Carlinhos Metralha, agente da ditadura, é “esculachado” em São Paulo

Carlos Alberto Augusto, agente da Polícia Civil de São Paulo, foi “esculachado” no sábado 4 em Itatiba (SP), a cerca de 80 quilômetros da capital, por integrantes da Frente de Esculacho Popular (FEP).

Carlos Alberto Augusto, agente da Polícia Civil, foi “esculachado” em Itatiba, a cerca de 80 km da capital, por integrantes da Frente de Esculacho Popular Foto: Carta Capital

Delegado de segunda classe da cidade do interior paulista desde fevereiro deste ano, quando foi transferido do Deinter 2 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo em Campinas), ele é apontado como torturador e responsável por assassinatos e desaparecimentos de militantes políticos durante a ditadura (1964-1985). Augusto, conhecido na época como “Carlinhos Metralha” ou “Carteira Preta”, integrava a equipe de investigação do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) comandada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, temido torturador e principal artífice dos esquadrões da morte que atuavam nos anos de 1970.

Uma parte dos cerca de 50 integrantes, apoiadores da FEP e ex-militante da época que chegaram em um ônibus e alguns carros que partiram de São Paulo distribuiu panfletos com o currículo de Augusto para os moradores do centro da cidade. Na praça central, outro grupo de militantes estende diversos “varais” com cartazes pendurados a lembrar a atuação do delegado durante o regime autoritário, enquanto um grupo de teatro e uma fanfarra realizam performances artísticas relacionadas à ditadura.

Desde outubro do ano passado, Augusto é réu em um processo criminal movido pelo Ministério Público Federal. Ele é acusado de sequestro qualificado do militante Edgar de Aquino Duarte, em junho de 1971. Na ação, impetrada pelo procurador Sérgio Suiama, também são réus Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), e Alcides Singillo, delegado aposentado.

Carlos Alberto Augusto trabalhou na equipe de Fleury no Dops de 1970 a 1977. Foi nesse órgão de repressão que ganhou o apelido de “Metralha”, uma vez que costumava circular pelos corredores com uma metralhadora a tiracolo. Ele é acusado ainda de ter organizado o chamado Massacre da Chácara São Bento, em 1973, em Pernambuco. A ação, possibilitada pela atuação do agente infiltrado Cabo Anselmo – hoje, protegido de Augusto – teve como resultado o assassinato de seis militantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), inclusive de Soledad Barret Viedma, que esperava um filho de Anselmo.

Segundo os integrantes da FEP, a escolha do alvo do esculacho tem como um dos objetivos principais denunciar a continuidade da violência estatal no Brasil, representada por “Metralha”. De acordo com os militantes, o modus operandi das forças policiais brasileiras seguem o mesmo nos tempos de democracia, com a diferença de que hoje o principal “inimigo” é a população das periferias. Na época de sua nomeação como delegado em Itatiba, ocorreram diversas manifestações de repúdio organizadas por grupos de direitos humanos e familiares de vítimas da ditadura.

 

Fonte – Carta Capital

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