{"id":7122,"date":"2014-04-03T00:45:44","date_gmt":"2014-04-03T00:45:44","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/04\/03\/o-calvario-de-madre-maurina-borges-a-freira-que-a-ditadura-torturou\/"},"modified":"2014-04-03T00:45:44","modified_gmt":"2014-04-03T00:45:44","slug":"o-calvario-de-madre-maurina-borges-a-freira-que-a-ditadura-torturou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/04\/03\/o-calvario-de-madre-maurina-borges-a-freira-que-a-ditadura-torturou\/","title":{"rendered":"O calv\u00e1rio de Madre Maurina Borges, a freira que a ditadura torturou"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Madre Maurina Borges da Silveira foi presa no dia 25 de outubro de 1969. Tinha 43 anos e dirigia o Orfanato Lar Santana, na rua Conselheiro Dantas 984, em Ribeir\u00e3o Preto. Cuidava de 220 crian\u00e7as. Ela foi acusada de ceder uma sala, no por\u00e3o do pr\u00e9dio, para reuni\u00f5es de estudantes pertencentes ao grupo guerrilheiro FALN &#8211; For\u00e7as Armadas de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><span style=\"line-height: 1.3em;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7121\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/as_16964630638510984.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"180\" \/>  <!--more-->  <br \/><\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Presa com v\u00e1rios militantes da FALN pela Opera\u00e7\u00e3o Banderiante (Oban), foi torturada durante cinco meses. O epis\u00f3dio resultou na excomuh\u00e3o dos delegados Renato Ribeiro Soares e Miguel Lamano, em 12 de novembro de 1969. Lamano foi apontado num ranking da revista &#8220;Veja&#8221; como o 12\u00ba maior torturador da \u00e9poca da ditadura militar.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Jacob Gorender, historiador marxista brasileiro, relata em seu livro \u201cCombate nas Trevas\u201d que irm\u00e3 Maurina teria sido estuprada na pris\u00e3o, fato desmentido por ela. Madre Maurina admite que foi v\u00edtima de viol\u00eancia moral e obrigada a assinar confiss\u00e3o admitindo que era amante de um militante.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em 1970, foi trocada pelo c\u00f4nsul japon\u00eas Nobuo Okuchil, sequestrado pelo grupo Vanguarda Popular Revolucion\u00e1rio (VPR), em 11 de mar\u00e7o. Tr\u00eas dias depois, entrou no avi\u00e3o que a levaria ao M\u00e9xico, onde ficaria 14 anos. Regressou ao Brasil em 1973.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cVeja se voc\u00ea n\u00e3o vai esquecer do seu Deus! Agora vai apanhar juntamente com o rapaz seu protegido\u201d. A frase, dita pelo delegado Miguel Lamano, foi relatada por madre Maurina, da Ordem Terceira de S\u00e3o Francisco, em carta escrita na Penitenci\u00e1ria de Trememb\u00e9, encaminhada ao ministro da Justi\u00e7a, Alfredo Buzaid.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Em Ribeir\u00e3o, o ex-delegado Seccional Renato Ribeiro Soares admitiu, em 2008, que madre Maurina foi alvo de tortura violenta. Mas negou t\u00ea-la torturado. Foi readmitido \u00e0s lides cat\u00f3licas em 9 de agosto de 1975.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Livro novo sobre a hero\u00edna<\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong> <\/strong><br \/> Madre Maurina Silveira Borges, falecida em 2011, tinha nove irm\u00e3os. Entre eles, dois padres e duas freiras, todos vivos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O frei Manoel Borges da Silveira, 83 anos, dominicano radicado em Uberaba (MG), resolveu escrever um livro sobre a irm\u00e3 baseado nas visitas que fez a ela, especialmente no M\u00e9xico, onde viveu exilada durante 14 anos.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Aos depoimentos da irm\u00e3, frei Manoel juntou artigos publicados na imprensa, ao longo das d\u00e9cadas, como os escritos por Antonio Callado e C\u00e9sar Augusto Vanucci.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O livro, ainda sem t\u00edtulo e n\u00famero de p\u00e1ginas indefinido, ser\u00e1 bancado pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Anistiados Pol\u00edticos, entidade presidida pelo jornalista Saulo Gomes. Saulo foi tamb\u00e9m o primeiro jornalista a entrevistar o l\u00edder esp\u00edrita Chico Xavier na televis\u00e3o brasileira, em programa feito para a extinta TV Tupi. Agora, ele apoia frei Manoel para publicar este livro.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEu gravei boa parte do depoimento do frei Manoel, na igreja onde vive, a S\u00e3o Domingos, a mais antiga de Uberaba. Ele relatou os encontros que teve com irm\u00e3. O livro ser\u00e1 impresso em breve\u201d.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Jornal A Cidade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madre Maurina Borges da Silveira foi presa no dia 25 de outubro de 1969. Tinha 43 anos e dirigia o Orfanato Lar Santana, na rua Conselheiro Dantas 984, em Ribeir\u00e3o Preto. Cuidava de 220 crian\u00e7as. 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