{"id":7080,"date":"2014-03-30T12:52:34","date_gmt":"2014-03-30T12:52:34","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/03\/30\/polemica-anistia-impede-cicatrizacao-das-feridas-da-ditadura\/"},"modified":"2014-03-30T12:52:34","modified_gmt":"2014-03-30T12:52:34","slug":"polemica-anistia-impede-cicatrizacao-das-feridas-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/03\/30\/polemica-anistia-impede-cicatrizacao-das-feridas-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Pol\u00eamica anistia impede cicatriza\u00e7\u00e3o das feridas da ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Passados 50 anos desde o golpe militar no Brasil, entidades de direitos humanos clamam pelo fim da &#8220;impunidade&#8221; que a pol\u00eamica anistia de 1979 instaurou no pa\u00eds durante e depois da ditadura (1964-1985).<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7079\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/012.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Aprovada h\u00e1 35 anos por um Congresso que servia como &#8220;fachada democr\u00e1tica&#8221; ao regime militar, a anistia impede o julgamento de acusados de crimes como tortura, sequestro e assassinato cometidos durante a ditadura e \u00e9 hoje duramente criticada por movimentos sociais que exigem castigo para os crimes contra a humanidade.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;O Brasil \u00e9 o pa\u00eds da impunidade&#8221;, afirmou \u00e0 Ag\u00eancia Efe o advogado Jair Krischke, presidente do Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos (MJDH) do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ativista na luta contra a ditadura, Krischke ressaltou a &#8220;falta de interesse&#8221; pol\u00edtico para revogar a norma e questionou a decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal de n\u00e3o revisar a lei, aprovada por um Congresso servil ao regime e no qual um ter\u00e7o dos membros foi designado a dedo pelos militares.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nossa Suprema Corte tomou uma decis\u00e3o de maneira contr\u00e1ria ao que o mundo entendia. Temos que mudar a lei no Congresso para que o STF entenda que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver na impunidade&#8221;, ressaltou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 2010, diversos movimentos sociais exigiram a anula\u00e7\u00e3o da anistia, mas o Supremo referendou a lei por sete votos a favor e dois contra.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Meses depois da decis\u00e3o, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH) emitiu uma senten\u00e7a na qual pedia ao Estado brasileiro que punisse os respons\u00e1veis por viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos durante a ditadura.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Embora a CorteIDH tenha se referido concretamente \u00e0 Guerrilha do Araguaia, diversas organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias consideram que a senten\u00e7a desse \u00f3rg\u00e3o interamericano \u00e9 &#8220;extens\u00edvel&#8221; a todos os crimes cometidos durante o per\u00edodo ditatorial.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O deputado Adriano Diogo (PT), presidente da Comiss\u00e3o da Verdade do estado de S\u00e3o Paulo, que investiga os crimes durante a ditadura, qualificou como &#8220;terr\u00edveis&#8221; as consequ\u00eancias da anistia, sancionada em 28 de agosto de 1979 pelo general Jo\u00e3o Baptista Figueiredo, o \u00faltimo dos governantes militares.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Por culpa da Lei de Anistia, n\u00e3o sa\u00edmos do cap\u00edtulo da mem\u00f3ria e n\u00e3o ingressamos nem no cap\u00edtulo da verdade, nem no da justi\u00e7a&#8221;, declarou Diogo em entrevista \u00e0 Efe.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma que o deputado, a presidente do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, Cecilia Coimbra, considerou que a norma de 1979 \u00e9 uma lei de &#8220;autoanistia&#8221; criada para beneficiar os militares que cometeram &#8220;atrocidades&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A lei &#8220;foi feita para os opositores da ditadura, mas os juristas inclu\u00edram uma nova interpreta\u00e7\u00e3o. Inclu\u00edram os agentes do Estado que torturaram e tomaram pessoas ilegalmente&#8221;, comentou a ativista, que foi sequestrada e torturada em 1970 junto com seus irm\u00e3os e seu marido.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Diogo, mais de 400 pessoas morreram em &#8220;confrontos diretos&#8221; durante a ditadura, e 90 mil foram presas e torturadas durante os 21 anos nos quais os militares governaram o Brasil.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, n\u00e3o existem dados realmente oficiais, embora haja movimentos de direitos humanos que cifrem o total de mortos em mais de mil e o de desaparecidos em cerca de 400, n\u00fameros que a Comiss\u00e3o da Verdade tenta esclarecer.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 necess\u00e1rio fazer uma revis\u00e3o da Lei de Anistia. Quando for revogada, todos os crimes ser\u00e3o esclarecidos, todos os arquivos ser\u00e3o abertos, a verdade ser\u00e1 contada e a justi\u00e7a ser\u00e1 feita. Caso contr\u00e1rio, n\u00e3o se saber\u00e1 dos crimes do passado, muito menos dos crimes do presente&#8221;, concluiu Diogo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Agencia EFE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados 50 anos desde o golpe militar no Brasil, entidades de direitos humanos clamam pelo fim da &#8220;impunidade&#8221; que a pol\u00eamica anistia de 1979 instaurou no pa\u00eds durante e depois da ditadura (1964-1985).<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7079,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7080"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7080"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7080\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7079"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}