{"id":8135,"date":"2015-09-18T00:47:10","date_gmt":"2015-09-18T00:47:10","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/09\/18\/vamos-continuar-homenageando-os-torturadores\/"},"modified":"2015-09-18T00:47:10","modified_gmt":"2015-09-18T00:47:10","slug":"vamos-continuar-homenageando-os-torturadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2015\/09\/18\/vamos-continuar-homenageando-os-torturadores\/","title":{"rendered":"Vamos continuar homenageando os torturadores?"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Aumenta a press\u00e3o para suprimir as homenagens a ditadores e torturadores<\/strong><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/866\/na-mesma-praca-8697.html\/fleury-sergio-1930.html\/@@images\/6eafbea3-9afd-459d-bde5-1b0afb60749c.jpeg\" border=\"0\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\" \/>Generais ainda nomeiam seis munic\u00edpios e mais de 700 col\u00e9gios. Cr\u00e9ditos: Davi Ribeiro  <!--more-->  <\/address>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Um beco sem sa\u00edda, com entrada guardada por um port\u00e3o de ferro. Descrita dessa forma, a Rua Doutor S\u00e9rgio Fleury, em S\u00e3o Paulo, parece simbolizar o destino de tantos opositores da ditadura que cruzaram o caminho do \u201chomenageado\u201d. Em 1980, a C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo condenou a ruela a assumir o nome do delegado do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social respons\u00e1vel por comandar o assassinato de dezenas de militantes de esquerda entre 1969 e 1979, quando morreu em circunst\u00e2ncias suspeitas. Mas, entre o port\u00e3o e o muro branco da S\u00e9rgio Fleury, aflora-se um condom\u00ednio que em nada lembra os por\u00f5es e sess\u00f5es de tortura. Com 31 casas, ela \u00e9 t\u00e3o pacata quanto poderia ser uma travessa da capital paulista, com moradores acostumados a passar suas tardes sentados na cal\u00e7ada ou a cuidar de seus jardins.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Fab\u00edola Hass, de 36 anos, tomou conhecimento das atrocidades cometidas por Fleury recentemente. No ano passado, assessores do ent\u00e3o vereador Orlando Silva, do PCdoB, foram \u00e0 rua para colher assinaturas dos moradores em defesa do projeto de substituir o nome da travessa para Frei Tito, militante da Juventude Estudantil Cat\u00f3lica torturado pelo delegado em 1969. Fab\u00edola e a maioria dos vizinhos desconheciam a hist\u00f3ria de ambos. Em um primeiro momento, a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a do nome foi quase un\u00e2nime, mas n\u00e3o por motivos ideol\u00f3gicos. Os moradores n\u00e3o queriam pagar uma taxa de pouco mais de 60 reais para registrar o novo endere\u00e7o e alter\u00e1-lo em contas de luz, \u00e1gua e telefone.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Hoje, Fab\u00edola conhece mais sobre os crimes cometidos por Fleury e aprova a mudan\u00e7a. \u201cEssa lei da anistia foi aprovada por quem? N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de condenar torturadores?\u201d, pergunta, curiosa. \u201cN\u00e3o tive tanto contato com esses temas na escola. Conhe\u00e7o mais sobre os horrores do nazismo do que da ditadura.\u201d Estimular a vis\u00e3o cr\u00edtica dos moradores de S\u00e3o Paulo sobre a hist\u00f3ria da repress\u00e3o, reverenciada em seus endere\u00e7os de correspond\u00eancia, \u00e9 um dos objetivos do Programa Ruas de Mem\u00f3ria, da Secretaria municipal de Direitos Humanos, que busca renomear 22 logradouros da cidade com refer\u00eancias a agentes da ditadura.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">No ano passado, a pasta organizou uma sess\u00e3o de cinema ao ar livre e projetou um document\u00e1rio sobre a vida de Frei Tito. O filme sensibilizou diversos moradores, que agora se dividem sobre o nome. Um levantamento realizado por Andr\u00e9a Riskala, s\u00edndica da ruela, rejeitou recentemente a mudan\u00e7a por quatro votos. \u201cEra uma oportunidade de tirarmos o nome desse cara da nossa rua. A gente n\u00e3o podia declinar desse convite.\u201d<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">O trabalho de varrer do emplacamento urbano brasileiro as refer\u00eancias a ex-presidentes militares, torturadores e integrantes centrais da ditadura ganhou f\u00f4lego em 2015. A partir da publica\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio final da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, em dezembro de 2014, o processo tem sido mais \u00e1gil. Motivados pela recomenda\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o de alterar o nome dos logradouros que fa\u00e7am refer\u00eancia a agentes da repress\u00e3o, prefeituras e governos estaduais t\u00eam realizado levantamentos dos locais de homenagem e imposto mudan\u00e7as relevantes. N\u00e3o deixa, por\u00e9m, de ser um trabalho de formiga: as altera\u00e7\u00f5es t\u00eam de passar pelos legislativos estadual ou municipal e, muitas vezes, pela aprova\u00e7\u00e3o dos moradores.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">As loas \u00e0 ditadura singram o Pa\u00eds de norte a sul. Seis munic\u00edpios brasileiros homenageiam ex-ditadores. S\u00e3o duas cidades chamadas Presidente Castello Branco, uma no Paran\u00e1 e a outra em Santa Catarina, e uma Presidente Figueiredo, no Amazonas. O recordista de homenagens \u00e9 justamente o governante respons\u00e1vel pelo per\u00edodo de maior repress\u00e3o. Al\u00e9m de dois munic\u00edpios Presidente M\u00e9dici, um no Maranh\u00e3o e outro em Rond\u00f4nia, h\u00e1 uma Medicil\u00e2ndia no Par\u00e1.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o Censo Escolar de 2014, mais de 700 col\u00e9gios homenageiam ex-ditadores. Humberto Castello Branco d\u00e1 nome a 352 escolas, Artur da Costa e Silva a 200, Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici a 108, Ernesto Geisel a 21 e Jo\u00e3o Figueiredo a 34. O pr\u00f3ximo levantamento deve revelar uma queda nos n\u00fameros. Em 2014, o Col\u00e9gio Estadual Presidente Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici, na Bahia, passou a se chamar Carlos Marighella, em refer\u00eancia ao ex-deputado baiano morto em 1969 em uma emboscada comandada pelo delegado Fleury. No Maranh\u00e3o, o governador Fl\u00e1vio Dino, do PCdoB, retirou refer\u00eancias a ex-ditadores de dez col\u00e9gios estaduais neste ano. A escola Marechal Castello Branco, em S\u00e3o Lu\u00eds, foi rebatizada de Doutor Jackson Kl\u00e9per Lago, em homenagem ao ex-governador do Maranh\u00e3o, morto em 2011.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das escolas, o n\u00famero de avenidas, ruas, pontes e viadutos impressiona. A dificuldade para alterar o nome de endere\u00e7os que dependem da anu\u00eancia de moradores tem levado deputados e vereadores a focar em logradouros sem resid\u00eancias. Ao lan\u00e7ar o Programa Ruas de Mem\u00f3ria, a prefeitura paulistana prop\u00f4s a altera\u00e7\u00e3o do nome do Viaduto 31 de Mar\u00e7o, refer\u00eancia ao dia do golpe, para Therezinha Zerbini, militante na luta pela anistia. \u201cN\u00e3o queremos apagar o passado\u201d, afirma Rog\u00e9rio Sottili, secret\u00e1rio-adjunto de Direitos Humanos. \u201cTodos os logradouros que tiverem seus nomes alterados ter\u00e3o uma placa para lembrar como eram chamados.\u201d<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Em breve, Costa e Silva dever\u00e1 deixar de ser o nome de tr\u00eas importantes vias p\u00fablicas do Pa\u00eds. Em S\u00e3o Paulo, o Elevado Costa e Silva, vulgo Minhoc\u00e3o, \u00e9 alvo do programa da Secretaria de Direitos Humanos. No Rio de Janeiro, a Ponte Presidente Costa e Silva, mais conhecida como Rio-Niter\u00f3i, caminha para se chamar Herbert de Souza, o Betinho, soci\u00f3logo exilado nos tempos da repress\u00e3o. Em Bras\u00edlia, a Ponte Costa e Silva, liga\u00e7\u00e3o do Plano Piloto ao Lago Sul, teve o nome alterado para Honestino Guimar\u00e3es, presidente da Federa\u00e7\u00e3o dos Estudantes da Universidade de Bras\u00edlia, assassinado em 1973 pela repress\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p6\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/866\/na-mesma-praca-8697.html\/mesma-praca\/@@images\/73cfc271-3b64-453d-ba5c-2ade59cff6ba.jpeg\" border=\"0\" width=\"700\" height=\"500\" \/><\/p>\n<address style=\"text-align: justify;\">As moradoras Fab\u00edola e Andr\u00e9a apoiam a mudan\u00e7a do nome da ruela que homenageia um dos maiores assassinos da ditadura: S\u00e9rgio Fleury<\/address>\n<address style=\"text-align: justify;\"><\/address>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Autor do projeto em Bras\u00edlia, o deputado distrital Ricardo Vale, do PT, afirma que aprovar a mudan\u00e7a foi dif\u00edcil. \u201cTive de obter o apoio de 14 deputados, um a um\u201d, lembra. \u201cNo momento em que setores da sociedade passaram a defender a volta da ditadura, deputados de partidos conservadores e da bancada evang\u00e9lica se opuseram \u00e0 troca.\u201d<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o tem sido f\u00e1cil retirar as homenagens \u00e0 ditadura, valorizar o passado de quem se op\u00f4s ao regime virou uma tarefa ingl\u00f3ria. Recentemente, Rodrigo Rollemberg, governador do DF, vetou a cess\u00e3o de um terreno no Eixo Monumental para a constru\u00e7\u00e3o do Memorial Liberdade e Democracia, homenagem ao ex-presidente Jo\u00e3o Goulart, deposto pelo golpe de 1964. Embora o Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional tenha autorizado o projeto, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Distrito Federal recomendou a suspens\u00e3o das obras pela falta de uma consulta p\u00fablica \u00e0 popula\u00e7\u00e3o sobre a transfer\u00eancia do lote, entre outras raz\u00f5es pouco convincentes. O monumento seria erguido pr\u00f3ximo do Setor Militar Urbano, o que pode ter incentivado uma press\u00e3o das For\u00e7as Armadas pela suspens\u00e3o. Vale iniciou uma coleta de assinaturas na C\u00e2mara Distrital para retomar projeto.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">O acirramento do conservadorismo em S\u00e3o Paulo \u00e9 citado tamb\u00e9m pelas moradoras da Rua Doutor S\u00e9rgio Fleury como um entrave. \u201cAt\u00e9 aqui h\u00e1 quem pe\u00e7a a volta dos militares. O momento pol\u00edtico n\u00e3o contribui para esse tipo de iniciativa\u201d, diz Andr\u00e9a. Apesar de mais uma derrota para se livrar de Fleury, a s\u00edndica conta com os rec\u00e9m-chegados para consolidar a mudan\u00e7a. \u201cTem um novo morador que disse ser a favor, quem sabe n\u00e3o conseguimos trocar em breve?\u201d No lento processo para moldar uma consci\u00eancia hist\u00f3rica sobre a ditadura, cada voto \u00e9 uma vit\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"p5\" style=\"text-align: justify;\">Fonte &#8211; Carta Capital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aumenta a press\u00e3o para suprimir as homenagens a ditadores e torturadores Generais ainda nomeiam seis munic\u00edpios e mais de 700 col\u00e9gios. 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