f5es do povo chileno. Ent\u00e3o \u2014 isso eu dizia \u2014 seria o caso de ter a possibilidade do hemisf\u00e9rio agir em benef\u00edcio do Chile\u201d, afirmou Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">A resposta de Vald\u00e9s, comemorada pelo representante de Castello Branco, mostrava que o Brasil n\u00e3o era o \u00fanico que tinha planos de derrubar um governo que ainda nem existia. \u201cEle, ent\u00e3o, me disse \u2014 com surpresa para mim \u2014 que est\u00e1 convencido de que, se o partido comunista se tornasse majorit\u00e1rio, as for\u00e7as vivas da Na\u00e7\u00e3o agiriam no Chile, como agiram no Brasil e na Argentina. Isso \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o da mais alta import\u00e2ncia e inteiramente surpreendente para n\u00f3s, porque a nossa impress\u00e3o era de que o Chile estava se conduzindo de maneira a acatar um resultado eventual das urnas, a favor do comunismo.\u201d<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">A viagem do chanceler brasileiro \u2014 famoso por sua frase \u201co que \u00e9 bom para os EUA \u00e9 bom para o Brasil\u201d \u2014 ocorreu como um \u201cesfor\u00e7o para o restabelecimento da posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a natural do Brasil no \u00e2mbito continental\u201d, nas palavras do pr\u00f3prio Magalh\u00e3es. Ao iniciar sua exposi\u00e7\u00e3o sobre a Am\u00e9rica Latina (no mesmo m\u00eas ele tamb\u00e9m visitou Bol\u00edvia, Argentina e Uruguai), ele lembrou que &#8220;a proje\u00e7\u00e3o do Brasil no continente americano e, atrav\u00e9s dele, no mundo, \u00e9 um dos objetivos primordiais da pol\u00edtica exterior brasileira, tal como definida pelo Senhor Presidente da Rep\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6959\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/banner_especial_reduzido_%281%2956653.jpg\" border=\"0\" width=\"600\" height=\"324\" \/><\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">O Itamaraty vivia um per\u00edodo de desconfian\u00e7a com os pa\u00edses sul-americanos depois da \u201cConfer\u00eancia de Bogot\u00e1\u201d, na qual Chile, Col\u00f4mbia, Venezuela, Peru e Equador discutiram a cria\u00e7\u00e3o de um novo bloco econ\u00f4mico que n\u00e3o se concretizou. Magalh\u00e3es chegou a se queixar para o Departamento de Estado norte-americano de que n\u00e3o havia sido avisado de tal encontro. Na reuni\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a Nacional, o ent\u00e3o ministro do Planejamento e ex-embaixador em Washington, Roberto Campos, explicou que tal iniciativa entre na\u00e7\u00f5es de tamanho m\u00e9dio \u201ccriaria problemas pol\u00edticos muito s\u00e9rios para o Brasil, na marcha para a integra\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cFolgo saber que o Ministro do Exterior conseguiu, por assim dizer, estabelecer uma cunha nesta frente dos pa\u00edses m\u00e9dios.\u201d<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Campos, um dos conselheiros mais pr\u00f3ximos de Castello Branco, ainda fez uma compara\u00e7\u00e3o entre os momentos econ\u00f4micos de Chile e Brasil. Ambos tentavam reduzir a infla\u00e7\u00e3o e atrair investimentos estrangeiros, mas, at\u00e9 aquele momento, Santiago obtinha mais sucesso nesses objetivos. A principal diferen\u00e7a, segundo o ministro, era que o governo chileno \u201cseguiu uma orienta\u00e7\u00e3o mais humanit\u00e1ria\u201d, enquanto o brasileiro mantinha postura \u201cmais austera e desenvolvimentista\u201d.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6961\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/fgccpedoc56652.jpg\" border=\"0\" width=\"600\" height=\"431\" srcset=\"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/fgccpedoc56652.jpg 600w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/fgccpedoc56652-300x216.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Da esquerda para direita: Ernesto Geisel, Castello Branco, Juracy Magalh\u00e3es e Lu\u00eds Viana Filho| Foto: Imagem cedida pelo Arquivo CPDOC\/FGV<\/address>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Apesar do foco nas quest\u00f5es sociais, o presidente Eduardo Frei n\u00e3o conseguiu impedir a chegada da esquerda ao poder. Allende, que j\u00e1 havia sido candidato \u00e0 presid\u00eancia outras tr\u00eas vezes, foi eleito em 4 de setembro de 1970, liderando uma frente ampla das esquerdas \u2013 com os partidos Socialista e Comunista \u00e0 frente \u2013 na Unidade Popular.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas anos depois, o Ex\u00e9rcito chileno implementou o plano citado por Vald\u00e9s e colocou no poder o general Augusto Pinochet, que governou at\u00e9 1990 uma das mais sangrentas ditaduras do continente. A influ\u00eancia exata do Brasil no movimento golpista ainda \u00e9 discutida, mas h\u00e1 refer\u00eancia de que Bras\u00edlia financiou pol\u00edticos opositores durante todo mandato de Allende. Aliado de primeira hora de Pinochet, o regime militar brasileiro se manteve ao lado do parceiro na Opera\u00e7\u00e3o Condor, a\u00e7\u00e3o conjunta de repress\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul que tamb\u00e9m contou com o apoio de Argentina, Bol\u00edvia, Paraguai e Uruguai nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Opera Mundi<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1966, quatro anos antes da elei\u00e7\u00e3o de Salvador Allende \u00e0 Presid\u00eancia do Chile, a ditadura brasileira se colocou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para colaborar com um golpe de Estado contra um eventual governo da esquerda chilena. 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