NOTA DE FALECIMENTO

ABAP lamenta a morte de Amelinha Teles, referência na luta pela democracia e pelos direitos humanos

A Associação Brasileira de Anistiados Políticos (ABAP) manifesta seu profundo pesar pelo falecimento de Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, ocorrido nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, aos 81 anos.

Jornalista, escritora, feminista e histórica defensora dos direitos humanos, Amelinha dedicou sua vida à luta pela democracia, pela memória e pela verdade sobre as violações cometidas durante a ditadura militar brasileira.

Presa em 1972, durante a ditadura, Amelinha foi torturada nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo. Seus filhos, ainda crianças, também foram levados pelos agentes da repressão e obrigados a presenciar a violência praticada contra os pais. A experiência da perseguição e da violência de Estado marcou sua trajetória, mas não interrompeu sua atuação política e social.

Com a redemocratização, Amelinha permaneceu na luta. Foi uma das fundadoras da União de Mulheres de São Paulo, participou da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e atuou na Comissão da Verdade do Estado de São Paulo – Rubens Paiva, além de desenvolver importante trabalho na defesa dos direitos das mulheres.

Sua trajetória também esteve ligada à luta pelo reconhecimento das violações cometidas durante a ditadura. A ação movida pela família Teles resultou no reconhecimento judicial de Carlos Alberto Brilhante Ustra como torturador, decisão posteriormente mantida pelo Superior Tribunal de Justiça.

Amelinha também deixou sua experiência registrada em livros, entre eles Breve História do Feminismo no Brasil e Contos da Cela Três: Memórias de uma Presa Política na Ditadura, contribuindo para que a memória da repressão e da resistência permanecesse registrada para as novas gerações.

Serviços e Informações do Brasil
Para a ABAP, a partida de Amelinha representa uma perda para todos aqueles que trabalham pela preservação da memória política brasileira, pela defesa dos direitos humanos e pela construção de uma sociedade democrática.
Sua história permanece como testemunho de resistência. Sua memória permanece como parte da história da luta pela democracia no Brasil.

A ABAP se solidariza com seus filhos, familiares, amigas, amigos, companheiras, companheiros de militância e todos aqueles que compartilharam sua caminhada.
Amelinha Teles, presente.

ABAP – Associação Brasileira de Anistiados Políticos