{"id":7087,"date":"2014-03-31T15:10:15","date_gmt":"2014-03-31T15:10:15","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/03\/31\/golpe-militar-de-1964-usa-selecao-brasileira-como-propaganda-politica\/"},"modified":"2014-03-31T15:10:15","modified_gmt":"2014-03-31T15:10:15","slug":"golpe-militar-de-1964-usa-selecao-brasileira-como-propaganda-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/03\/31\/golpe-militar-de-1964-usa-selecao-brasileira-como-propaganda-politica\/","title":{"rendered":"Golpe Militar de 1964 usa Sele\u00e7\u00e3o Brasileira como propaganda pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">No cinquenten\u00e1rio do Golpe Militar de 1964, o Correio mostra como o regime do presidente M\u00e9dici se apoderou do time tricampe\u00e3o do mundo. Mais conscientes, alguns atletas daquele supertime lamentam a omiss\u00e3o \u00e0 \u00e9poca<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/fbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net\/hphotos-ak-frc3\/t1.0-9\/1383742_493050264132919_1029903456_n.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>Na carreata pela W3 Sul ap\u00f3s o t\u00edtulo de 1970, Pel\u00e9 subiu em um jipe do Ex\u00e9rcito e, cercado por militares, foi ovacionado pelos brasilienses   <!--more-->  <\/address>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o exatos 50 anos e o futebol brasileiro ainda tenta se acertar com alguns fantasmas deixados pelo obscuro per\u00edodo do golpe militar na hist\u00f3ria do pa\u00eds. O fato de o esporte nacional ter sido usado como propaganda pol\u00edtica do regime ainda lan\u00e7a uma mancha de tristeza sobre aquela que \u00e9 considerada, de forma quase un\u00e2nime, a maior equipe da hist\u00f3ria: a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de 1970. Uma marca nem sempre vis\u00edvel, que muitas vezes tende a ser minimizada, mas imposs\u00edvel de ser ignorada quando o tema volta a ser analisado de perto.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">A maioria dos tricampe\u00f5es no M\u00e9xico n\u00e3o gosta de \u2014 ou n\u00e3o topa \u2014 falar sobre tema. A resposta de que a equipe pensava apenas em futebol, e n\u00e3o em pol\u00edtica, ainda \u00e9 quase padr\u00e3o. Foi dada dezenas de vezes ao longo dos \u00faltimos 44 anos. Mas h\u00e1 aqueles que t\u00eam a capacidade de desenvolver uma avalia\u00e7\u00e3o daquele per\u00edodo. \u201cInfelizmente, faltava consci\u00eancia pol\u00edtica \u00e0 Sele\u00e7\u00e3o. Se soub\u00e9ssemos que nossa conquista estaria ajudando de alguma forma o governo, poder\u00edamos ter feito algo diferente\u201d, diz, ao Correio, com certa dose de arrependimento, o zagueiro titular Wilson Piazza, hoje com 71 anos.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Atualmente, Piazza preside a Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es de Atletas Profissionais (FAAP). O tricampe\u00e3o acredita que os jogadores tiveram a oportunidade de aproveitar a enorme exposi\u00e7\u00e3o causada pelo t\u00edtulo para falar da situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. \u201cMas n\u00e3o passou pela nossa cabe\u00e7a. S\u00f3 quer\u00edamos jogar bola. Se era ditadura, democracia, pouco importava\u201d, reconhece o \u00eddolo do Cruzeiro. Ele lembra que, na demiss\u00e3o do t\u00e9cnico comunista Jo\u00e3o Saldanha, um ato claramente pol\u00edtico \u00e0s v\u00e9speras do Mundial, todos os jogadores se calaram. \u201cSab\u00edamos que a raz\u00e3o da mudan\u00e7a (de treinador) era o posicionamento dele (Saldanha). Mesmo assim, poder\u00edamos ter demonstrado algum apoio\u201d, opina Piazza.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/fbcdn-sphotos-b-a.akamaihd.net\/hphotos-ak-ash4\/t1.0-9\/10014921_493050267466252_901966202_n.jpg\" border=\"0\" width=\"208\" height=\"370\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici com a Sele\u00e7\u00e3o de 1970 no Planalto e, ao lado, em um momento \u00edntimo com Pel\u00e9: apropria\u00e7\u00e3o do sucesso do futebol<\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Para Emerson Le\u00e3o, goleiro reserva no Mundial do M\u00e9xico, os jogadores tinham, sim, a percep\u00e7\u00e3o do uso da conquista como propaganda pelo militares, principalmente na recep\u00e7\u00e3o preparada pelo presidente general Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici em Bras\u00edlia. \u201c\u00c9 l\u00f3gico que a gente percebia, mas, ao mesmo tempo, aquela festa n\u00e3o era uma mentira. Merec\u00edamos. T\u00ednhamos conquistado o tricampeonato\u201d, recorda o treinador, hoje com 64 anos, que tinha apenas 21 em 1970.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Propaganda<\/strong><\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">O gremista M\u00e9dici foi o presidente dos anos de maior repress\u00e3o (1969 a 1974) e, ao mesmo tempo, um dos mais populares do governo militar brasileiro. Embalado pelo chamado milagre econ\u00f4mico do in\u00edcio dos anos 1970, ningu\u00e9m utilizou a Assessoria Especial de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas (AERP) melhor do que ele. O \u00f3rg\u00e3o, subordinado ao Gabinete Militar, era respons\u00e1vel pela estrat\u00e9gia de propaganda do governo.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Criada em 1968 \u2014 mesmo ano do AI-5, decreto que suspendeu tantas garantias constitucionais \u2014, a AERP n\u00e3o demorou a perceber que o futebol seria uma mina de popularidade para os militares. J\u00e1 em 1969, o regime buscou navegar na onda das celebra\u00e7\u00f5es pelo mil\u00e9simo gol de Pel\u00e9, quando M\u00e9dici o recebeu no Planalto para conceder a medalha de m\u00e9rito nacional e o t\u00edtulo de comendador.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">A imagem do presidente general como homem do povo foi cuidadosamente cultivada. Para refor\u00e7\u00e1-la, nada melhor que suas frequentes idas ao Maracan\u00e3, onde acompanhava as partidas, como qualquer torcedor, munido de um radinho de pilha. A conquista da Copa de 1970, embalada pelo jingle Pra frente Brasil, e a recep\u00e7\u00e3o dos \u201cher\u00f3is do tri\u201d na capital foram o auge da apropria\u00e7\u00e3o do sucesso do futebol brasileiro pelos militares.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Simpatia<\/strong><\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Diante de uma multid\u00e3o na Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes, M\u00e9dici recebeu a Ta\u00e7a Jules Rimet das m\u00e3os do capit\u00e3o, Carlos Alberto Torres, e a ergueu. A festa preparada e a imagem de homem apaixonado por futebol conquistaram boa parte da comiss\u00e3o t\u00e9cnica. O treinador Mario Jorge Lobo Zagallo atesta a simpatia com que o general congratulou a Sele\u00e7\u00e3o. \u201cEu e minha esposa passamos 40 minutos sozinhos com ele, batendo papo. S\u00f3 falamos de futebol. Ele foi fora de s\u00e9rie conosco\u201d, relembra o quatro vezes campe\u00e3o mundial, de 82 anos, em entrevista ao Correio.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Zagallo diz que o grupo de 1970 n\u00e3o discutia a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds naquele momento. \u201cN\u00e3o mistur\u00e1vamos as coisas. Nosso futebol era sem pol\u00edtica\u201d, afirma o treinador.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Jairzinho, o Furac\u00e3o da Copa, autor de gol em todas as partidas daquele Mundial, afirma que o uso da conquista pelos militares n\u00e3o incomodava porque \u201ca gente s\u00f3 pensava em futebol\u201d. \u201cN\u00e3o se pode querer diminuir o nosso feito por causa da situa\u00e7\u00e3o da \u00e9poca. A ditadura n\u00e3o teve influ\u00eancia nenhuma. A ditadura n\u00e3o jogava bola\u201d, diz o ex-atacante, 69 anos, que se irrita sobre o tema.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Correio Braziliense<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No cinquenten\u00e1rio do Golpe Militar de 1964, o Correio mostra como o regime do presidente M\u00e9dici se apoderou do time tricampe\u00e3o do mundo. 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