{"id":7879,"date":"2015-02-12T01:10:23","date_gmt":"2015-02-12T01:10:23","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/02\/12\/comissao-da-verdade-reage-e-lista-provas-contra-general\/"},"modified":"2015-02-12T01:10:23","modified_gmt":"2015-02-12T01:10:23","slug":"comissao-da-verdade-reage-e-lista-provas-contra-general","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/02\/12\/comissao-da-verdade-reage-e-lista-provas-contra-general\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da verdade reage e lista provas contra general"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do que dizem os filhos do general Floriano Aguilar Chagas em a\u00e7\u00e3o protocolada dias atr\u00e1s na Justi\u00e7a Federal, as a\u00e7\u00f5es dele como adido do Ex\u00e9rcito na Embaixada do Brasil em Buenos Aires, nos anos da ditadura, n\u00e3o teriam sido meramente diplom\u00e1ticas. \u00c9 isso o que diz o texto de um e-mail que circulou na semana passada entre os sete integrantes da extinta Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, com o t\u00edtulo &#8216;Esclarecimentos Sobre a Inclus\u00e3o do Nome do General Floriano Aguilar Chagas&#8217;.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.sindicatodosaposentados.org.br\/publisher\/comissao_da_verdade.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p> De acordo com o texto, enquanto esteve na Argentina, entre abril de 1973 e mar\u00e7o de 1975, o ent\u00e3o coronel teria ajudado a vigiar exilados pol\u00edticos e contribu\u00eddo para o sequestro de Joaquim Pires Cerveira e Jo\u00e3o Batista Rita &#8211; dois militantes pol\u00edticos que figuram at\u00e9 hoje na lista dos desaparecidos da ditadura. O militar ainda teria acompanhado os passos do ex-presidente Jo\u00e3o Goulart, nas vezes em que ele se deslocou do Uruguai, onde vivia ap\u00f3s ter sido deposto pelos militares.<br \/> O texto cita os documentos, telegramas, informes internos do Ex\u00e9rcito e da Embaixada do Brasil, livros, jornalistas argentinos, nos quais teria se baseado a cita\u00e7\u00e3o do general. \u00c9 uma primeira resposta \u00e0 decis\u00e3o dos filhos do militar de ingressaram na Justi\u00e7a Federal com uma a\u00e7\u00e3o contra a Uni\u00e3o, na qual questionam a inclus\u00e3o dele no relat\u00f3rio final da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p> O general faz parte da lista de 377 pessoas apontadas como respons\u00e1veis por graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos na ditadura. Os filhos querem a exclus\u00e3o do nome da lista e o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais.<\/p>\n<p> O objetivo do texto, que tem cinco p\u00e1ginas, \u00e9 demonstrar internamente que existem raz\u00f5es mais que suficientes para a inclus\u00e3o do nome do general no Cap\u00edtulo 16 do Volume 1 do relat\u00f3rio. Ele aparece entre as pessoas que teriam tido responsabilidade direta pelos crimes.<\/p>\n<p> O texto n\u00e3o \u00e9 assinado. Sabe-se que foi redigido por ex-assessores do grupo, ligados de forma mais direta \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o da lista dos respons\u00e1veis. <\/p>\n<p> Ele inicia lembrando a participa\u00e7\u00e3o do adido no sequestro de Cerveira e Rita. Opositores da ditadura militar banidos do Pa\u00eds, os dois haviam se refugiado no Chile, ent\u00e3o governado por Salvador Allende. Com o golpe militar de 1973, que instalou a ditadura do general Augusto Pinochet, os dois militantes se deslocaram para a Argentina. Estavam se instalando naquele Pa\u00eds quando foram sequestrados e conduzidos secretamente para o Rio e, mais tarde, S\u00e3o Paulo. Nunca mais foram vistos vivos.<\/p>\n<p> Uma das provas citadas no texto \u00e9 um informe interno, com data de 14 de dezembro de 1973, no qual o agente Alberto Conrado Avegno, do Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito, indica que o &#8220;coronel Floriano&#8221; participou da opera\u00e7\u00e3o de sequestro de Cerveira em Buenos Aires.<\/p>\n<p><strong> Comprometido<\/strong><\/p>\n<p> No informe, que se encontra no Arquivo Nacional, Avegno afirma: &#8220;O adido militar brasileiro, est\u00e1 comprometido com esse caso e a informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo passada a todos os n\u00edveis das v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es armadas argentinas. Ao que tudo indica, o coronel Floriano ficou observando de longe a opera\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p> Em outra mensagem, de 2 de maio de 1974, o mesmo agente revela que o desaparecimento resultou de uma &#8220;opera\u00e7\u00e3o mancomunada da pol\u00edcia federal argentina e setor militar brasileiro em Buenos Aires&#8221;.<\/p>\n<p> Outras mensagens listadas &#8211; e reunidas no Arquivo Nacional &#8211; falam das liga\u00e7\u00f5es que existiam entre os servi\u00e7os de intelig\u00eancia e de repress\u00e3o do Brasil e da Argentina. A Embaixada Brasileira, que deveria proteger os interesses dos cidad\u00e3os brasileiros, era usada para perseguir dissidentes pol\u00edticos. <\/p>\n<p> Segundo o documento, os dois militantes sequestrados foram monitorados pelas autoridades brasileiras desde que deixaram o Chile. Em telegrama de 14 de setembro de 1973, o ent\u00e3o embaixador do Brasil na Argentina, Antonio Azeredo da Silveira, indicava que havia pedido ao adido do Ex\u00e9rcito que mantivesse contato com a pol\u00edcia argentina. E acrescentava: &#8220;Prometeram-lhe fornecer as rela\u00e7\u00f5es dos brasileiros que daqui por diante ingressem na Argentina, provenientes do Chile&#8221;.<\/p>\n<p> Logo mais, em 5 de outubro de 1973, o embaixador informava: &#8220;O adido do ex\u00e9rcito, coronel Floriano de Aguilar Chagas, passou \u00e0s minhas m\u00e3os a seguinte lista obtida de boa fonte, onde constam os nomes dos cidad\u00e3os brasileiros que estiveram ou ainda est\u00e3o asilados na embaixada argentina em Santiago do Chile, assim como dos que j\u00e1 sa\u00edram do Chile sem haver estado asilados naquela miss\u00e3o diplom\u00e1tica&#8221;.<\/p>\n<p> O documento cita outros documentos. Ao final destaca que Chagas teria vigiado ainda os passos do ex-presidente Jo\u00e3o Goulart no exterior.<\/p>\n<p> S\u00e3o citados tr\u00eas telegramas com informa\u00e7\u00f5es sobre Goulart, fornecidas pelo adido militar. Dois falam de uma visita do ex-presidente a Buenos Aires. O terceiro, com data de 15 de julho de 1973, diz que ele n\u00e3o quis receber &#8220;tr\u00eas elementos subversivos brasileiros, a fim de n\u00e3o se desgastar com Per\u00f3n&#8221;.<\/p>\n<p> O advogado dos filhos do general, que morreu em 2012, \u00e9 o ga\u00facho Amadeu de Almeida Weinmann, destacado defensor de presos pol\u00edticos nos anos da ditadura. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, a Comiss\u00e3o da Verdade n\u00e3o tem provas . &#8220;N\u00e3o h\u00e1 nenhum fato concreto&#8221;, disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.<\/p>\n<p> Um dos filhos do adido militar que buscam a exclus\u00e3o do nome do pai do relat\u00f3rio da comiss\u00e3o \u00e9 o general de brigada da reserva Paulo Chagas. Em blog na internet ele tem criticado a comiss\u00e3o, o governo da presidente Dilma Rousseff, o Minist\u00e9rio da Defesa e o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Estadao Conteudo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao contr\u00e1rio do que dizem os filhos do general Floriano Aguilar Chagas em a\u00e7\u00e3o protocolada dias atr\u00e1s na Justi\u00e7a Federal, as a\u00e7\u00f5es dele como adido do Ex\u00e9rcito na Embaixada do Brasil em Buenos Aires, nos anos da ditadura, n\u00e3o teriam sido meramente diplom\u00e1ticas. \u00c9 isso o que diz o texto de um e-mail que circulou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7879"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7879"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7879\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}