Militares da Argentina e do Uruguai são condenados por Plano Condor

Sistema de coordenação repressiva foi adotado pelas ditaduras do Cone Sul.
Ex-ditador argentino e coronel uruguaio pegaram 20 e 25 anos de prisão.

Um tribunal argentino condenou nesta sexta-feira (27) o ex-ditador argentino Reynaldo Bignone e o coronel uruguaio reformado Manuel Cordero a 20 e 25 anos de prisão por sua participação no Plano Condor, um sistema criminoso de coordenação repressiva adotado pelas ditaduras do Cone Sul nos anos 70 e 80.

A maioria dos 18 acusados no julgamento, iniciado em 2013 em Buenos Aires, foi condenada por “associação criminosa”, segundo o veredicto. Bignone e Cordero não estiveram presentes na leitura do veredicto.

Os envolvidos, a maioria sentenciados por outros crimes, deram forma a um plano de sequestro, tortura e assassinato de opositores, sob os regimes ditatoriais em Brasil, Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

Bignone, 88, foi condenado a 20 anos como autor “penalmente responsável por associação criminosa no chamado Plano Condor”, disse o juiz Oscar Almirante, ao ler o veredicto. Ele foi o último presidente da ditadura argentina, que entre 1976 e 1983 deixou 30 mil desaparecidos, segundo organismos humanitários.

Manuel Cordero, 77, foi condenado a 25 anos como “partícipe necessário, penalmente responsável por privação de liberdade em onze casos”, segundo a sentença. Extraditado em 2007 do Brasil à Argentina, ele era o único estrangeiro processado.

Algumas testemunhas viajaram do Paraguai para ouvir em Buenos Aires a sentença, disse à AFP Federico Tatter, jornalista de 56 anos, filho de um militar paraguaio desaparecido depois de passar pelo centro de tortura argentino Olimpo. Segundo os arquivos, a maioria dos “presos do Olimpo” foram lançados no Rio de la Plata a partir de aviões militares.

Trezentas testemunhas participaram do processo, inédito também pela quantidade de documentos de prova.

Precedente
Entre as vítimas deste sistema, coordenado entre países vizinhos, 89 pessoas foram sequestradas na Argentina, mas também ocorreram desaparecimentos no Paraguai (5),Uruguai (4), Bolívia (4) e Brasil (3).

“Este é o primeiro julgamento na América Latina que consegue chegar a uma sentença que dá como certo o que sabemos há décadas: a existência do plano criminoso representado pelo Plano Condor”, destacou a advogada Luz Palmas, do Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS), uma ONG argentina de direitos humanos que representa várias famílias autoras de denúncias.

Este é considerado o primeiro processo “que permitiu desentranhar o Plano Condor como sistema criminal e institucionalizado”, disse Palmas.

Condortel
Segundo a investigação, os militares se comunicavam com uma espécie de telex batizado de “condortel”, ensinado pelo Exército dos Estados Unidos na Escola das Américas no Panamá.

Foram analisados milhões de fotogramas pertencentes ao “Arquivo do terror” encontrado no Paraguai em 1992, dezenas de milhares de documentos desclassificados pelos Estados Unidos sobre Chile e Argentina, além de outros revelados em Buenos Aires na última década.

A repressão na Argentina deixou 30 mil desaparecidos, segundo organizações humanitárias, deste país que detenta o maior número de condenações a repressores da época, em comparação com seus vizinhos.

No início do julgamento, em 2013, entre os acusados estava o ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla (1976-1981), que morreu pouco depois em sua cela aos 87 anos.

Fonte – G1

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