{"id":9035,"date":"2017-08-04T19:48:42","date_gmt":"2017-08-04T19:48:42","guid":{"rendered":"http:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/?p=9035"},"modified":"2017-08-04T19:48:42","modified_gmt":"2017-08-04T19:48:42","slug":"argentina-condena-a-prisao-perpetua-quatro-juizes-por-crimes-contra-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anistiapolitica.org.br\/abap3\/2017\/08\/04\/argentina-condena-a-prisao-perpetua-quatro-juizes-por-crimes-contra-a-humanidade\/","title":{"rendered":"Argentina condena \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua quatro ju\u00edzes por crimes contra a humanidade"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"articulo-subtitulo\" style=\"text-align: justify;\">Tribunal os considerou part\u00edcipes prim\u00e1rios de sequestros, torturas e homic\u00eddios durante a ditadura militar<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A justi\u00e7a da\u00a0Argentina\u00a0deu outro passo sem precedentes na puni\u00e7\u00e3o ao terrorismo de Estado. Quatro ju\u00edzes federais da prov\u00edncia de Mendoza (1.000 quil\u00f4metros a oeste de Buenos Aires) foram considerados culpados de garantir a impunidade em dezenas de sequestros, torturas e assassinatos cometidos durante a \u00faltima\u00a0ditadura militar\u00a0(1976-1983) por n\u00e3o investigarem os crimes e se somam \u00e0s centenas de militares julgados e condenados. A novidade da senten\u00e7a, lida na quinta-feira \u00e0 noite, \u00e9 a condena\u00e7\u00e3o a uma conduta sistem\u00e1tica do Poder Judicial e n\u00e3o a casos pontuais, como em causas anteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/07\/27\/argentina\/1501177434_819392_1501178439_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/07\/27\/argentina\/1501177434_819392_1501178439_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/07\/27\/argentina\/1501177434_819392_1501178440_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/07\/27\/argentina\/1501177434_819392_1501178439_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Justi\u00e7a Argentina\" width=\"980\" height=\"644\" \/><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>&#8220;Entramos na hist\u00f3ria com uma senten\u00e7a exemplar a n\u00edvel internacional.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Acredito que depois do julgamento aos ju\u00edzes do nazismo n\u00e3o h\u00e1 outro antecedente no mundo. Os ju\u00edzes condenados disseram aos repressores &#8216;sequestrem, apropriem-se de crian\u00e7as que n\u00f3s cobriremos suas costas sem investigar e arquivando as den\u00fancias&#8221;, disse Pablo Salinas, do Movimento Ecum\u00eanico pelos Direitos Humanos (MEDH) de Mendoza.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CJeRgd6qvtUCFceCkQodPrYFpQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-integralas-id-11f55fca-24ee-b198-5433-968d9e7474a8=\"\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>A garantia de impunidade foi o principal ponto das condena\u00e7\u00f5es \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua contra Rolando Carrizo, Guillermo Max Petra Recabarren, Otilio Romano e Luis Miret. O tribunal considerou que todos foram part\u00edcipes prim\u00e1rios dos crimes de lesa humanidade cometidos por outros 21 acusados no julgamento, entre militares e policiais que foram a &#8220;m\u00e3o de obra&#8221; da ditadura. &#8220;Part\u00edcipes prim\u00e1rios significa que os ju\u00edzes realizaram uma contribui\u00e7\u00e3o essencial \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do crime, por isso a pena \u00e9 a mesma que a dos autores materiais. Os ju\u00edzes tiveram o dom\u00ednio da jurisdi\u00e7\u00e3o de Mendoza durante o terrorismo de Estado&#8221;, explicou Alan Iud, advogado das\u00a0Av\u00f3s da Pra\u00e7a de Maio. Romano foi condenado por 84 casos de sequestros, 38 torturas e 33 homic\u00eddios. Seu caso foi emblem\u00e1tico porque se escondeu no Chile e pediu asilo pol\u00edtico, at\u00e9 a Suprema Corte do pa\u00eds aprovar sua extradi\u00e7\u00e3o \u00e0 Argentina.<\/p>\n<div id=\"sc-m5zrxj\" data-smartplay-instance-id=\"0\">\n<div id=\"sc-m5zrxj-backdrop\"><\/div>\n<p><iframe id=\"sc-m5zrxj-frame\" width=\"300\" height=\"150\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/div>\n<p>A condena\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi um avan\u00e7o para a puni\u00e7\u00e3o aos respons\u00e1veis civis do terrorismo de Estado. Se os julgamentos contra os militares avan\u00e7aram com rapidez com o retorno \u00e0 democracia em 1983, com o julgamento \u00e0 Junta Militar como s\u00edmbolo, os funcion\u00e1rios que apoiaram a ditadura conseguiram evitar os tribunais durante anos. O caso dos quatro magistrados agora condenados \u00e9 paradigm\u00e1tico. &#8220;Continuaram sendo ju\u00edzes at\u00e9 2011, bem entrada a democracia. Tivemos de retir\u00e1-los por meio do Conselho da Magistratura com todas as garantias legais, as mesmas que eles n\u00e3o deram \u00e0s v\u00edtimas durante a ditadura&#8221;, disse Salinas. Em todo caso, a senten\u00e7a de condena\u00e7\u00e3o entendeu que essa nega\u00e7\u00e3o de garantias foi o \u00f3leo que permitiu o movimento das engrenagens da repress\u00e3o estatal. &#8220;Se sua postura durante a ditadura fosse outra, certamente n\u00e3o teriam ocorrido crimes dessa magnitude. \u00c9 certo que crimes ocorreriam, mas talvez n\u00e3o tantos e t\u00e3o f\u00e1ceis de se realizar e ocultar&#8221;, acrescenta Iud.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/07\/27\/argentina\/1501177434_819392_1501180745_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/07\/27\/argentina\/1501177434_819392_1501180745_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2017\/07\/27\/argentina\/1501177434_819392_1501180745_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Leitura da senten\u00e7a contra quatro ju\u00edzes da ditadura argentina.\" width=\"360\" height=\"224\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Leitura da senten\u00e7a contra quatro ju\u00edzes da ditadura argentina.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">TELAM<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>A senten\u00e7a foi o resultado de uma longa investiga\u00e7\u00e3o. Desde 17 de fevereiro de 2014, quando o julgamento oral come\u00e7ou, o tribunal escutou v\u00edtimas de torturas e os familiares dos que n\u00e3o sobreviveram ao aparato repressivo montado em Mendoza. Luz Faingold, atual diretora de Direitos Humanos de Mendoza, estava no \u00faltimo ano do col\u00e9gio quando foi detida com v\u00e1rios colegas nos meses anteriores ao golpe de 1976. Do centro clandestino de deten\u00e7\u00e3o D2 de Mendoza foi enviada a um instituto provincial de mulheres, apesar de seus pais pedirem sua devolu\u00e7\u00e3o. Nesse momento foi interrogada por Miret, um dos condenados: &#8220;Ele me perguntou sobre minhas anota\u00e7\u00f5es. Eu tinha matem\u00e1tica e astronomia, nos pediram que coloc\u00e1ssemos em nossas pastas tudo o que v\u00edssemos na imprensa relacionado \u00e0 astronomia e as \u00faltimas coisas que havia acrescentado eram c\u00f3pias do Apolo e da Soyuz. Miret me perguntou &#8216;o que \u00e9 esse artigo de jornal&#8217;, porque a\u00a0Soyuz era sovi\u00e9tica. Foi a \u00fanica coisa que conseguiu encontrar que tivesse liga\u00e7\u00e3o com a esquerda&#8221;, declarou Faingold durante o julgamento. &#8220;Eu era muito jovem, n\u00e3o me deixaram sair e voltar para minha casa. Minha m\u00e3e foi perguntar por mim e lhe disseram que me consideravam subversiva, uma delinquente perigosa&#8221;, lembra Faingold ao EL PA\u00cdS.<\/p>\n<p>Horas depois de escutar a senten\u00e7a, Faingold afirmou sentir-se &#8220;como se tivesse lutado uma terr\u00edvel batalha&#8221;. &#8220;Fiquei muito emocionada ao escutar a senten\u00e7a e o nome das v\u00edtimas. O meu e de meus amigos, alguns mortos, desaparecidos&#8230;&#8221;, afirma. Fora do tribunal, uma multid\u00e3o comemorou a senten\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<section id=\"articulo-tags\" class=\"articulo-tags\">\n<header class=\"articulo-tags-encabezado \"><button id=\"boton_articulo-tags\" class=\"articulo-tags-titulo\" disabled=\"disabled\">ARQUIVADO EM:<\/button><\/header>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tribunal os considerou part\u00edcipes prim\u00e1rios de sequestros, torturas e homic\u00eddios durante a ditadura militar A justi\u00e7a da\u00a0Argentina\u00a0deu outro passo sem precedentes na puni\u00e7\u00e3o ao terrorismo de Estado. 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