{"id":7097,"date":"2014-03-31T17:16:40","date_gmt":"2014-03-31T17:16:40","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/03\/31\/comissao-da-verdade-ajudaria-a-resgatar-e-jogar-luz-a-historia-local\/"},"modified":"2014-03-31T17:16:40","modified_gmt":"2014-03-31T17:16:40","slug":"comissao-da-verdade-ajudaria-a-resgatar-e-jogar-luz-a-historia-local","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/03\/31\/comissao-da-verdade-ajudaria-a-resgatar-e-jogar-luz-a-historia-local\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade ajudaria a resgatar e jogar luz \u00e0 hist\u00f3ria local"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Objetivo \u00e9 preservar a hist\u00f3ria de ribeir\u00e3o-pretanos v\u00edtimas dos 21 anos de ditadura<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7095\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/f1dd8fdf-12ab-48a3-98f0-5b2ebf7e2e49.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>Maria Aparecida dos Santos (Cidinha) (1947-atual): Ficou 3 anos, 3 meses e 25 dias presa, per\u00edodo em que foi torturada por, inclusive, o delegado do Dops S\u00e9rgio Fleury. Mora em Ribeir\u00e3o e \u00e9 historiadora. (Foto: Matheus Urenha \/ A Cidade)  <!--more-->  <\/address>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Em setembro de 1969, Cidinha chegou ao Dops (Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social) quase sem for\u00e7as para ficar em p\u00e9. Ao seu lado, dois companheiros da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN) estavam baleados.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u201cVoc\u00eas ca\u00edram da escada? Trombaram com uma Fenem\u00ea [caminh\u00e3o]\u201d, ironizou o delegado S\u00e9rgio Fleury Paranhos, sentado sob um quadro com uma caveira e dois ossos cruzados, s\u00edmbolo do esquadr\u00e3o da morte da pol\u00edcia. \u201cEra um olhar met\u00e1lico\u201d, lembra Maria Aparecida dos Santos, ent\u00e3o com 22 anos.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Rec\u00e9m-sa\u00edda de quatro dias ininterruptos de tortura na sede da Oban (Opera\u00e7\u00e3o Bandeirante), a jovem ficaria mais dois meses presa no Dops \u2013 um dos locais mais temidos na ditadura militar. Depois, foi para o pres\u00eddio de Tiradentes.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Dividiu a cela 6, entre 1970 e 1972, com a presidente Dilma Rousseff, que chegou a descrever como uma pessoa muito alegre, brincalhona, mas, como a grande maioria, muito sens\u00edvel com o que acontecia e muito solid\u00e1ria. \u201cEra uma pessoa que tinha convic\u00e7\u00e3o do que defendia, assim como todos n\u00f3s.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Cidinha recorda que sofreu na pris\u00e3o todo tipo de viol\u00eancia: \u201ccadeira do drag\u00e3o, choques el\u00e9tricos, sess\u00f5es de espancamento, fiquei nua no pau de arara&#8230;\u201d, diz Cidinha. At\u00e9 hoje, com 67 anos, ela carrega problemas de audi\u00e7\u00e3o pelos tapas que levou no ouvido. \u201cEm alguns momentos, nem gritar consegu\u00edamos. Tudo o que sa\u00eda era um apelo rouco.\u201d<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s tr\u00eas anos, tr\u00eas meses e 25 dias, ela foi liberada. Antes, foi amea\u00e7ada de morte pelo major Carlos Alberto Brilhante Ustra, outro expoente do regime militar. Lembro at\u00e9 hoje o nome de todos os meus torturadores, tenho muito a contar\u201d, diz ela, que foi uma das 834 pessoas que deram depoimento na Comiss\u00e3o Nacional da Verdade. Em breve, deve fazer o mesmo na Estadual, conduzida pela Assembleia Legislativa.<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7096\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/e711301b-404e-48c9-b7f0-e5de348d3778.jpg\" border=\"0\" width=\"310\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Vereador Cangussu diz que C\u00e2mara n\u00e3o tem estrutura (Foto: Milena Aurea \/ A Cidade)<\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u201cRibeir\u00e3o tem um ac\u00famulo tremendo de hist\u00f3rias, \u00e9 um desperd\u00edcio de mem\u00f3ria n\u00e3o aproveit\u00e1-las\u201d, diz o deputado estadual Adriano Diogo (PT), presidente da comiss\u00e3o estadual. Criada em fevereiro de 2012, at\u00e9 o come\u00e7o deste ano ela havia ouvido cerca de 500 testemunhas \u2013 entre elas, \u00c1urea Moretti.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u2018N\u00e3o temos estrutura para isso\u2019, diz vereador<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">O vereador Beto Cangussu (PT) refor\u00e7a a necessidade de Ribeir\u00e3o ter uma comiss\u00e3o pr\u00f3pria, mas j\u00e1 adianta: \u201cN\u00e3o temos estrutura suficiente para isso, e para fazer algo superficial \u00e9 melhor nem criar\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Atualmente, o Museu de Imagem e Som possui alguns relatos gravados sobre o per\u00edodo. Entretanto, n\u00e3o h\u00e1 um projeto municipal voltado especificamente para resgate e preserva\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Questionadas pelo A Cidade, as assessorias de imprensa da prefeitura e da C\u00e2mara Municipal afirmaram n\u00e3o existir projetos de Comiss\u00e3o da Verdade ou similares em andamento.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA Comiss\u00e3o n\u00e3o implica apenas o passado, ela \u00e9 mais atual do que nunca. Se n\u00e3o entendermos a ditadura, n\u00e3o compreenderemos a nossa democracia insegura\u201d, defende o deputado estadual Adriano Diogo (PT).<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Jornal a Cidade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Objetivo \u00e9 preservar a hist\u00f3ria de ribeir\u00e3o-pretanos v\u00edtimas dos 21 anos de ditadura Maria Aparecida dos Santos (Cidinha) (1947-atual): Ficou 3 anos, 3 meses e 25 dias presa, per\u00edodo em que foi torturada por, inclusive, o delegado do Dops S\u00e9rgio Fleury. Mora em Ribeir\u00e3o e \u00e9 historiadora. 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