{"id":7160,"date":"2014-04-08T13:35:29","date_gmt":"2014-04-08T13:35:29","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/04\/08\/comissao-da-verdade-homenageia-militares-perseguidos-pela-ditadura\/"},"modified":"2014-04-08T13:35:29","modified_gmt":"2014-04-08T13:35:29","slug":"comissao-da-verdade-homenageia-militares-perseguidos-pela-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/04\/08\/comissao-da-verdade-homenageia-militares-perseguidos-pela-ditadura\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade homenageia militares perseguidos pela ditadura"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O tenente-coronel da Aeron\u00e1utica Alfeu de Alc\u00e2ntara Monteiro, assassinado na Base A\u00e9rea de Canoas (RS) no dia 4 de abril de 1964, foi homenageado ontem (7) pela Comiss\u00e3o da Verdade de S\u00e3o Paulo Rubens Paiva. De acordo com a Comiss\u00e3o Especial de Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos (CEMDP), o oficial foi morto por arma de fogo ao resistir \u00e0 pris\u00e3o determinada pelo seu posicionamento contr\u00e1rio ao golpe militar de 1964. A contesta\u00e7\u00e3o de militares ao regime e a persegui\u00e7\u00e3o que sofreram das For\u00e7as Armadas foi o tema da audi\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.agoraja.net\/thumb.php?img=img_noticias\/139693671562.jpg&#038;largura=576\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A homenagem incluiu a exibi\u00e7\u00e3o de uma reportagem relembrando a trajet\u00f3ria do militar. Segundo o acervo da CEMDP, ele participou na linha de frente do movimento pela legalidade, liderada pelo governador ga\u00facho Leonel Brizola e pelo comandante do 3\u00ba Ex\u00e9rcito, general Machado Lopes, em Porto Alegre. O grupo resistiu \u00e0 interven\u00e7\u00e3o militar que tentou impedir a posse do vice-presidente Jo\u00e3o Goulart, ap\u00f3s a ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros, em setembro de 1961. Alfeu foi um dos respons\u00e1veis por impedir que ca\u00e7as decolassem da Base A\u00e9rea de Canoas para bombardear o Pal\u00e1cio Piratini, sede da resist\u00eancia legalista, desobedecendo ordens superiores.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Durante a audi\u00eancia, prestaram depoimentos os capit\u00e3es Sim\u00e3o Keremian, Francisco Fernandes Maia, Jos\u00e9 Ara\u00fajo N\u00f3brega e Moacir Correia, que foram perseguidos pela ditadura. O consultor da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV), Paulo Cunha, que coordenou os trabalhos na Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo, destacou a import\u00e2ncia desses testemunhos para recuperar a verdade hist\u00f3rica do per\u00edodo militar. \u201cJ\u00e1 temos contabilizados 27 militares que foram mortos no per\u00edodo p\u00f3s-1964 e dez outros civis de origem militar que tamb\u00e9m foram dizimados\u201d, destacou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O capit\u00e3o da reserva do Ex\u00e9rcito Jos\u00e9 Ara\u00fajo N\u00f3brega relatou o per\u00edodo em que integrou o Movimento Nacionalista Revolucion\u00e1rio (MNR) e depois a Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria (VPR), ao lado do capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito Carlos Lamarca, um dos l\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o armada. Ele relembrou o momento em que se instalou com um grupo no Vale do Ribeira, em S\u00e3o Paulo. Segundo ele, o grupo n\u00e3o lutava para implantar o comunismo. \u201c\u00c9ramos todos jovens interessados em acabar e mudar esse regime no Brasil, mas existia tamb\u00e9m a discuss\u00e3o sobre reformas sociais\u201d, declarou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O grupo passou a ser perseguido no Vale do Ribeira e, ap\u00f3s se perder dos outros companheiros, N\u00f3brega foi preso e torturado. Por diverg\u00eancias pol\u00edticas com o movimento, ele decidiu deixar a VPR e pedir asilo ao Chile. Enquanto estava l\u00e1, no entanto, foi novamente torturado ap\u00f3s a deposi\u00e7\u00e3o de Salvador Allende e instala\u00e7\u00e3o da ditadura do general Augusto Pinochet, em 1973. No epis\u00f3dio em que foi preso pela pol\u00edcia chilena, ele pulou de um barranco para fugir e ficou pendurado em uma \u00e1rvore. \u201cOs carabineiros chegaram na borda, fizeram mais disparos, um que acertou o meu p\u00e9, outro a minha camiseta\u201d, relembrou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O capit\u00e3o Sim\u00e3o Keremian, que atualmente preside a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Civis e Militares Aposentados e da Reserva (Acimar), destacou que nunca pertenceu a nenhuma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da \u00e9poca e que atua\u00e7\u00e3o dele estava identificada \u201ccom os militares legalistas em defesa das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas\u201d. Ele foi cassado em novembro de 1964. \u201cMinha culpa foi ser fiel \u00e0s autoridades legais constitu\u00eddas\u201d, avaliou. Keremian defendeu a revis\u00e3o da Lei da Anistia. \u201c[Esse per\u00edodo] transformou jovens oficiais em torturadores e assassinos, deixando-nos um passado vergonhoso de crimes imprescrit\u00edveis\u201d, avaliou.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">O sargento da Aeron\u00e1utica Francisco Fernandes Maia tamb\u00e9m foi expulso das For\u00e7as Armadas e teve os direitos pol\u00edticos suspensos em 1967. Ele contou que assumiu uma postura cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es a que os sargentos eram submetidos, como n\u00e3o ter direito ao voto, n\u00e3o poder tirar o brev\u00ea para se tornar aviador e n\u00e3o poder casar durante cinco anos. \u201cAntes disso, fui preso em 1965, acusado de pertencer ao Partido Revolucion\u00e1rio Trotskista. Impetrei quatro\u00a0habeas corpus, mas s\u00f3 consegui sair nove meses depois\u201d, apontou.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Jornal do Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tenente-coronel da Aeron\u00e1utica Alfeu de Alc\u00e2ntara Monteiro, assassinado na Base A\u00e9rea de Canoas (RS) no dia 4 de abril de 1964, foi homenageado ontem (7) pela Comiss\u00e3o da Verdade de S\u00e3o Paulo Rubens Paiva. 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