{"id":6974,"date":"2014-02-25T21:37:53","date_gmt":"2014-02-25T21:37:53","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/02\/25\/a-une-de-hoje-sob-o-olhar-dos-lideres-de-ontem\/"},"modified":"2014-02-25T21:37:53","modified_gmt":"2014-02-25T21:37:53","slug":"a-une-de-hoje-sob-o-olhar-dos-lideres-de-ontem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/02\/25\/a-une-de-hoje-sob-o-olhar-dos-lideres-de-ontem\/","title":{"rendered":"A UNE de hoje sob o olhar dos l\u00edderes de ontem"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do movimento estudantil brasileiro se confunde com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do pa\u00eds. Respons\u00e1veis por muitas das principais mobiliza\u00e7\u00f5es que agitaram as ruas das grandes cidades, os jovens sempre tiveram destaque nos rumos da pol\u00edtica nacional, desde press\u00f5es para o posicionamento do governo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Segunda Guerra Mundial, passando por enfrentamentos durante a repress\u00e3o na Ditadura Militar e participa\u00e7\u00e3o nas \u201cDiretas J\u00e1\u201d, at\u00e9 o impeachment do ent\u00e3o presidente da rep\u00fablica, Fernando Collor de Mello, em um movimento que ficou marcado pelos chamados \u201ccaras-pintadas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.folhadirigida.com.br\/fd\/Satellite?blobcol=urldata&#038;blobkey=id&#038;blobtable=MungoBlobs&#038;blobwhere=1317441612131&#038;ssbinary=true\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O movimento estudantil tem suas origens em 1901, quando foi criada a Federa\u00e7\u00e3o dos Estudantes Brasileiros, entidade pioneira, por\u00e9m com pouco tempo de atua\u00e7\u00e3o. Em 1910, aconteceu o I Congresso Nacional de Estudantes, em S\u00e3o Paulo. Com o aumento da quantidade de escolas nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo, a organiza\u00e7\u00e3o coletiva dos jovens aumentou gradativamente. A partir da Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, a politiza\u00e7\u00e3o do ambiente nacional levou os estudantes a atuarem mais firmemente at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o, em 1937, da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE), que come\u00e7ou a se organizar em congressos anuais e a buscar articula\u00e7\u00e3o com outros setores da sociedade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1 para c\u00e1, mesmo com as diversas altera\u00e7\u00f5es nos contextos social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico e da mudan\u00e7a de postura da juventude, na sua forma de enxergar o mundo e reagir aos descontentamentos, os estudantes sempre estiveram envolvidos com as principais quest\u00f5es do pa\u00eds. Hoje em dia, entretanto, as entidades de representa\u00e7\u00e3o estudantil n\u00e3o conseguem mais repetir os grandes atos realizados no passado. At\u00e9 mesmo os protestos que se espalharam pelo pa\u00eds em 2013 e que ganharam for\u00e7a no m\u00eas de junho, quando chegou a reunir 300 mil pessoas no Centro do Rio de Janeiro e mais de 1 milh\u00e3o nas ruas de diversas cidades, n\u00e3o foram iniciativas das entidades.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Para ex-l\u00edderes, ditadura e interesses partid\u00e1rios esvaziaram as mobiliza\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na opini\u00e3o de antigas lideran\u00e7as dos estudantes, o fato de as principais entidades estudantis do pa\u00eds n\u00e3o terem sido protagonistas na mobiliza\u00e7\u00e3o dos estudantes no ano passado \u00e9 o resultado de uma s\u00e9rie de fatores, como a desilus\u00e3o de boa parte da popula\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica, que acaba refletindo no movimento estudantil, o envolvimento das diretorias com partidos pol\u00edticos e at\u00e9 mesmo preju\u00edzos causado durante o regime militar, que durou de 1964 at\u00e9 1985.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u201cA ditadura causou um grande preju\u00edzo ao pa\u00eds. Quebrou lideran\u00e7as sindicais, estudantis, empresariais e pol\u00edticas. Essa reconstru\u00e7\u00e3o demora anos. Foi um dos fatores que pesaram na desilus\u00e3o do povo com os partidos e dos estudantes com as suas representa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o vemos um diret\u00f3rio de universidade com uma luta expressiva. \u00c0s vezes, um pequeno grupo se manifesta. Antigamente n\u00e3o, era uma mobiliza\u00e7\u00e3o geral\u201d, falou Jos\u00e9 Frejat, ex-presidente da UNE, em 1950 e 1951.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Vladimir Palmeira, que presidiu a Uni\u00e3o Metropolitana dos Estudantes (UME) em 1967 e 1968, contou que os estudantes formaram a principal for\u00e7a de resist\u00eancia contra o governo militar. De acordo com ele, se por um lado dificultava pela repress\u00e3o, por outro havia algo bem peculiar: com os movimentos oper\u00e1rio e campon\u00eas reprimidos e o apoio da classe m\u00e9dia urbana ao golpe, os estudantes tinham mais espa\u00e7o para protestar em rela\u00e7\u00e3o aos outros movimentos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cIsso permitiu que o movimento estudantil se levantasse com uma repress\u00e3o relativamente pequena, pois n\u00e3o torturavam nem matavam ningu\u00e9m. Reprimiam nas ruas, mas n\u00e3o iam muito em cima. O presidente Costa e Silva era obrigado a suportar muita coisa, porque tinha que seguir uma constitui\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, tinha algum espa\u00e7o para a gente se movimentar\u201d, lembrou, ressaltando que isso durou at\u00e9 a promulga\u00e7\u00e3o do Ato Institucional N\u00famero Cinco (AI-5), em 1968, que suspendeu v\u00e1rias garantias constitucionais.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cFoi golpe dentro do golpe, acabou com os elementos democr\u00e1ticos que, apesar de tudo, ainda haviam. Mas antes o movimento estudantil era muito bem estruturado, no caso do Rio, com todas as tend\u00eancias ideol\u00f3gicas participando. \u00c9ramos o \u00fanico estado onde a direita participava da entidade estudantil. S\u00f3 havia movimento, porque constru\u00edmos uma entidade de massa. Trat\u00e1vamos de quest\u00f5es estudantis, conseguimos discutir professor, curr\u00edculo e democracia nas universidades. Sem isso, ter\u00edamos feito manifesta\u00e7\u00f5es epis\u00f3dicas\u201d, falou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Os primeiros anos da UNE acompanharam a eclos\u00e3o da Segunda Guerra Mundial, que durou de 1939 a 1945. Os estudantes brasileiros, rec\u00e9m-organizados, se opuseram ao nazismo de Hitler na Alemanha e pressionaram o governo do presidente Get\u00falio Vargas a tomar uma posi\u00e7\u00e3o. Em meio ao conflito, em 1942, os jovens ocuparam a sede do Clube Germ\u00e2nia, que mais tarde foi concedido por Vargas para que fosse a sede da UNE, tamb\u00e9m oficializada por ele como a entidade representativa dos universit\u00e1rios brasileiros. Mais tarde, com a tomada do governo pelos militares, a sede acabou sendo incendiada. Uma das testemunhas foi Alfredo Viana, presidente da Uni\u00e3o Metropolitana dos Estudantes (UME) em 1959.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO que me preocupa \u00e9 que, eventualmente, a UNE tenha se afastado de suas bases. Com isso, perde certo prest\u00edgio e certa for\u00e7a. Isso \u00e9 um fato que precisa ser pensado. Talvez com a campanha pela reconstru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio melhore. Outra coisa \u00e9 o fato de a UNE sempre ter desempenhado uma fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica suprapartid\u00e1ria. Nunca permitimos sua participa\u00e7\u00e3o em eventos e atos de partidos. Era uma entidade realmente democr\u00e1tica. De uns anos para c\u00e1, est\u00e1 muito vinculada \u00e0 um determinado partido. N\u00e3o sei se isso est\u00e1 ajudando ou prejudicando\u201d, falou o ex-l\u00edder estudantil.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Pouca combatividade ou diferentes contextos pol\u00edticos e sociais?<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Outra mobiliza\u00e7\u00e3o marcante da UNE foi a campanha \u201cO Petr\u00f3leo \u00e9 Nosso\u201d. Ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1946, foi travado um grande debate entre os que admitiam a entrada de empresas estrangeiras para a extra\u00e7\u00e3o e os que defendiam o monop\u00f3lio nacional. At\u00e9 que, em 1953, foi criada a Petrobras. Presidente da Uni\u00e3o em 1953 e 1954, Jo\u00e3o Pessoa de Albuquerque acredita que a milit\u00e2ncia de hoje em dia n\u00e3o tem o mesmo entusiasmo do passado. \u201cNa minha \u00e9poca, posso dizer que havia mais combatividade. Hoje, sinto a UNE mais preservadora do poder p\u00fablico. Se existem impedimentos pol\u00edticos para que a atual diretoria n\u00e3o tenha a mesma combatividade que tive, temos que analisar. No dia 21 de abril de 1954, por exemplo, promovi no Rio de Janeiro, na sede da UNE e em todas as Uni\u00f5es Estaduais do Brasil, um grande movimento contra a corrup\u00e7\u00e3o. Esta combatividade, inclusive com duras notas endere\u00e7adas ao governo, n\u00e3o vejo mais hoje\u201d, criticou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em diversas ocasi\u00f5es, Vic Barros, atual presidente da entidade, assegurou que a entidade mant\u00e9m uma postura de total autonomia e independ\u00eancia face a qualquer governo, seja municipal, estadual ou federal. \u201cNossa rela\u00e7\u00e3o hoje com o governo \u00e9 de di\u00e1logo e de press\u00e3o permanente por mudan\u00e7as positivas para o pa\u00eds. Portanto, reconhecer que existem avan\u00e7os no Brasil n\u00e3o nos atrela a nenhum governo, pelo contr\u00e1rio, seguimos fazendo as cr\u00edticas que consideramos justas na atual conjuntura pol\u00edtica e na realidade que o Brasil vivencia hoje em dia\u201d, garantiu em entrevista \u00e0 FOLHA DIRIGIDA, publicada em outubro. Na ocasi\u00e3o, ainda afirmou que o movimento estudantil nunca saiu das ruas. \u201cImportantes conquistas que tivemos, especialmente em educa\u00e7\u00e3o, neste per\u00edodo, como o Programa Universidade para Todos (ProUni), a expans\u00e3o de vagas nas universidades federais e a lei de reserva de vagas, s\u00e3o todas fruto de muita mobiliza\u00e7\u00e3o\u201d, completou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Para Vladimir Palmeira, n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7as no grau de combatividade, mas sim contextos diferentes. De acordo com ele, o maior problema da atualidade \u00e9 a crise de representatividade, que acaba afastando os jovens da pol\u00edtica. \u201cTemos visto, ali\u00e1s, muitos jovens pecando pelos excessos, como nas \u00faltimas manifesta\u00e7\u00f5es. Os meninos do Black Bloc come\u00e7aram a entrar em confronto com a pol\u00edcia, o que acabou gerando um desgaste. Atualmente, a pol\u00edtica \u00e9 cinza. Como um jovem vai se interessar por uma pol\u00edtica achando que um \u00e9 ladr\u00e3o, outro \u00e9 vendido e fulano s\u00f3 quer aparecer?\u201d, questionou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Folha Dirigida<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do movimento estudantil brasileiro se confunde com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do pa\u00eds. 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