{"id":6973,"date":"2014-02-25T21:27:30","date_gmt":"2014-02-25T21:27:30","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/02\/25\/a-arte-que-resistiu-a-macula-da-ditadura\/"},"modified":"2014-02-25T21:27:30","modified_gmt":"2014-02-25T21:27:30","slug":"a-arte-que-resistiu-a-macula-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/02\/25\/a-arte-que-resistiu-a-macula-da-ditadura\/","title":{"rendered":"A arte que resistiu \u00e0 m\u00e1cula da ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A mostra Resistir \u00e9 Preciso, no Rio de Janeiro, pretende lan\u00e7ar um foco de luz sobre o papel desempenhado por artistas que se empenharam contra a trucul\u00eancia do regime militar<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6972\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/1393287113_872843_1393288260_noticia_normal.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>Obra em exposi\u00e7\u00e3o na mostra Resistir \u00e9 Preciso. \/ <span class=\"s1\" \/>DIVULGA\u00c7\u00c3O\u00a0(CCBB)  <!--more-->  <\/span><\/address>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Os anos da ditadura e de chumbo no Brasil (1964-1985) deixaram a impress\u00e3o indel\u00e9vel da mesquinharia e da ignom\u00ednia do ser humano. Rios de tinta correram para encobrir a clandestinidade pol\u00edtica e a imprensa de resist\u00eancia, os movimentos estudantis ou um cen\u00e1rio musical que cobrou um protagonismo indiscut\u00edvel entre os jovens da \u00e9poca. Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Geraldo Vandr\u00e9 encarnaram a persegui\u00e7\u00e3o e o ex\u00edlio das vanguardas art\u00edsticas. O assassinato do jornalista Vladimir Herzog em 1975 pelas m\u00e3os de militares no interior de um pres\u00eddio de S\u00e3o Paulo representou a gota que transbordou o copo, o ponto de inflex\u00e3o a partir do qual a ditadura come\u00e7ou a fazer \u00e1gua, pressionada por um crescente clamor social que exigia anistia e democracia.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">No entanto, o cen\u00e1rio art\u00edstico desses anos pouco tinha sido abordado at\u00e9 agora. Muitos foram os criadores brasileiros que se empregaram a fundo em combater a trucul\u00eancia do regime militar. A mostra Resistir \u00e9 Preciso, idealizada pelo Instituto Vladimir Herzog e organizada pelo Banco do Brasil, pretende lan\u00e7ar um pouco de luz sobre o papel desempenhado por um punhado de artistas pl\u00e1sticos que resistiram a olhar para o outro lado.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u201cNos anos sessenta se volta a uma nova figura\u00e7\u00e3o que reflete os grandes assuntos da atualidade. Era uma arte que falava de seu tempo. Tamb\u00e9m foi um momento de mudan\u00e7as nos costumes: a abertura na sexualidade ou o protagonismo da mulher na sociedade surgem nesse per\u00edodo. A arte se embebe desses elementos e surgem movimentos contra a burguesia e contra a ditadura militar\u201d, explica Fabio Magalh\u00e3es, curador da mostra.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Durante esses anos, o artista Claudio Tozzi (autor do painel em homenagem a Che Guevara, \u201cGuevara Vivo ou Morto\u201d, atacado por radicais adeptos do Governo militar) subia nos telhados do centro do Rio de Janeiro e deixava nas marquises pilhas de panfletos com desenhos de sua autoria convocando para mobiliza\u00e7\u00f5es contra a ditadura. O vento fazia o trabalho de distribui\u00e7\u00e3o da propaganda entre os pedestres, e dessa forma Tozzi minimizava o risco de ser parado e acusado de subvers\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Celebradas obras de H\u00e9lio Oiticica (Seja Marginal, Seja Her\u00f3i), Ligya Pape (L\u00edngua Apunhalada) ou Claudio Tozzi (Multid\u00e3o) alternam-se com as c\u00e9dulas de um cruzeiro (a moeda brasileira da \u00e9poca) engendradas por Cildo Meireles e nas quais o artista imprimiu a ir\u00f4nica pergunta: \u201cQuem matou Herzog?\u201d.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Uma das pequenas joias da mostra \u00e9 a cole\u00e7\u00e3o de obras produzidas por Alipio Freire, Carlos Takaoka e S\u00e9rgio Sister com os rudimentares materiais dispon\u00edveis no interior do pres\u00eddio Tiradentes. Nenhum deles era artista pl\u00e1stico reconhecido na \u00e9poca nem imaginava que suas produ\u00e7\u00f5es em reclus\u00e3o acabariam fazendo parte da mem\u00f3ria viva da ditadura.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Obras assinadas por nomes de refer\u00eancia como Carlos Vergara ou Ivan Serpa tamb\u00e9m est\u00e3o presentes na exposi\u00e7\u00e3o que j\u00e1 passou por Bras\u00edlia e S\u00e3o Paulo e que, ap\u00f3s fechar sua agenda no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, em 28 de abril, ser\u00e1 definitivamente encerrada em Belo Horizonte.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">A obra \u201cLute\u201d de Rubens Gerchman \u00e9 um dos pontos altos da exposi\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma escultura formada por quatro letras vermelhas de grande dimens\u00e3o. A ideia original consistiu em que a palavra Lute (Luta) passeasse a bordo de um caminh\u00e3o pelo centro do Rio no hor\u00e1rios de pico de entrada e sa\u00edda do trabalho. Uma sele\u00e7\u00e3o de imagens dos fotojornalistas Luis Humberto e Orlando Brito servem de antessala para a brilhante e emotiva parte final da mostra, assinada pelo pr\u00f3prio Fabio Magalh\u00e3es. Trata-se de uma instala\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo na qual mais de 450 nomes de mortos e desaparecidos durante a ditadura (at\u00e9 agora foi a lista oficial, embora se presuma que a Comiss\u00e3o da Verdade a ampliar\u00e1 a milhares de pessoas mais) desfilam e caem sobre uma montanha desordenada de palavras, para acabarem perdendo-se no ar.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u201cQueremos destacar a import\u00e2ncia da mem\u00f3ria. N\u00e3o podemos deixar que esses crimes caiam no esquecimento. Por que a pol\u00edcia brasileira \u00e9 t\u00e3o violenta? Por que existe uma Comiss\u00e3o da Verdade? Os jovens t\u00eam de olhar para tr\u00e1s para entender o presente\u201d, explica Ivo Herzog, diretor-executivo do instituto que leva o nome de seu pai.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">A exposi\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m inclui abundante material jornal\u00edstico da \u00e9poca e uma extraordin\u00e1ria cole\u00e7\u00e3o de cartazes com apelos \u00e0 resist\u00eancia, transcorre por uma linha do tempo ou cronologia visual na qual o p\u00fablico pode situar rapidamente os epis\u00f3dios fundamentais da ditadura brasileira e o contexto internacional. Uma grandiosa cita\u00e7\u00e3o abre e fecha o percurso: \u201cQuando perdemos a capacidade de nos indignar com as atrocidades praticadas contra os outros, perdemos tamb\u00e9m o direito de nos considerarmos seres humanos civilizados\u201d &#8211; Vladimir Herzog.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; El Pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mostra Resistir \u00e9 Preciso, no Rio de Janeiro, pretende lan\u00e7ar um foco de luz sobre o papel desempenhado por artistas que se empenharam contra a trucul\u00eancia do regime militar Obra em exposi\u00e7\u00e3o na mostra Resistir \u00e9 Preciso. \/ DIVULGA\u00c7\u00c3O\u00a0(CCBB)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6973"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6973"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6973\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}