{"id":7084,"date":"2014-03-31T13:16:51","date_gmt":"2014-03-31T13:16:51","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/03\/31\/morte-e-sumico-de-rubens-paiva\/"},"modified":"2014-03-31T13:16:51","modified_gmt":"2014-03-31T13:16:51","slug":"morte-e-sumico-de-rubens-paiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/03\/31\/morte-e-sumico-de-rubens-paiva\/","title":{"rendered":"Morte e sumi\u00e7o de Rubens Paiva"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Esclarecimento o assassinato e a destina\u00e7\u00e3o do corpo<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7083\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Rubens-paiva-morte-ditadura1.jpeg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Caminha finalmente para o esclarecimento o assassinato e a destina\u00e7\u00e3o do corpo do ex-deputado federal Rubens Paiva, um epis\u00f3dio emblem\u00e1tico da ditadura militar institu\u00edda h\u00e1 50 anos com o golpe de 1o de abril \u2013 sim, no dia da mentira e n\u00e3o na v\u00e9spera.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Por obra e gra\u00e7a da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, agora se tem conhecimento do que sucedeu a partir da pris\u00e3o do ex-deputado, no dia 20 de janeiro de 1971, quando nunca mais foi visto, vivo ou morto. A verdade aflora ap\u00f3s 43 anos.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Flagrado por agentes da Aeron\u00e1utica ao receber correspond\u00eancia de exilados pol\u00edticos brasileiros no Chile, Rubens Paiva foi levado de sua casa no Leblon para a carceragem do CISA (Centro de Informa\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a da Aeron\u00e1utica), que funcionava na 3a Zona A\u00e9rea, no Aeroporto Santos Dumont. Ali mesmo come\u00e7ou a ser torturado, segundo relatos obtidos.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Armados de metralhadoras, os militares n\u00e3o apresentaram mandado de pris\u00e3o, mas permitiram que ele trocasse de roupa e sa\u00edsse guiando o pr\u00f3prio carro, um Fusca. A Mulher, Eunice, e a filha mais velha, Eliana, de 15 anos, tamb\u00e9m foram sequestradas. A adolescente foi libertada no dia seguinte. Eunice ficou 15 dias presa, incomunic\u00e1vel e sem nenhum contato com o marido.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte, 21 de setembro de 1971, o ex-deputado foi transferido para o Departamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es (DOI) do 1\u00ba Ex\u00e9rcito, na Rua Bar\u00e3o de Mesquita, Tijuca, Zona Norte, onde n\u00e3o resistiu a novas e mais violentas sev\u00edcias.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Aquele a quem cabia atestar se os presos ainda suportavam tortura, o j\u00e1 falecido tenente-m\u00e9dico psiquiatra Amilcar Lobo, disse em depoimento que o viu &#8220;moribundo, uma equimose s\u00f3 e roxo da raiz dos cabelos \u00e0s pontas dos p\u00e9s&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O ent\u00e3o capit\u00e3o e hoje major Rubens Paim Sampaio, do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE), foi o chefe da equipe respons\u00e1vel pela recep\u00e7\u00e3o e interrogat\u00f3rio de Rubens Paiva no DOI, segundo o tamb\u00e9m falecido coronel Ronald Jos\u00e9 Motta Baptista de Le\u00e3o, ex-chefe do Pelot\u00e3o de Investiga\u00e7\u00f5es Criminais (PIC) e respons\u00e1vel pela carceragem.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Le\u00e3o afirmou \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade em abril do ano passado que o viu pendurado num pau de arara e que chegou a dar um tapinha no traseiro do preso, despretensiosamente dizendo &#8220;que bunda gorda, deputado&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m deles, tamb\u00e9m participou da tortura e morte do ex-deputado o ent\u00e3o tenente Ant\u00f4nio Fernando Hughes de Carvalho, e teriam participado o capit\u00e3o de Cavalaria Jo\u00e3o C\u00e2mara Gomes Carneiro, o subtenente Ariedisse Barbosa Torres, o major PM-RJ Riscala Corbage e o segundo-sargento Eduardo Ribeiro Nunes.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O hoje general Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Nogueira Belham comandava o DOI-I.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A vers\u00e3o da ditadura sobre a morte de Paiva que perdurou por mais de quatro d\u00e9cadas \u00e9 que ele teria sido resgatado por seus companheiros quando mostrava \u00e0 pol\u00edcia um endere\u00e7o onde poderia estar vivendo um \u201cterrorista\u201d que trazia correspond\u00eancia de exilados chilenos. Os militares sempre sustentaram que, na madrugada de 22 de janeiro de 1971, um capit\u00e3o (hoje general reformado Raymundo Ronaldo Campos) e dois sargentos conduziam o ex-deputado em um Fusca para reconhecer a &#8220;casa suspeita&#8221;.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No Alto da Boa Vista, continua o teatrinho, o ve\u00edculo do Ex\u00e9rcito foi fechado por outros dois carros e cerca de oito supostos guerrilheiros atacaram e incendiaram o Fusca.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No entanto, o depoimento de Raymundo de Campos desmonta a hist\u00f3ria oficial. O general reformado assegurou diante dos integrantes da Comiss\u00e3o da Verdade do Rio de Janeiro que a vers\u00e3o n\u00e3o passou de uma encena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">E a \u00faltima farsa desse teatro dantesco foi enfim descortinada nos \u00faltimos dias, quando o coronel reformado Paulo Malh\u00e3es, 76 anos, revelou a verdade sobre a oculta\u00e7\u00e3o dos restos mortais de Rubens Paiva, dois anos depois do assassinato no calabou\u00e7o do DOI-I.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Intimado pela Pol\u00edcia Federal, na ter\u00e7a-feira ele prestou depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade sobre a oculta\u00e7\u00e3o de restos mortais de v\u00edtimas da ditadura. O oficial dessa vez n\u00e3o confirmou ter dado solu\u00e7\u00e3o final \u00e0s ossadas do ex-deputado. Mas a fala anterior dele foi t\u00e3o convincente que n\u00e3o tem como n\u00e3o acreditar que de fato foi ele o encarregado de solucionar a &#8220;cagada&#8221; feita pelos seus colegas, sendo obrigado a desenterrar os restos mortais e sumir com eles, o que aconteceu no mar.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>Malh\u00e3es n\u00e3o negou que era um dos carrascos da Casa da Morte de Petr\u00f3polis, onde advers\u00e1rios do regime eram torturados, mortos e tinham os corpos mutilados e jogados num rio. As barrigas eram cortadas, os corpos eram colocados em sacos com pedras, para que n\u00e3o flutuassem.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade do Rio, ele descreveu a &#8220;t\u00e9cnica&#8221; para ocultar cad\u00e1veres como &#8220;um estudo de anatomia&#8221;. Como jogar na \u00e1gua e n\u00e3o flutuar? Dedos das m\u00e3os e arcadas dent\u00e1rias eram arrancados para evitar identifica\u00e7\u00e3o.<span class=\"s1\"><br \/> <\/span>\u201cDe qualquer maneira voc\u00ea tem que abrir a barriga, quer queira, quer n\u00e3o. \u00c9 o primeiro princ\u00edpio. Depois, o resto \u00e9 mais f\u00e1cil. Vai inteiro. Eu gosto de decapitar, mas \u00e9 bandido aqui\u201d, disse, referindo-se \u00e0 Baixada Fluminense, onde mora.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O coordenador da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, Pedro Dallari, disse que o depoimento confirma que o desaparecimento de presos foi uma pol\u00edtica de Estado na ditadura militar. \u201cN\u00e3o tenho d\u00favida de que esses atos aconteciam com o conhecimento e o aval da c\u00fapula do regime. Esses homens agiam com respaldo institucional\u201d, afirmou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. O depoimento do coronel \u00e9 uma mostra do n\u00edvel de perversidade a que chegaram militares e outros agentes da repress\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 ao torturar, mas ao desaparecer com os corpos. Para a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Ros\u00e1rio, \u201co depoimento do coronel mostrou que a ditadura valeu-se de psicopatas\u201d.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00c0 Comiss\u00e3o da Verdade do Rio, e com um orgulho contido, Malh\u00e3es detalhou como desaparecia com os corpos das v\u00edtimas da Casa da Morte, centro de tortura de onde saiu apenas uma sobrevivente, In\u00eas Etienne Romeu, integrante da organiza\u00e7\u00e3o VAR-Palmares, a mesma na qual atuou a presidenta Dilma Rousseff.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A princ\u00edpio, o procedimento instaurado em 2012 pelo MPF caminha para denunciar quatro militares: os oficiais reformados Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Nogueira Belham e Raymundo de Campos, al\u00e9m dos irm\u00e3os e ex-sargentos Jacy e Jurandyr Ochsendorf, que participaram da farsa para forjar a fuga do ex-deputado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Rubens Beirodt Paiva tinha ent\u00e3o 41 anos, era industrial, engenheiro civil formado em 1954 na Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, S\u00e3o Paulo, seu Estado natal (nasceu em Santos, no ano de 1929). Foi vice-presidente da Uni\u00e3o Estadual dos Estudantes. Foi engenheiro construtor de Bras\u00edlia, deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro, cassado e exilado em 1964.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na C\u00e2mara, destacou-se pela defesa de bandeiras nacionalistas. Quando sobreveio o golpe militar de 1964, ele era vice-presidente da Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito que apurava o recebimento de d\u00f3lares pelo Instituto Brasileiro de A\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica (IBAD), fachada utilizada pela CIA para financiar a desestabiliza\u00e7\u00e3o do governo Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Retornando do ex\u00edlio, Rubens Paiva passou a atuar na resist\u00eancia \u00e0 ditadura, escondendo militantes perseguidos, ajudando-os a sair para o exterior e enviando den\u00fancias de tortura para organismos internacionais de defesa dos direitos humanos. Tinha cinco filhos, dentre eles o escritor Marcelo Rubens Paiva.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Os detalhes da sua morte e desaparecimento confirmam que os militares praticavam crimes em nome do Estado. E eram s\u00e1dicos. A eles interessava mais do que arrancar confiss\u00f5es. Eles sentiam prazer em arrancar unhas, dedos, arcadas dent\u00e1rias, em submeter os advers\u00e1rios (ou meros discordantes) \u00e0 dor da sev\u00edcia e da humilha\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Infonet<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esclarecimento o assassinato e a destina\u00e7\u00e3o do corpo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7083,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7084"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7084"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7084\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7083"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7084"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7084"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7084"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}