{"id":7887,"date":"2015-03-03T19:46:53","date_gmt":"2015-03-03T19:46:53","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/03\/03\/embraer-e-docas-sao-acusadas-de-perseguir-trabalhadores-na-ditadura-militar\/"},"modified":"2015-03-03T19:46:53","modified_gmt":"2015-03-03T19:46:53","slug":"embraer-e-docas-sao-acusadas-de-perseguir-trabalhadores-na-ditadura-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/03\/03\/embraer-e-docas-sao-acusadas-de-perseguir-trabalhadores-na-ditadura-militar\/","title":{"rendered":"Embraer e Docas s\u00e3o acusadas de perseguir trabalhadores na ditadura militar"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">A Empresa Brasileira de Aeron\u00e1utica (Embraer) foi acusada, nesta segunda-feira (2), de persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e demiss\u00f5es durante o regime militar, principalmente durante e depois das greves l\u00e1 ocorridas na d\u00e9cada de 80, e o presidente da empresa na \u00e9poca, coronel Ozires Silva, confirmou que \u201cseguia ordens do regime\u201d, durante audi\u00eancia na Comiss\u00e3o Estadual da Verdade, da Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-7886\" src=\"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/embraer.jpg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/embraer.jpg 300w, https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/embraer-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>  <!--more-->  <\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Confrontado com documentos encaminhados pela Embraer ao Minist\u00e9rio da Aeron\u00e1utica com nomes de empregados que faziam parte do movimento sindical e grevista na empresa, Ozires Silva, que, em 1983, autorizou os militares entrar na empresa para reprimir a greve, declarou: \u201cEra uma empresa de propriedade da Aeron\u00e1utica e, portanto, havia uma liga\u00e7\u00e3o muito forte e n\u00f3s cumpr\u00edamos as determina\u00e7\u00f5es que vinham [de l\u00e1]\u201d. Ele disse, por\u00e9m, n\u00e3o saber como a Aeron\u00e1utica tinha acesso a informa\u00e7\u00f5es sobre os trabalhadores da empresa na \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">De sua cria\u00e7\u00e3o, em 1969, at\u00e9 1986, a Embraer foi presidida pelo engenheiro, coronel e ex-ministro Ozires Silva e, em dezembro de 1994, foi privatizada durante o governo Fernando Henrique Cardozo. Na audi\u00eancia, antigos trabalhadores da empresa relataram persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e demiss\u00f5es, como nas greves de 1983 e 1984, por reivindicar melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e redu\u00e7\u00e3o da jornada. Como repres\u00e1lia, muitos foram presos, fichados e interrogados sob acusa\u00e7\u00e3o de terrorismo. Eles acusam a empresa, tamb\u00e9m, de ter mantido uma lista com nomes dos grevistas e que era repassada a outras empresas, impedindo-os de conseguir empregos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12.1599998474121px; line-height: 1.3em;\">\u201cFui interrogado por um capit\u00e3o da Aeron\u00e1utica e demitido [ap\u00f3s a greve]\u201d, contou Get\u00falio Guedes, ex-empregado da Embraer. Ap\u00f3s a demiss\u00e3o, ele procurou emprego em outras empresas, sem sucesso. Na \u00e9poca, o recrutador de uma grande empresa lhe disse para tentar vaga nas pequenas, porque, nas grandes, n\u00e3o conseguiria: \u201cA Embraer mandou aqui uma lista de nomes, e voc\u00ea est\u00e1 nela. Procure emprego em pequenas empresas, ou n\u00e3o vai conseguir\u201d. Em 2012, por causa dessas persegui\u00e7\u00f5es, 125 ex-funcion\u00e1rios da empresa foram anistiados pelo Estado e receberam indeniza\u00e7\u00f5es trabalhistas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Na sa\u00edda da audi\u00eancia, em entrevista a jornalistas, Ozires Silva disse que n\u00e3o havia nada que ele, embora presidente da empresa, pudesse fazer na \u00e9poca para evitar a colabora\u00e7\u00e3o da Embraer com o regime. \u201cNa realidade, nunca foi minha voca\u00e7\u00e3o, como presidente da Embraer, questionar o regime sob o qual eu vivia. Inclusive, o governo era propriet\u00e1rio da minha companhia e, evidentemente, se eu brigasse com o dono da companhia, eu cairia fora. A Embraer era uma empresa de propriedade do governo. Brigue com o seu presidente [disse ele, virando-se para a rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil] e diga que n\u00e3o concorda com ele. Ele simplesmente vai coloc\u00e1-la na rua\u201d, afirmou Silva.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Outra empresa que teve sua atua\u00e7\u00e3o na ditadura militar lembrada hoje pela Comiss\u00e3o da Verdade foi a Companhia Docas de Santos, empresa privada, que em 1980, ap\u00f3s o t\u00e9rmino do per\u00edodo legal de concess\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do Porto de Santos, transformou-se na Companhia Docas do Estado de S\u00e3o Paulo (Codesp). Empresa de economia mista, a Codesp hoje \u00e9 vinculada \u00e0 Secretaria de Portos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Funcion\u00e1rios da companhia disseram ter sido perseguidos e demitidos ap\u00f3s greves na empresa e relataram a presen\u00e7a de militares no local de trabalho na \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">\u201cTemos v\u00e1rios casos de trabalhadores que foram punidos, n\u00e3o com demiss\u00e3o, mas que sofreram uma sorte de persegui\u00e7\u00f5es. H\u00e1 trabalhadores, por exemplo, que levaram 20 dias de suspens\u00e3o\u201d, disse Antonio Fernandes Neto. Ele escreveu um livro sobre a hist\u00f3ria dos trabalhadores de Santos durante a ditadura, Nem os Pombos Apareceram no Cais, que ser\u00e1 lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo dia 17. Um dos pedidos feitos por trabalhadores, durante a audi\u00eancia, foi para que a Docas abrisse seus documentos referentes \u00e0 ditadura militar. O pedido dever\u00e1 ser encaminhado pela Comiss\u00e3o Estadual da Verdade \u00e0 empresa.<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Rodrigo Octavio Franco Morgero, do Departamento Jur\u00eddico, que representou a Docas durante a audi\u00eancia, disse que esse tema era desconhecido pela dire\u00e7\u00e3o. \u201cDesconhecemos, em car\u00e1ter oficial, a presen\u00e7a de qualquer \u00f3rg\u00e3o de repress\u00e3o dentro da companhia\u201d, afirmou Morgero. Sobre o pedido dos trabalhadores, de abertura dos arquivos, Morgero n\u00e3o soube dizer se poder\u00e1 ser atendido pela empresa, mas garantiu que ser\u00e1 analisado.<\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Di\u00e1rio de Pernambuco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Empresa Brasileira de Aeron\u00e1utica (Embraer) foi acusada, nesta segunda-feira (2), de persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e demiss\u00f5es durante o regime militar, principalmente durante e depois das greves l\u00e1 ocorridas na d\u00e9cada de 80, e o presidente da empresa na \u00e9poca, coronel Ozires Silva, confirmou que \u201cseguia ordens do regime\u201d, durante audi\u00eancia na Comiss\u00e3o Estadual da Verdade, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7886,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7887"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7887"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7887\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7886"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}