{"id":9019,"date":"2017-07-07T14:46:54","date_gmt":"2017-07-07T14:46:54","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=9019"},"modified":"2017-07-07T14:46:54","modified_gmt":"2017-07-07T14:46:54","slug":"belem-sindicatos-resgatam-historias-de-trabalhadores-perseguidos-no-regime-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2017\/07\/07\/belem-sindicatos-resgatam-historias-de-trabalhadores-perseguidos-no-regime-militar\/","title":{"rendered":"Bel\u00e9m: Sindicatos resgatam hist\u00f3rias de trabalhadores perseguidos no regime militar"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"description\" style=\"text-align: justify;\">Em audi\u00eancia p\u00fablica, sobreviventes deram relatos a grupo de trabalho que investiga crimes no Minist\u00e9rio do Trabalho<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grupo de trabalho (GT) que investiga a a\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho durante o per\u00edodo da ditadura militar realizou a segunda audi\u00eancia p\u00fablica nesta quinta-feira (6), em Bel\u00e9m (PA). Na sede da seccional Ordem dos Advogados do Brasil\u00a0(OAB-PA), dirigentes das centrais sindicais e trabalhadores filiados, que tinham atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra o regime da \u00e9poca, prestaram depoimentos sobre a repress\u00e3o que sofreram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comp\u00f5em o GT nove centrais sindicais, a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), o Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) e o Interc\u00e2mbio, Informa\u00e7\u00f5es, Estudos e Pesquisas (Iiep). Criado ano passado, o\u00a0grupo foi formado dentro da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade (CNV), mas as atividades foram interrompidas devido \u00e0 crise pol\u00edtica e foram\u00a0retomadas no final de novembro de 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Sebasti\u00e3o Neto, coordenador do Iiep, as audi\u00eancias p\u00fablicas s\u00e3o importantes para resgatar a hist\u00f3ria dos trabalhadores\u00a0que foram perseguidos e torturados durante o regime. A partir dos relatos dos sobreviventes e parentes das v\u00edtimas \u00e9 poss\u00edvel escrever um outro enredo, bem diferente do que \u00e9 narrado pela \u201cclasse dominante\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA gente est\u00e1 contandoo a hist\u00f3ria dos trabalhadores no Brasil que n\u00e3o foi contada.\u00a0A\u00a0hist\u00f3ria [oficial]\u00a0foi contata pelas classes dominantes.\u00a0Uma quest\u00e3o muito importante que saiu dos sindicatos dos banc\u00e1rios \u00e9 que as empresas tiveram motiva\u00e7\u00e3o para cooperar com a ditadura:\u00a0cooperaram e tiveram vantagens econ\u00f4micas.\u00a0 A\u00ed,\u00a0se descobre\u00a0realmente a quem interessou o crime de persegui\u00e7\u00e3o contra os trabalhadores\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Iiep\u00a0est\u00e1 \u00e0 frente do trabalho do qual fazem parte pesquisadores, educadores e sindicalistas. A partir da investiga\u00e7\u00e3o feita pela entidade, os membros conseguiram identificar mais de cinco mil caixas com documenta\u00e7\u00e3o em tr\u00eas locais de Bras\u00edlia: na pr\u00f3pria sede do Minist\u00e9rio do Trabalho, na Esplanada;\u00a0no Arquivo Nacional e no Centro de Refer\u00eancia do Trabalhador Leonel Brizola.\u00a0Documentos estes em estado \u201cdeteriorado\u201d, segundo Neto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Investiga\u00e7\u00e3o e viola\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O GT da Comiss\u00e3o da Verdade do Minist\u00e9rio do Trabalho\u00a0visa investigar como as empresas colaboravam com o governo militar. A atua\u00e7\u00e3o das companhias foi pauta de investiga\u00e7\u00e3o da CNV, que teve suas atividades encerradas em dezembro de 2014. O grupo prepara um relat\u00f3rio final que deve ser divulgado em dezembro deste ano sobre os temas pesquisados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a audi\u00eancia, M\u00f4nica Brito, secret\u00e1ria da Intersindical, uma das centrais presentes, falou \u00e0 plen\u00e1ria que empresas que hoje financiam a expans\u00e3o da monocultura na regi\u00e3o do oeste do Par\u00e1 e grandes obras na regi\u00e3o do Xingu\u00a0s\u00e3o as mesmas que perseguiram os seus trabalhadores durante o regime militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00e3o empresas que financiaram a tortura brasileira, que acabaram com o sonho de muita gente de forma antecipada\u201d, sustentou<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No evento foram homenageados Raphael Martinelli, ex-militante do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e\u00a0um dos fundadores da\u00a0 A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN); o vereador Fernando Carneiro (PSOL-PA); o petroleiro Raimundo Gomes e o trabalhador rural de Nova Timboteua (PA)\u00a0Manoel Fernandes. Todos com hist\u00f3rias sobre persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sofrida durante o per\u00edodo militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm5.staticflickr.com\/4024\/34955062023_5cb3f9f7f9_o.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\" style=\"text-align: justify;\">Manoel Fernandes, trabalhador rural de Nova Timboteua no Par\u00e1 \/ Daiane Coelho &#8211; Frente Brasil Popular<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ditadura militar tamb\u00e9m perseguiu os camponeses na regi\u00e3o amaz\u00f4nia, infiltrando nos sindicatos rurais pessoas\u00a0que atendiam aos mandos do governo, como ocorreu em Nova Timboteua. Fernandes relatou que o sindicato, na \u00e9poca, possu\u00eda um car\u00e1ter assistencialista e n\u00e3o permitia que as mulheres se filiassem. Ele lembra que, na d\u00e9cada 1980, iniciou uma campanha de retomada do sindicato das \u201cm\u00e3os dos pelegos\u201d e no enfrentamento chegou a ser expulso: \u201cEu cheguei justamente pedindo\u00a0mais, n\u00f3s \u00e9ramos 31 companheiros, chegamos a ser expulsos do sindicado.\u00a0Os pelegos convocaram uma assembleia para n\u00f3s expulsar do sindicato em 82 e s\u00f3 retornamos para o quadro social em 86\u201d, recorda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m presente na ocasi\u00e3o, Juliana Fonteles, vice-presidente da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da OAB-PA, apontou a perman\u00eancia de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no atual contexto brasileiro,\u00a0lembrando\u00a0do pai \u2013 o tamb\u00e9m advogado\u00a0Paulo Fonteles, perseguido pol\u00edtico e assassinado a mando de latifundi\u00e1rios ligados a Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Ruralista (UDR), organiza\u00e7\u00e3o criada em meados de 1980 \u2013 e do irm\u00e3o, Paulo Fonteles Filho, atualmente fora do estado por sofrer amea\u00e7as de morte devido sua atua\u00e7\u00e3o combativa em defesa dos direitos humanos.<\/p>\n<p><strong>Fonte &#8211;\u00a0\u00a0Rede Brasil Atual\/Brasil de Fato<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em audi\u00eancia p\u00fablica, sobreviventes deram relatos a grupo de trabalho que investiga crimes no Minist\u00e9rio do Trabalho O grupo de trabalho (GT) que investiga a a\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho durante o per\u00edodo da ditadura militar realizou a segunda audi\u00eancia p\u00fablica nesta quinta-feira (6), em Bel\u00e9m (PA). 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