{"id":7173,"date":"2014-04-10T11:11:09","date_gmt":"2014-04-10T11:11:09","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/04\/10\/mobilizacao-tenta-apagar-simbolos-da-ditadura-que-dao-nome-a-ruas-no-pais\/"},"modified":"2014-04-10T11:11:09","modified_gmt":"2014-04-10T11:11:09","slug":"mobilizacao-tenta-apagar-simbolos-da-ditadura-que-dao-nome-a-ruas-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2014\/04\/10\/mobilizacao-tenta-apagar-simbolos-da-ditadura-que-dao-nome-a-ruas-no-pais\/","title":{"rendered":"Mobiliza\u00e7\u00e3o tenta apagar s\u00edmbolos da ditadura que d\u00e3o nome a ruas no Pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Agentes do regime militar est\u00e3o nas placas de ruas, pra\u00e7as e at\u00e9 cidades. Estrat\u00e9gia de ativistas de direitos humanos \u00e9 renomear esses lugares com homenagens a militantes de esquerda<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7170\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/9l3yz0cw8uv8x8xtwhtzcgfzc.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Ato no DOI-Codi presta homenagem aos mortos, torturados e desaparecidos durante a ditadura militar nos 50 anos do golpe<\/span><\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>  <!--more-->  <\/address>\n<p class=\"p1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">As comiss\u00f5es empenhadas na reconstitui\u00e7\u00e3o dos anos de chumbo se mobilizam para remover das ruas, avenidas, pra\u00e7as, viadutos e at\u00e9 de cidades os nomes de personagens ligadas \u00e0 ditadura ou vinculadas \u00e0s viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Nas cidades onde for poss\u00edvel, os nomes de repressores ser\u00e3o substitu\u00eddos por v\u00edtimas do regime militar.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na mira dos ativistas est\u00e3o munic\u00edpios como Curion\u00f3polis, no Sul do Par\u00e1, criada em maio de 1988 para homenagear o ent\u00e3o interventor militar no garimpo de Serra Pelada, Sebasti\u00e3o Rodrigues de Moura, o Curi\u00f3, nome umbilicalmente ligado a tortura, exterm\u00ednio e desaparecimento dos corpos de 58 militantes do PCdoB na Guerrilha do Araguaia, entre 1972 e 1975.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na segunda-feira, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV) mostrou documentos apontando que Curi\u00f3 era um dos principais respons\u00e1veis pela Casa Azul, centro clandestino de tortura e execu\u00e7\u00e3o de presos pol\u00edticos na cidade de Marab\u00e1, onde desapareceram pelo menos 24 guerrilheiros levados com vida ao local. Deputado federal eleito na Constituinte de 1988, Curi\u00f3 tornou-se depois prefeito do munic\u00edpio por tr\u00eas mandatos e transformou a regi\u00e3o num feudo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">De Curion\u00f3polis, ponto estrat\u00e9gico para monitorar a movimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o ex-militar, que foi para a reserva com a patente de coronel, teria coordenado as opera\u00e7\u00f5es de limpeza dos vest\u00edgios da guerrilha (especialmente ossadas de guerrilheiros enterradas em locais anteriormente identificados) e monitorado a explora\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio da Serra dos Caraj\u00e1s a servi\u00e7o do regime. Ele ser\u00e1 ouvido em maio pela CNV.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Um caso recente de troca de nome aconteceu em Salvador no in\u00edcio do ano. O governo do Estado mudou oficialmente o nome do Col\u00e9gio Estadual Presidente Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici (1969-1974), que comandou o Pa\u00eds no per\u00edodo mais sombrio do regime militar, para Carlos Mariguella, um dos principais expoentes da esquerda na luta contra a ditadura e morto a tiros por agentes do Dops, em 1969. A a\u00e7\u00e3o partiu de alunos, ex-alunos, professores e respons\u00e1veis pela institui\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Na capital paulista, um dos principais alvos \u00e9 a Rua Doutor S\u00e9rgio Fleury, denomina\u00e7\u00e3o oficializada por decreto do ex-prefeito de S\u00e3o Paulo, Ant\u00f4nio Salim Curiati, que herdou o cargo e o compromisso da inconveniente homenagem do ent\u00e3o governador e hoje deputado Paulo Maluf (PP), um dos principais sustent\u00e1culos da ditadura.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Bruna Carvalho<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7171\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/17nsdfv60zoc8o675qglbeare.jpg\" border=\"0\" width=\"316\" height=\"236\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Em mobiliza\u00e7\u00e3o de grupo ativista, nome de Vladimir Herzog substitui Brigadeiro Faria Lima em placa de rua de S\u00e3o Paulo<\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fleury \u00e9 a face civil urbana da repress\u00e3o. Sua atua\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada a dezenas de casos de tortura, execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias e desaparecimentos for\u00e7ados. Antes de assumir o comando da repress\u00e3o pol\u00edtica, foi chefe do Esquadr\u00e3o da Morte, grupo respons\u00e1vel pela matan\u00e7a de supostos marginais na capital paulista.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O caso da Rua Doutor Sergio Fleury \u00e9 um dos mais pol\u00eamicos. Localizada no Alto da Lapa, zona oeste da capital paulista, trata-se de uma rua curta, onde vivem menos de 20 fam\u00edlias de classe m\u00e9dia, que n\u00e3o foram consultadas \u00e0 \u00e9poca do decreto municipal e nem agora, quando a Prefeitura paulistana decidiu mudar o homenageado. O nome do algoz deve ser trocado pelo de uma de suas v\u00edtimas, o frei dominicano Tito de Alencar, que se suicidou em Lyon, na Fran\u00e7a, atormentado pelas lembran\u00e7as de Fleury.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A troca foi proposta por projeto do vereador Orlando Silva, do PC do B, ex-ministro derrubado por den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o no in\u00edcio do governo da presidente Dilma Rousseff. A Secretaria de Direitos Humanos paulistana encampou a troca e, no final do ano passado, debateu o caso com os moradores. Para explicar quem eram Fleury e Frei Tito, o secret\u00e1rio Rog\u00e9rio Sotilli reuniu-se com moradores e coordenou a exibi\u00e7\u00e3o de filmes sobre os dois personagens.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">No final do ano passado, o prefeito Fernando Haddad assinou um decreto estabelecendo a possibilidade de mudan\u00e7as de nomes de qualquer logradouro cujo personagem est\u00e1 ligado a viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos. Antes s\u00f3 era poss\u00edvel mudar quando havia duplicidade de nome. O departamento jur\u00eddico da Prefeitura ainda est\u00e1 regulamentando o decreto, mas j\u00e1 levantou uma lista parcial, com 13 nomes, entre os quais alguns prometem levantar pol\u00eamica.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o caso da Via Elevada Presidente Arthur da Costa e Silva, conhecido por Elevado e Minhoc\u00e3o que, com 3,4 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, liga a regi\u00e3o central ao bairro de Perdizes, na zona oeste. Costa e Silva, como se sabe, foi o \u201ceditor\u201d do famoso AI-5 (Ato Institucional n\u00ba 5), que abriu as portas da repress\u00e3o e soltou a \u201ctigrada\u201d respons\u00e1vel pelo exterm\u00ednio de militantes de esquerda.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">Bruna Carvalho<\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7172\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/0zxru02nyxqu39533qy4gg46o.jpg\" border=\"0\" width=\"316\" height=\"236\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">Gr\u00e1vida de quatro meses, Soledad Barret Viedma foi morta durante a ditadura militar<\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Outra pol\u00eamica certa ser\u00e1 a substitui\u00e7\u00e3o do nome da Rua Henning Boilensen, no Butant\u00e3. Ex-presidente da Ultrag\u00e1s e diretor da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias de S\u00e3o Paulo (Fiesp), Boilensen n\u00e3o s\u00f3 forneceu recursos para financiar a repress\u00e3o como costumava, segundo policiais que com ele conviveram, assistir a sess\u00f5es de tortura. Em 15 de abril de 1971, Boilensen foi executado por um comando guerrilheiro na Alameda Casa Branca, nos Jardins.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">As demais ruas, avenidas, viadutos e pra\u00e7as que podem ter as denomina\u00e7\u00f5es trocadas levam os nomes do ex-presidente Humberto Castelo Branco (Marginal Tiet\u00ea), M\u00e1rio Andreazza (Graja\u00fa), General Milton Tavares de Souza (Vila Maria), General Rademaker Grunewald (Itaim Bibi), General Humberto Souza Mello (Bel\u00e9m), Carlos Simas (Santo Amaro) Senador Filinto Muller (S\u00e3o Rafael), Dr. Oct\u00e1vio Gon\u00e7alves Moreira J\u00fanior (Butant\u00e3) e Trinta e Um de Mar\u00e7o (S\u00e9 e Vila Andrade).<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">O presidente da Comiss\u00e3o da Verdade paulista, deputado Adriano Diogo (PT) diz que \u00e9 necess\u00e1rio uma lei que n\u00e3o s\u00f3 impe\u00e7a a denomina\u00e7\u00e3o, mas que tamb\u00e9m permita a troca, em todo o Estado, de nomes de personagens que violaram direitos em qualquer regime. A sugest\u00e3o ser\u00e1 encaminhada tamb\u00e9m a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, que pode fazer uma recomenda\u00e7\u00e3o aos estados.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">A comiss\u00e3o conseguiu anular um decreto de Maluf que, quando governador, decidiu doar ao II Ex\u00e9rcito o terreno onde foi instalada a Opera\u00e7\u00e3o Bandeirantes (Oban), na Rua Tut\u00f3ia, no Para\u00edso, centro de deten\u00e7\u00e3o e tortura por onde passaram pelo menos 50 militantes de esquerda mortos e desaparecidos. O local deve virar um espa\u00e7o de mem\u00f3ria sobre os anos de chumbo. A estrat\u00e9gia \u00e9 remover todos os s\u00edmbolos da repress\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; IG<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agentes do regime militar est\u00e3o nas placas de ruas, pra\u00e7as e at\u00e9 cidades. 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