{"id":9030,"date":"2017-07-31T20:22:45","date_gmt":"2017-07-31T20:22:45","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=9030"},"modified":"2017-07-31T20:22:45","modified_gmt":"2017-07-31T20:22:45","slug":"autora-de-documentario-sobre-a-volks-quis-entender-relacao-do-brasil-com-o-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2017\/07\/31\/autora-de-documentario-sobre-a-volks-quis-entender-relacao-do-brasil-com-o-passado\/","title":{"rendered":"Autora de document\u00e1rio sobre a Volks quis entender rela\u00e7\u00e3o do Brasil com o passado"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\">Jornalista alem\u00e3 se interessou pelo tema ap\u00f3s conhecer relat\u00f3rio final da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jornalista alem\u00e3 Stefanie Dodt estava no Brasil pesquisando, como diz, sobre as consequ\u00eancias sociais da Olimp\u00edada e da Copa do Mundo no Brasil, al\u00e9m da corrup\u00e7\u00e3o no esporte, na \u00e9poca da divulga\u00e7\u00e3o do\u00a0relat\u00f3rio final da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade. em dezembro de 2014. &#8220;Eu fiquei muito interessada no tema e\u00a0me perguntei: como um pa\u00eds em que existiu uma lei de anistia est\u00e1 lidando com o passado da ditadura&#8221;, conta Stefanie, que juntamente com Thomas Aders acaba de lan\u00e7ar um document\u00e1rio,\u00a0dispon\u00edvel on-line, sobre\u00a0a participa\u00e7\u00e3o da subsidi\u00e1ria brasileira da Volkswagen na ditadura\u00a0(1964-1985).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Li sobre o tema e na p\u00e1gina 67 do relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o da Verdade eram mencionados documentos sobre o envolvimento da Volkswagen, que se trata de uma das empresas mais importantes da Alemanha. Foi o ponto de partida para mim&#8221;, lembra a jornalista. Pouco depois, ela conversou com L\u00facio Bellentani, ex-trabalhador da Volkswagen, que narrou sua pris\u00e3o dentro da f\u00e1brica da Volks em S\u00e3o Bernardo do Campo, no ABC paulista, h\u00e1 35 anos, em julho de 1972. &#8220;Fiquei t\u00e3o impressionada com a hist\u00f3ria dele que desde aquele momento tive vontade de pesquisar sobre isso, entender e revelar o que realmente aconteceu, para que isso virasse p\u00fablico.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bellentani \u00e9 o personagem central do filme, que ouve representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, pesquisadores, historiadores e representantes da pr\u00f3pria Volks, no Brasil e na Alemanha, al\u00e9m de outros ex-funcion\u00e1rios. O document\u00e1rio tem 44 minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Stefanie j\u00e1 tinha conhecimento do assunto: fez um bacharelado e um mestrado em Ci\u00eancias Pol\u00edticas e Hist\u00f3ria tanto na Argentina como na Alemanha, com foco na pol\u00edtica e na hist\u00f3ria latino-americanas. &#8220;Eu tamb\u00e9m conheci casos de colabora\u00e7\u00e3o de empresas com regimes autorit\u00e1rios. Mas no momento de iniciar a pesquisa, em dezembro de 2014, quase n\u00e3o tinha informa\u00e7\u00f5es sobre o caso da Volkswagen do Brasil.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho passou a ocupar integralmente o tempo de Stefanie h\u00e1 um ano, com sete meses de pesquisa e cinco para gravar e editar, al\u00e9m de uma s\u00e9rie que foi ao ar na emissora de r\u00e1dio\u00a0<em>NdrInfo<\/em>\u00a0e textos para o jornal \u00a0<em>S\u00fcddeutsche Zeitung<\/em>, de Munique, um dos principais da Alemanha. O document\u00e1rio foi lan\u00e7ado no \u00faltimo dia 24 na ARD, maior canal p\u00fablico do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A publica\u00e7\u00e3o foi realizada por uma coopera\u00e7\u00e3o de pesquisa investigativa entre a ARD e o\u00a0<em>S\u00fcddeutsche Zeitung<\/em>&#8220;, lembra Stefanie. Os ve\u00edculos mant\u00eam coopera\u00e7\u00e3o permanente \u2013 a jornalista trabalha na \u00e1rea investigativa do NDR, parte da ADR. &#8220;Tamb\u00e9m fizemos reportagens curtas, resumindo os resultados da pesquisa, para muitos canais de televis\u00e3o diferentes e canais de r\u00e1dio, por exemplo no\u00a0<em>Tagesschau<\/em>, o telejornal mais importante da Alemanha.&#8221; Segundo ela, quer em breve ir\u00e1 se mudar para Nova York, algumas emissoras brasileiras j\u00e1 sinalizaram interesse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para sua pesquisa, a \u00a0Volks alem\u00e3 deu acesso a atas e documentos internos do grupo. No document\u00e1rio, os autores contam que quiseram entrevistar o ex-historiador Manfred Grieger, mas havia um termo de confidencialidade. &#8220;A empresa permitiu que eu pudesse ficar dias e dias pesquisando todas as atas que quisesse na Volkswagen&#8221;, conta Stefanie. &#8220;Tamb\u00e9m a Volkswagen do Brasil, depois de alguns meses de negocia\u00e7\u00f5es, me permitiu que eu gravasse dentro da f\u00e1brica e usasse fotos da empresa da \u00e9poca apesar de eles, claramente, preferirem que outros temas fossem abordados.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todos os casos, foi bem recebida pelos funcion\u00e1rios, destacando o Arquivo P\u00fablico de S\u00e3o Paulo. &#8220;O sistema de guardar as informa\u00e7\u00f5es \u00e9 diferente que na Alemanha, mas n\u00e3o e pior. O \u00fanico problema era que nem todos os arquivos no Brasil foram abertos ainda, isso dificulta alguns elementos da pesquisa.&#8221;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Temas delicados<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio, segundo a jornalista, com 11 anos de profiss\u00e3o, era montar o quebra-cabe\u00e7a. &#8220;Havia informa\u00e7\u00f5es dos arquivos p\u00fablicos e tamb\u00e9m n\u00e3o-p\u00fablicos nos dois pa\u00edses. Eu fiz pesquisa no Brasil (Arquivo do Estado e arquivo do SNI, por exemplo), na Alemanha (Arquivo da Volkswagen, do Minist\u00e9rio de rela\u00e7\u00f5es Exteriores, do conselho administrativo da empresa, arquivos da imprensa) e tamb\u00e9m sobre o caso do nazista Stangl na \u00c1ustria e na Inglaterra&#8221;, cita. Franz Stangl chegou a trabalhar na Volks.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Avaliar as informa\u00e7\u00f5es para chegar a um retrato completo foi um desafio. Tamb\u00e9m foi dif\u00edcil encontrar as pessoas mencionadas nas atas, localizar e entrevistar testemunhas e os respons\u00e1veis da \u00e9poca&#8221;, lembra Stefanie. &#8220;As conversas com eles tamb\u00e9m \u00e0s vezes n\u00e3o eram simples, j\u00e1 que frequentemente se tratavam de temas delicados.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela falou com muitos ex-funcion\u00e1rios da Volks, nos dois pa\u00edses, pol\u00edticos, jornalistas e pesquisadores, al\u00e9m de historiadores. &#8220;Foram sete meses revisando atas e de muitas conversas antes de realizar a primeira grava\u00e7\u00e3o&#8221;, lembra. &#8220;E as nossas publica\u00e7\u00f5es sobre o tema n\u00e3o acabaram ainda&#8221;, acrescenta Stefanie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre sua motiva\u00e7\u00e3o para a pesquisa \u2013 como o pa\u00eds lida com seu passado \u2013, a jornalista diz n\u00e3o ter chegado a uma conclus\u00e3o. &#8220;S\u00f3\u00a0tenho as minhas percep\u00e7\u00f5es. Eu acho que ainda tem muito para fazer, para pesquisar, para investigar no Brasil sobre o passado do pais, para que a sociedade possa saber o que realmente aconteceu naquela \u00e9poca. Acho muito importante documentar isso e rejeitar claramente crimes pol\u00edticos, para que n\u00e3o voltem a acontecer.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte &#8211; Rede Brasil Atual<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalista alem\u00e3 se interessou pelo tema ap\u00f3s conhecer relat\u00f3rio final da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade &nbsp; A jornalista alem\u00e3 Stefanie Dodt estava no Brasil pesquisando, como diz, sobre as consequ\u00eancias sociais da Olimp\u00edada e da Copa do Mundo no Brasil, al\u00e9m da corrup\u00e7\u00e3o no esporte, na \u00e9poca da divulga\u00e7\u00e3o do\u00a0relat\u00f3rio final da Comiss\u00e3o Nacional da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9030"}],"collection":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9030"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9030\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9033,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9030\/revisions\/9033"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9030"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9030"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9030"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}