{"id":7089,"date":"2014-03-31T16:52:42","date_gmt":"2014-03-31T16:52:42","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/03\/31\/a-marcha-rumo-ao-golpe\/"},"modified":"2014-03-31T16:52:42","modified_gmt":"2014-03-31T16:52:42","slug":"a-marcha-rumo-ao-golpe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/03\/31\/a-marcha-rumo-ao-golpe\/","title":{"rendered":"A marcha rumo ao golpe"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Como foi a opera\u00e7\u00e3o militar que partiu de Minas para implantar a ditadura no pa\u00eds  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7088\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/20140330084026351160o.jpg\" border=\"0\" width=\"620\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/20140330084026351160o.jpg 620w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/20140330084026351160o-300x140.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Dias depois do golpe, Ol\u00edmpio Mour\u00e3o Filho passa em revista a tropa<\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">No final da madrugada de 31 de mar\u00e7o de 1964, o general Ol\u00edmpio Mour\u00e3o Filho, comandante da 4\u00aa Regi\u00e3o Militar, em Juiz de Fora, transformou em a\u00e7\u00e3o as insatisfa\u00e7\u00f5es que cresciam nos quart\u00e9is com o ent\u00e3o presidente Jo\u00e3o Goulart. Apoiado por pol\u00edticos e empres\u00e1rios influentes de Minas Gerais, que criticavam, principalmente, supostas liga\u00e7\u00f5es do presidente com regimes comunistas, Mour\u00e3o Filho mandou \u00e0s ruas, em dire\u00e7\u00e3o ao estado da Guanabara, 6 mil homens com a miss\u00e3o de destituir Jango do poder. &#8220;Se n\u00f3s n\u00e3o a tiv\u00e9ssemos feito, ela n\u00e3o teria sido jamais come\u00e7ada&#8221;, avaliou o general mineiro em seu livro de mem\u00f3rias 14 anos depois. Nesta reportagem da s\u00e9rie sobre os 50 anos do golpe, o Estado de Minas mostra como foi a opera\u00e7\u00e3o que partiu do estado para dar in\u00edcio ao regime militar e \u00e0 ditadura que assombrou o pa\u00eds por 21 anos.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas dias antes de os militares mineiros partirem em dire\u00e7\u00e3o ao Rio, em 28 de mar\u00e7o, os generais Mour\u00e3o Filho e Od\u00edlio Denys, ex-ministro da Guerra, se reuniram com o governador de Minas, Jos\u00e9 de Magalh\u00e3es Pinto, em Juiz de Fora, para discutir a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas que poderiam levar \u00e0 derrubada do presidente Jo\u00e3o Goulart. Inicialmente, o grupo planejou que as tropas se movimentariam a partir de 4 de abril, mas Mour\u00e3o Filho n\u00e3o esperaria at\u00e9 l\u00e1 para agir.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Na v\u00e9spera do golpe militar houve nova reuni\u00e3o organizada por Magalh\u00e3es Pinto com o general Carlos Luiz Guedes, da 4\u00aa Regi\u00e3o Militar de Belo Horizonte, e Jos\u00e9 Geraldo de Oliveira, comandante da Pol\u00edcia Militar de Minas. No encontro, desta vez na capital mineira, ficou decidido que seriam mobilizados os batalh\u00f5es da PM, da Pol\u00edcia Civil e da Guarda Civil para o movimento contr\u00e1rio ao governo federal. Foi anunciado um manifesto defendendo uma a\u00e7\u00e3o para retirar Jango do poder. No entanto, as articula\u00e7\u00f5es entre BH e Juiz de Fora n\u00e3o sa\u00edram como o planejado e, no dia 31, Mour\u00e3o Filho anunciou seu pr\u00f3prio manifesto e ordenou o in\u00edcio da marcha.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Faz mais de dois anos que os inimigos da ordem e da democracia, escudados na impunidade que lhes assegura o Sr. Chefe do Poder Executivo, v\u00eam desrespeitando as institui\u00e7\u00f5es, enxovalhando as For\u00e7as Armadas. Na certeza de que ele est\u00e1 a executar uma das etapas do aniquilamento das liberdades c\u00edvicas, as For\u00e7as Armadas n\u00e3o podem se silenciar diante de tal crime. Minhas tropas, numa hora dessas, marcham para o estado da Guanabara em busca de vit\u00f3ria&#8221;, disse Mour\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Poucas horas depois, a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica divulgou nota lamentando a decis\u00e3o do general mineiro e do governador Magalh\u00e3es Pinto e prometeu uma resposta \u00e0s movimenta\u00e7\u00f5es de tropas no estado. &#8220;Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, o presidente recomendou ao ministro da Guerra, general Jair Dantas Ribeiro, que fossem tomadas imediatamente provid\u00eancias para debelar a rebeli\u00e3o, tendo sido deslocados para Minas unidades do 1\u00ba Ex\u00e9rcito. Lamentamos que uma aventura golpista tenha sido lan\u00e7ada em Minas, terra das melhores tradi\u00e7\u00f5es c\u00edvicas do povo brasileiro.&#8221;<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">A marcha Entre os cerca de 6 mil homens que deixaram Minas Gerais a partir da manh\u00e3 do dia 31 de mar\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o ao estado da Guanabara estava Manoel Soriano Neto. Com 22 anos e rec\u00e9m-sa\u00eddo da Academia Militar, ele seguiu junto com 350 militares do 12\u00ba Regimento de Infantaria para Juiz de Fora pouco depois do meio-dia para refor\u00e7ar o Destacamento Tiradentes. A tropa de Mour\u00e3o Filho j\u00e1 marchava em dire\u00e7\u00e3o ao Rio de Janeiro pela BR-040, ent\u00e3o chamada de BR-3.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Havia a imin\u00eancia de um combate real naquele dia. Partimos esperando um confronto com outras tropas do Ex\u00e9rcito, j\u00e1 que o Minist\u00e9rio da Guerra tinha determinado que o 1\u00ba Ex\u00e9rcito, a divis\u00e3o do Rio de Janeiro, impedisse a passagem de nossa tropa&#8221;, lembra Soriano, que se especializou em hist\u00f3ria militar.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">A tropa que partiu da capital se apresentou ao general Mour\u00e3o Filho no in\u00edcio da noite e seguiu o caminho para o Rio de Janeiro. Aos poucos, as cidades pr\u00f3ximas \u00e0 fronteira entre Minas e Rio foram sendo ocupadas pelos soldados mineiros, mas em nenhum dos casos houve resist\u00eancia ou confronto com moradores. Ao ultrapassar o munic\u00edpio fluminense de Areal, as tropas do 1\u00ba Ex\u00e9rcito e os mineiros se encontraram.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Foi um momento de apreens\u00e3o terr\u00edvel. Mas a ordem de nos impedir n\u00e3o foi cumprida. Caso contr\u00e1rio, acredito que ser\u00edamos aniquilados. Est\u00e1vamos com o moral em alta, por\u00e9m, muito das nossas for\u00e7as estavam aqu\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao armamento do I Ex\u00e9rcito&#8221;, avalia Soriano. Ao contr\u00e1rio de um embate entre os dois grupos, os mineiros receberam o apoio do 1\u00ba Ex\u00e9rcito e a marcha at\u00e9 a capital fluminense foi refor\u00e7ada.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Durante o dia 1\u00ba os militares ocuparam v\u00e1rias cidades na Baixada Fluminense e o alto-comando do Ex\u00e9rcito acelerou as articula\u00e7\u00f5es para tomar o poder. Sem rea\u00e7\u00e3o do governo ou dos grupos que o apoiavam, Jo\u00e3o Goulart deixou o Rio de Janeiro em dire\u00e7\u00e3o a Bras\u00edlia, e em seguida para Porto Alegre, onde Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul, tentava organizar uma resist\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Em 2 de abril, as tropas mineiras marcharam pela Avenida Brasil, Regi\u00e3o Central do Rio. &#8220;Poucas pessoas sabiam exatamente o que estava acontecendo. N\u00e3o houve qualquer conflito com moradores ou com grupos de resist\u00eancia. Fomos recepcionados pelo governador Carlos Lacerda, que liberou o Maracan\u00e3 para usarmos como base e nos ofereceu suprimentos. Ficamos at\u00e9 o dia 6, como uma tropa de ocupa\u00e7\u00e3o, para consolidar a revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Soriano.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O movimento foi saudado por importantes setores da sociedade brasileira desde o in\u00edcio e recebeu a ades\u00e3o dos governadores do Rio, Carlos Lacerda, e de S\u00e3o Paulo, Adhemar de Barros. Como forma de impedir uma suposta amea\u00e7a de &#8220;esquerdiza\u00e7\u00e3o&#8221; do pa\u00eds, o golpe militar foi aplaudido por empres\u00e1rios, pela imprensa e pela Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Ainda no dia 1\u00ba, Ranieri Mazzilli, presidente da C\u00e2mara dos Deputados, assumiu em car\u00e1ter provis\u00f3rio o governo. No entanto, o poder de fato passou a ser exercido por uma junta de governo formada por tr\u00eas ministros militares \u2013 o general Arthur da Costa e Silva, o almirante Augusto Radamaker Grunewald e o brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo. No Nordeste, a movimenta\u00e7\u00e3o do 4\u00ba Ex\u00e9rcito impediu qualquer a\u00e7\u00e3o de grupos camponeses e, com a deposi\u00e7\u00e3o dos governadores Miguel Arraes, de Pernambuco, e Seixas D\u00f3ria, de Sergipe, o golpe se consolidou rapidamente.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Mea-Culpa D\u00e9cadas depois do golpe, alguns dos l\u00edderes mineiros que participaram da articula\u00e7\u00e3o inicial no estado avaliaram que a decis\u00e3o de derrubar o governo de Jo\u00e3o Goulart como solu\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds n\u00e3o saiu como o planejado. Em 1989, o ex-comandante da PM Coronel Jos\u00e9 Geraldo de Oliveira criticou os desdobramentos do regime militar e afirmou que a proposta de mudar o pa\u00eds foi apenas uma justificativa para que um grupo se firmasse no poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Foi um engano, um lament\u00e1vel equ\u00edvoco. Se eu soubesse que o movimento de 64 iria dar no que deu, n\u00e3o teria tomado parte dele. Durante dois anos preparei a Pol\u00edcia Militar de Minas para uma revolu\u00e7\u00e3o que vencesse a corrup\u00e7\u00e3o e a subvers\u00e3o. Hoje, 25 anos depois, sei que o que aconteceu foi um golpe. A corrup\u00e7\u00e3o tomou conta de Minas e do Brasil. Fomos meros servi\u00e7ais dos magnatas. A cada dia eles se tornaram mais ricos e o povo ficou cada vez mais pobre&#8221;, analisou Jos\u00e9 Geraldo na \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Estado de Minas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como foi a opera\u00e7\u00e3o militar que partiu de Minas para implantar a ditadura no pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7088,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7089"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7089"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7089\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7088"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7089"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7089"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7089"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}