{"id":7098,"date":"2014-03-31T17:20:42","date_gmt":"2014-03-31T17:20:42","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/03\/31\/historia-historiador-e-a-comissao-da-verdade-50-anos-que-ainda-tem-muito-a-ser-revelado-ou-nao\/"},"modified":"2014-03-31T17:20:42","modified_gmt":"2014-03-31T17:20:42","slug":"historia-historiador-e-a-comissao-da-verdade-50-anos-que-ainda-tem-muito-a-ser-revelado-ou-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/03\/31\/historia-historiador-e-a-comissao-da-verdade-50-anos-que-ainda-tem-muito-a-ser-revelado-ou-nao\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria, historiador e a Comiss\u00e3o da Verdade&#8230; 50 anos que ainda t\u00eam muito a ser revelado ou n\u00e3o!"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/>Sou filho dos anos 70, mais precisamente nascido em 1977 (ano que o movimento Punk estourava no mundo), \u00a0momento que o Brasil estava caminhando por um processo \u201clento, gradual e seguro\u201d para uma volta a democracia, que desde o ano de 1964 havia sofrido uma dura apunhalada por setores civis e militares que determinaram um fim ao dito per\u00edodo democr\u00e1tico que havia sido restabelecido em 1946, ap\u00f3s uma ditadura Varguista de 15 anos&#8230;  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 passei a ter essa consci\u00eancia hist\u00f3ria sobre esses fatos que citei anteriormente durante minha \u00a0adolesc\u00eancia &#8211; vivida nos anos 90 \u2013 e que \u00a0somado a uma rebeldia (t\u00edpica da juventude) e a vontade de conhecer mais sobre a Hist\u00f3ria, consegui no ano de 1998 entrar na universidade para fazer o curso de Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Pois bem, fiz esse pequeno relado de experi\u00eancia de vida para poder chegar a um ponto chave nesse pequeno artigo: as mem\u00f3rias do ano de 1964 no Brasil e o historiador.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Como j\u00e1 dito, n\u00e3o vivi os anos 60, mas gra\u00e7as a mem\u00f3ria (ou seriam as mem\u00f3rias?) e estudos feitos com documentos \u2013 sejam por fontes militares ou civis &#8211; \u00a0nos revelaram que os 21 anos que se seguiram na hist\u00f3ria do Brasil seriam de nefastos acontecimentos nos quais at\u00e9 hoje encontram sem respostas ou foram dadas respostas insatisfat\u00f3rias. E partindo dessa an\u00e1lise, eis que vejo a necessidade de perguntar se desde o ano de 2012, quando foi institu\u00edda \u00a0atrav\u00e9s da Lei 12528\/2011 a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV), qual o papel dos historiadores nessa comiss\u00e3o? \u00a0Pelo jeito o oficio do historiador n\u00e3o tem vez junto a essa comiss\u00e3o!<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Ao analisar as forma\u00e7\u00f5es dos membros da CNV os senhores: Gilson Dipp, Jos\u00e9 Carlos Filho, Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti Filho, Paulo S\u00e9rgio Pinheiro, Pedro Dallari e as senhoras Maria Rita Khrel e Rosa Maria Cardoso da Cunha \u00e9 indubit\u00e1vel que todos s\u00e3o detentores de um ex\u00edmio curr\u00edculo em diversas \u00e1reas do conhecimento. Mas n\u00e3o s\u00e3o historiadores! Ser\u00e1 que o of\u00edcio do historiador n\u00e3o caberia nessa comiss\u00e3o? Ser\u00e1 que esse of\u00edcio \u00e9 t\u00e3o vil ao ponto de n\u00e3o poder ajudar nas pesquisas de investiga\u00e7\u00e3o desse passado t\u00e3o importante na nossa Hist\u00f3ria? <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Vejo que lembrando hoje os 50 anos de uma ruptura institucional que teve o apoio de parte da sociedade civil brasileira e tamb\u00e9m \u00a0o apoio incondicional das For\u00e7as Armadas, os debates sobre esse tema ainda s\u00e3o atual\u00edssimos, sejam em reportagens, em document\u00e1rios, em filmes, em miniss\u00e9ries ou em qualquer outra forma de produ\u00e7\u00f5es a todo momento \u00e9 recorrente se chamar um historiador para ajudar a \u201ccontar a hist\u00f3ria\u201d desse per\u00edodo. Mas na CNV n\u00e3o foi necess\u00e1rio. Deplor\u00e1vel!<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Enquanto muitos se preocupam em manifestar contr\u00e1rios ou favor\u00e1veis aos militares no poder (a democracia d\u00e1 esse direito de manifesta\u00e7\u00e3o pr\u00f3 ou contra), sinto a necessidade de levantar a bandeira de que, a popula\u00e7\u00e3o tem que conhecer sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, de ter acesso a documentos e sobretudo a profissionais que dedicam (ou dedicaram) boa parte de suas vidas na busca de documentos ou na an\u00e1lise de documentos para que n\u00f3s \u2013 a popula\u00e7\u00e3o brasileira \u2013 nesses quase 514 anos de Hist\u00f3ria possamos ter um poder mais de informa\u00e7\u00e3o e enxergar os fatos hist\u00f3ricos que foram decisivos para a constru\u00e7\u00e3o de uma Hist\u00f3ria de constantes lutas, de resist\u00eancia e acima de tudo de n\u00e3o ficar cabisbaixo junto as imposi\u00e7\u00f5es de grupos dominantes. Cito aqui uma frase do escritor espanhol Miguel de Cervantes de Saavedra (1547 \u2013 1616), que ilustra bem \u00a0essas palavras aqui escritas nesse breve artigo: \u201cO poeta pode contar ou cantar as coisas, n\u00e3o como foram mas como deveriam ser; e o historiador h\u00e1 de escrev\u00ea-las n\u00e3o como deveriam ser e sim como foram, sem acrescentar ou tirar nada \u00e0 verdade.\u201d<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; DI\u00c1RIO DA MANH\u00c3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sou filho dos anos 70, mais precisamente nascido em 1977 (ano que o movimento Punk estourava no mundo), \u00a0momento que o Brasil estava caminhando por um processo \u201clento, gradual e seguro\u201d para uma volta a democracia, que desde o ano de 1964 havia sofrido uma dura apunhalada por setores civis e militares que determinaram um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7098"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7098"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7098\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7098"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7098"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7098"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}