{"id":6997,"date":"2014-03-12T23:01:56","date_gmt":"2014-03-12T23:01:56","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/03\/12\/cinquenta-anos-da-ditadura-militar-e-relembrada-com-lancamento-de-livros\/"},"modified":"2014-03-12T23:01:56","modified_gmt":"2014-03-12T23:01:56","slug":"cinquenta-anos-da-ditadura-militar-e-relembrada-com-lancamento-de-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/03\/12\/cinquenta-anos-da-ditadura-militar-e-relembrada-com-lancamento-de-livros\/","title":{"rendered":"Cinquenta anos da ditadura militar \u00e9 relembrada com lan\u00e7amento de livros"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Confira alguns dos t\u00edtulos mais interessantes a serem lan\u00e7ados at\u00e9 o final do m\u00eas<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco acena diante do parlat\u00f3rio do Pal\u00e1cio do Planalto: marco de uma hist\u00f3ria triste<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6996\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/20140311101017434435o.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Efem\u00e9rides s\u00e3o sempre bem-vindas no mercado editorial, mesmo que nem sempre sejam motivo de celebra\u00e7\u00e3o. O golpe que conduziu o Brasil em dire\u00e7\u00e3o ao regime militar em 1964 completa cinco d\u00e9cadas este m\u00eas e as editoras j\u00e1 come\u00e7aram a se movimentar para ocupar as prateleiras com t\u00edtulos relacionados ao tema. Da pol\u00eamica de Marco Villa \u2014 defensor de uma releitura que reduz de 20 para menos de 10 os anos do per\u00edodo de ditadura \u2014 \u00e0 dramaticidade dos pequenos contos ficcionais de Bernardo Kucinski, a variedade de g\u00eaneros e abordagens oferece ao leitor um card\u00e1pio equilibrado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">As narrativas de Kucinski s\u00e3o fic\u00e7\u00e3o, mas est\u00e3o ancoradas em uma realidade t\u00e3o crua que \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o se emocionar. O escritor estreia no romance com &#8216;K. relato de uma busca&#8217;, sobre um pai em busca da filha desaparecida durante o regime militar. Em &#8216;Voc\u00ea vai voltar pra mim&#8217;, pequenos contos ligados pelo contexto da ditadura e da repress\u00e3o narram hist\u00f3rias r\u00e1pidas de personagens que, de alguma forma, foram afetados pela condi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds. Na vis\u00e3o do autor, escrever fic\u00e7\u00e3o sobre um epis\u00f3dio traum\u00e1tico \u00e9 fundamental para entender o ocorrido.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u201cCreio que a fic\u00e7\u00e3o permite a catarse. E a catarse ajuda a suportar o trauma. O relato factual \u00e9 mais pr\u00f3ximo de um ajuste de contas com a hist\u00f3ria, com os outros. A fic\u00e7\u00e3o \u00e9 mais adequada a um ajuste de contas consigo mesmo\u201d, diz. \u201cA ditadura militar brasileira n\u00e3o traumatizou a totalidade da sociedade como ocorreu na Argentina e no Chile, e sim alguns de seus segmentos. Por isso, n\u00e3o houve incorpora\u00e7\u00e3o de um fato traum\u00e1tico \u00e0 mem\u00f3ria coletiva. E tamb\u00e9m por isso, foi f\u00e1cil aos setores dominantes, que apoiaram a ditadura e se mant\u00e9m dominantes, apropriar-se tamb\u00e9m da sua hist\u00f3ria e transform\u00e1-la rapidamente em \u201chist\u00f3ria antiga\u201d, embora muitos de seus protagonistas e suas v\u00edtimas ainda vivam.\u201d Kucinski \u00e9, ele mesmo, uma das v\u00edtimas. O autor perdeu a irm\u00e3 e o cunhado durante o regime militar.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Entrevista com Bernardo Kuncinski<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Quando termina a escrita de um trauma? Ela termina?<\/strong><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>A forma como o trauma nos afeta muda muito com o passar dos anos, mas ele nunca nos abandona. Assim, a sua escrita tamb\u00e9m n\u00e3o tem um ponto final.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Escrevemos pouca fic\u00e7\u00e3o sobre a ditadura no Brasil?<\/strong><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>N\u00e3o sou um especialista, mas me parece que o tema pouco aparece na fic\u00e7\u00e3o brasileira contempor\u00e2nea. Os ficcionistas jovens preferem outros temas, familiares, intimistas, ou aspectos da aliena\u00e7\u00e3o e estupefa\u00e7\u00e3o da p\u00f3s-modernidade. Entre os que foram da gera\u00e7\u00e3o que viveu a ditadura, especialmente entre os que lutaram contra ela, houve um predom\u00ednio \u2013 uma profus\u00e3o mesmo \u2013 de relatos pessoais, como se cada um sentisse forte necessidade de registrar sua experi\u00eancia. Muitos s\u00e3o bem escritos, mas raramente ultrapassam o plano do relato factual simples. N\u00e3o atingem dimens\u00e3o liter\u00e1ria, diferentemente das mem\u00f3rias de um Primo Levi ou de um Aharon Applefeld sobre suas experi\u00eancias no holocausto. Ultimamente surgiram as biografias , que tamb\u00e9m s\u00e3o relatos factuais e que igualmente n\u00e3o atingem dimens\u00e3o liter\u00e1ria. Quarup, para lembra um dos prim\u00f3rdios da ditadura ficou sendo o precursor de um nada.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span> <span class=\"s1\"><br \/> <\/span><strong>Depois de K., voc\u00ea sentiu a necessidade de escrever mais sobre a ditadura? Por que?<\/strong><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>A partir das rea\u00e7\u00f5es a K. e dos trabalhos das v\u00e1rias comiss\u00f5es da verdade, fui tomado pela dramaticidade de outras hist\u00f3rias pessoais e achei que deveria partir delas para realizar minha nova ambi\u00e7\u00e3o de ser um escritor de fic\u00e7\u00e3o. Achei que era a coisa certa a fazer, e que nessas hist\u00f3rias estava o material humano mais importante que poderia me mover e me inspirar neste momento. Mas tamb\u00e9m tenho escrito fic\u00e7\u00f5es com outros temas.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Como voc\u00ea encara o trabalho da Comiss\u00e3o da Verdade? Qual o papel dela hoje?<\/strong><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Sou muito c\u00e9tico quanto aos seus resultados, tendo em vista as limita\u00e7\u00f5es de seu mandato e de seus poderes. Dela, na verdade n\u00e3o espero quase nada. Vejo como um dos poucos aspectos positivos de sua cria\u00e7\u00e3o a prolifera\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es da verdade pelo pais em todos os niveis.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Entrevista com Marco Villa<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Qual a ideia do livro?<\/strong><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>A ideia do livro \u00e9 aproveitar o momento dos 50 anos, que acaba adquirindo import\u00e2ncia para os leitores e para a discuss\u00e3o pol\u00edtica da hist\u00f3ria do Brasil. Tentei ser o mais simples poss\u00edvel, mas colocando quest\u00f5es que considero essenciais. A ditadura do Estado Novo matou muito mais que a ditadura militar e foi muito mais violenta que a ditadura militar, por\u00e9m na mem\u00f3ria ela foi apagada. Ningu\u00e9m fala da barb\u00e1rie do Estado Novo nas capitais, a a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, a morte de dezenas de prisioneiros sob tortura. Eventualmente, lembram da Olga Ben\u00e1rio, mas se esquece de toda a barb\u00e1rie. No caso do Estado Novo, se esquece da barb\u00e1rie em rela\u00e7\u00e3o aos direitos humanos e se prioriza os \u00eaxitos econ\u00f4micos. E, no caso do regime militar, \u00e9 o contr\u00e1rio: esquece-se dos avan\u00e7os econ\u00f4micos e prioriza-se a barb\u00e1rie.. Ent\u00e3o, o que procuro mostrar \u00e9 que as caracter\u00edsticas especiais do regime militar brasileiro n\u00e3o t\u00eam nenhuma rela\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses do cone sul. Nenhuma, zero. Quem falar que tem \u00e9 caso de voltar para os bancos escolares, porque no caso da Argentina, a ditadura argentina desestatizou a economia. O regime militar brasileiro estatizou a economia, fez o inverso. Enquanto o regime militar argentino acabou com a universidade p\u00fablica, o regime militar brasileiro expandiu o ensino de terceiro grau. Muitas universidade federais foram criadas durante o regime militar. A concep\u00e7\u00e3o do regime militar brasileiro era autorit\u00e1ria? Evidente que era. Mas era uma concep\u00e7\u00e3o derivada do positivismo. As ditaduras do cone sul t\u00eam uma forte marca na \u00e1rea estatista que n\u00e3o tinha no Brasil. A concep\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito brasileiro vem do positivismo, que consagra um estado autorit\u00e1rio, verdade, como mostro diversas vezes no livro. A coisa do livro \u00e9 remar contra a corrente, contra explica\u00e7\u00f5es pr\u00e9-concebidas, leituras equivocadas, contra a constru\u00e7\u00e3o de uma mem\u00f3ria que n\u00e3o existiu.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Em que consistiu a ditadura no Brasil, na tua opini\u00e3o?<\/strong><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O per\u00edodo de ditadura mesmo \u00e9 o da vig\u00eancia do AI5. Quando se restabelece as imunidades parlamentares a partir de 1969, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar em ditadura, isso \u00e9 um paradoxo conceitual. Se o parlamentar n\u00e3o pode ser cassado, tem seus direitos resguardados, n\u00e3o se pode chamar de ditadura. H\u00e1 problemas conceituais: a express\u00e3o do debate pol\u00edtico acabou invadindo um espa\u00e7o da reflex\u00e3o sobre o per\u00edodo do regime militar. \u00c9 um equ\u00edvoco que acabou sendo repetido. E como somos um Brasil que tem uma intelectualidade um pouco pregui\u00e7osa e pouco afeita aos debates e com enorme temor de remar contra a corrente, ent\u00e3o fica mais f\u00e1cil ficar repetindo. N\u00e3o temos tradi\u00e7\u00e3o de uma reflex\u00e3o cr\u00edtica, independente, pol\u00eamica. Essa vis\u00e3o, n\u00f3s tivemos at\u00e9 anos 1970 no s\u00e9culo 20. Essa quest\u00e3o da pol\u00eamica, que era uma pr\u00e1tica do Brasil na esfera p\u00fablica desde o final do Imp\u00e9rio at\u00e9 os anos 1960, isso acabou. Infelizmente , n\u00e3o temos pol\u00eamica no Brasil. Se voc\u00ea acompanhar os \u00faltimos 10, 20 anos, acho que sobra dedo na m\u00e3o para contar as pol\u00eamicas pol\u00edticas, hist\u00f3ricas e sociol\u00f3gicas que n\u00f3s tivemos.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>A que voc\u00ea atribui essas leituras equivocadas?<\/strong><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Acho que tem a ver com o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o entre 1979 e 1980, em que come\u00e7ou a se fazer uma leitura no calor da hora do que tinha ocorrido ainda no governo Figueiredo, o crescimento econ\u00f4mico, que \u00e9 uma das raz\u00f5es do fim do regime. O regime suprimia as liberdades, mas em troca dava o crescimento econ\u00f4mico, e fez isso durante uma d\u00e9cada. Por\u00e9m, no regime Figueiredo, a economia teve uma crise mundial e perdeu um pouco da legitimidade. Acho que, em parte, foi a hegemonia de uma leitura daqueles que tentaram enfrentar o regime fora do campo da pol\u00edtica atrav\u00e9s da guerra, o pessoal da luta amarada. Eles tiveram a hegemonia dessa leitura do passado, de transformar todo o per\u00edodo num per\u00edodo de regime ditatorial. E tamb\u00e9m porque o regime militar brasileiro n\u00e3o conseguiu construir seus intelectuais org\u00e2nicos, n\u00e3o conseguiu construir ou ter intelectuais que legitimassem o seus supostos \u00eaxitos, diferente do Estado Novo, que teve os intelectuais no aparelho de Estado, quase todos, inclusive de esquerda, que colaboraram com o Estado Novo. O regime militar n\u00e3o conseguiu fazer a coopta\u00e7\u00e3o dos intelectuais de forma eficaz como fez o Estado novo porque era um momento hist\u00f3rico, o momento da guerra fria, e isso acabou criando dificuldades para a coopta\u00e7\u00e3o dos intelectuais.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span><strong>Se escreve pouco sobre a ditadura e o regime militar no Brasil? Ou se escreve muito, mas a mesma coisa?<\/strong><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Se escreve sempre a mesma coisa. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que se escreve pouco porque, em certos momentos , quando retornaram os exilados e banidos, houve uma literatura enorme que foi publicada sobre o tema. Mas depois disso, acabou caindo no esquecimento, veio a Nova Rep\u00fablica, que fracassou, e tudo acabou caindo no relativo esquecimento. Ficou essa leitura dos anos de chumbo, como se anos de chumbo fosse de abril de 1964 at\u00e9 mar\u00e7o de 1985. Mostro, reiterada vezes, que n\u00e3o foi isso. Isso n\u00e3o significa em momento algum diminuir a gravidade do que houve em rela\u00e7\u00e3o aos direitos humanos no per\u00edodo. Ao contr\u00e1rio, isso \u00e9 sempre destacado, mas tento enfrentar tamb\u00e9m uma outra quest\u00e3o de fal\u00e1cias que foram sendo constru\u00eddas sobre esses 20 anos e uma delas, sei que \u00e9 um terreno minado, \u00e9 a quest\u00e3o da luta armada. A luta armada, em nenhum momento colaborou com a luta pela democracia porque todos os grupos de luta armada defendiam a ditadura do proletariado, ou de vi\u00e9s chin\u00eas ou de vi\u00e9s alban\u00eas ou de vi\u00e9s socialista. Ningu\u00e9m fala em democracia em nenhum momento,. Alguns trechos do manual da luta armada do Marighella s\u00e3o uma barb\u00e1rie. Quebro um pouco essa ideia de que existe um suposto socialismo humanista na luta armada. Pelo contr\u00e1rio. No enfrentamento, se abandona a pol\u00edtica e se vai para a guerra. E isso n\u00e3o tem nada a ver com a luta pela democracia. Quem lutou pela democracia? Muita gente. Mas a luta armada foi o caminho para a ditadura do proletariado. Sair\u00edamos da ditadura militar para a ditadura do proletariado. A mem\u00f3ria vitoriosa \u00e9 que a luta armada levou \u00e0 democracia. Ela n\u00e3o levou.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span> <span class=\"s1\"><br \/> <\/span><strong>Trecho de Ditadura \u00e0 brasileira, de Marco Villa<\/strong><span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Veio 1964. E de novo foram constru\u00eddas interpreta\u00e7\u00f5es para uso pol\u00edtico, mas distantes da hist\u00f3ria. A associa\u00e7\u00e3o do regime militar brasileiro com as ditaduras do Cone Sul (Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai) foi a principal delas. Nada mais falso. O autoritarismo aqui faz parte de uma tradi\u00e7\u00e3o antidemocr\u00e1tica solidamente enraizada e que nasceu com o Positivismo, no final do Imp\u00e9rio. O desprezo pela democracia foi um espectro que rondou o nosso pa\u00eds durante cem anos de Rep\u00fablica. Tanto os setores conservadores como os chamados progressistas transformaram a democracia em um obst\u00e1culo \u00e0 solu\u00e7\u00e3o dos graves problemas nacionais, especialmente nos momentos de crise pol\u00edtica. Como se a ampla discuss\u00e3o dos problemas fosse um entrave \u00e0 a\u00e7\u00e3o.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O regime militar brasileiro n\u00e3o foi uma ditadura de 21 anos. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel chamar de ditadura o per\u00edodo 1964-1968 (at\u00e9 o AI-5), com toda a movimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-cultural que havia no pa\u00eds. Muito menos os anos 1979-1985, com a aprova\u00e7\u00e3o da Lei de Anistia e as elei\u00e7\u00f5es diretas para os governos estaduais em 1982. Que ditadura no mundo foi assim?<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Nos \u00faltimos anos se consolidou a vers\u00e3o de que os militantes da luta armada combateram a ditadura em defesa da liberdade. E que os militares teriam voltado para os quart\u00e9is gra\u00e7as \u00e0s suas heroicas a\u00e7\u00f5es. Em um pa\u00eds sem mem\u00f3ria, \u00e9 muito f\u00e1cil reescrever a hist\u00f3ria. A luta armada n\u00e3o passou de a\u00e7\u00f5es isoladas de assaltos a bancos, sequestros, ataques a instala\u00e7\u00f5es militares e s\u00f3. Apoio popular? Nenhum.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>Argumenta-se que n\u00e3o havia outro meio de resistir \u00e0 ditadura a n\u00e3o ser pela for\u00e7a. Mais um grave equ\u00edvoco: muitos desses grupos existiam antes de 1964 e outros foram criados pouco depois, quando\u00a0ainda havia espa\u00e7o democr\u00e1tico (basta ver a ampla atividade cultural de 1964-1968). Ou seja, a op\u00e7\u00e3o pela luta armada, o desprezo pela luta pol\u00edtica e pela participa\u00e7\u00e3o no sistema pol\u00edtico, e a simpatia pelo foquismo guevarista antecederam o AI-5 (dezembro de 1968), quando, de fato, houve o fechamento do regime.<span class=\"s1\"><\/p>\n<p> <\/span>O terrorismo desses pequenos grupos deu muni\u00e7\u00e3o (sem trocadilho) para o terrorismo de Estado, e acabou sendo usado pela extrema direita como pretexto para justificar o injustific\u00e1vel: a barb\u00e1rie repressiva.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Divirta-se<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira alguns dos t\u00edtulos mais interessantes a serem lan\u00e7ados at\u00e9 o final do m\u00eas Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco acena diante do parlat\u00f3rio do Pal\u00e1cio do Planalto: marco de uma hist\u00f3ria triste<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6996,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6997"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6997"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6997\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6996"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}