
“Gostaria de lembrar de um episódio de 1971, quando eu fui transferida da operação Bandeirantes para a Tiradentes e vim para cá. Fiquei na Polícia Federal, aqui ao lado. Minha cela era interessante: metade era cinza e tinha muita barata. É o que eu lembro. A gente não lembra de tudo, o que em parte é até bom”, recordou a presidente.
“Estou contando isso porque acho que este País mudou. Hoje, um presidente convive perfeitamente com os sons das ruas, com as manifestações, com o processo democrático, o que na minha época de juventude não era usual.”
Com cartazes com dizeres como “O Rio não está a venda”, os manifestantes faziam bastante barulho com apitos e panelas para chamar a atenção contra as remoções de habitações da região, que consideram irregulares, e contra a Parceria Público Privada, tão apregoada pelo prefeito Eduardo Paes, classificada por eles como promoção de uma “revitalização vendida”.
“Esse barulho das ruas traz a certeza de que este País é democrático, que nós todos aqui achamos perfeitamente natural que haja essa convivência. Por isso eu contei esse episódio.”
Revitalização
O MAR é o primeiro grande marco do processo de revitalização da região portuária do Rio de Janeiro, há muitos anos degradada. O objetivo da Prefeitura é, por meio da Parcerias Público-Privada, revitalizar a área com investimentos de quase R$ 8 bilhões, entre eles, nos túneis que vão culminar com a demolição total do viaduto da Perimetral.
“Há um meio de a gente entender a vida, que nós sabemos que é aquele que pode nos encantar, fazer com que nós tenhamos uma comunhão de afeto, de impressões e avaliações de saber como viver. E esse meio é a arte”, exaltou Dilma sobre o museu.
A presidente chamou a atenção ainda para o fato de que um equipamento cultural como o que Rio de Janeiro inaugura, justamente no seu aniversário de 448 anos, é um marco para uma cidade que respira hoje novos ares.
“Eu acredito que todos nós aqui sabemos o que isso significa para esta cidade. É mais um museu. Quando alguém vem de outros estados ou de fora, ele vai ter o lugar para conhecer a nossa história artística, nossa alma, o que sentimos e pensamos ao longo dos séculos”, finalizou, ao lado do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes, puxando um canto de parabéns para a cidade.
No entanto, ela chegou a interromper a cantoria por um instante para se desculpar por uma falha em sua voz.
Fonte – Terra