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Matheus Leitão, do G1, lança livro sobre ditadura nesta terça em Brasília

Jornalista reconstruiu história dos pais, Míriam Leitão e Marcelo Netto, que foram presos e torturados em 1970. Evento começa às 19h na Livraria Cultura do Iguatemi, no Lago Norte.

Capa do livro Capa do livro
Capa do livro “Em nome dos pais”, do jornalista Matheus Leitão (Foto: Divulgação)

O jornalista Matheus Leitão, do portal G1, lança nesta terça-feira (16) em Brasília o livro “Em nome dos pais”. A obra retrata a busca do autor para reconstruir o quebra-cabeça em torno do passado dos pais, Míriam Leitão e Marcelo Netto, durante a ditadura militar. O evento começa às 19h, na Livraria Cultura do shopping Iguatemi.

Entre os destaques do exemplar, há entrevistas com militares suspeitos de torturarem a jornalista e o ex-marido, e com o delator que entregou os pais aos agentes da ditadura. Detalhes sobre a prisão do casal e a história do país permeiam a obra de 488 páginas.

Em entrevista ao G1, Leitão disse que começou a trabalhar no livro em 2004, quando teve acesso a documentos oficiais – antes mesmo dos debates levantados pela Comissão Nacional da Verdade e da aprovação da Lei de Acesso à Informação.

“Fiquei sabendo muito jovem sobre a prisão dos meus pais, e isso me fisgou. Acabei me prendendo à história, e resolvi montar o quebra-cabeça.”

Apesar disso, o jornalista diz que só se sentiu confortável para se debruçar sobre o exemplar em 2012. “Sempre me vi impedido de escrever o livro por causa do envolvimento emocional, mas em 2012 tive tive acesso o termo ‘self journalism’ como professor visitante da Universidade de Berkeley, na Califórnia [EUA], e vi que era possível escrever a obra. Desde que deixasse claro, para o leitor, a minha relação com o título”, explicou.

Matheus Leitão procurou o delator dos pais por 15 anos (Foto: Arquivo pessoal)
Matheus Leitão procurou o delator dos pais por 15 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Ao longo do processo de criação, Leitão precisou encarar as dores e as aflições enfrentadas pelos pais e pela geração que enfrentou a repressão. O esforço de reportagem reconstituiu os acontecimentos históricos do início dos anos 1970 no Brasil, e a peregrinação do autor atrás de respostas.

“Sofri muito ao escrever o livro, foi angustiante. É um absurdo ainda ter gente, em 2017, negando que a tortura ocorreu. Não fiz o livro com sentimento de vingança, mas com a vontade de estabelecer um diálogo. O país parece que quer riscar da memória a ditadura.”

No exemplar, o jornalista conta a trajetória dos pais no movimento estudantil, as circunstâncias da prisão do casal, e o sofrimento do pai durante os nove meses em que ficou preso em uma solitária na Vila Militar, no Rio de Janeiro. Segundo Leitão, nos encontros para escrever o livro, alguns militares fecharam a porta na cara dele e outros negaram terem participado de torturas.

O delator dos pais de Matheus Leitão também foi ouvido, e confirmou sua participação no caso. As informações passadas por ele à polícia levaram à prisão e tortura da jornalista Míriam Leitão, grávida à época dos fatos, e do ex-marido Marcelo Netto.

“Ele se chama Foedes dos Santos e disse que só entregou os meus pais porque não teve estrutura para aguentar a tortura. ‘Escolhi a vida’.”

A entrevista com Santos está nas primeiras páginas do livro, que, ao todo, contempla três capítulos. No fim da obra, o leitor encontrará uma poesia que Míriam Leitão fez para o filho após receber o original do exemplar.

No evento desta terça, que marca o lançamento nacional do livro, Matheus Leitão estará na livraria para autografar os títulos, tirar dúvidas e conversar com os leitores. No dia 25 de maio, ele embarca para Vitória (ES) para divulgar a obra. No dia seguinte, o jornalista seguirá para Caratinga (MG) – cidade onde os pais do autor nasceram – e, em 30 de maio, haverá a divulgação do exemplar no Rio de Janeiro.

Lançamento do livro “Em nome dos pais”, de Matheus Leitão
Data: Terça (16), às 19h
Local: Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, no Lago Norte
Entrada franca (livro a R$ 49,90)

Fonte – G1

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2 Comments

  1. Estou com muita vontade de ler este livro…Deve ser muito bom..interessante…Vou adquiri-lo com certeza! Depois faço comentários sobre o que li…Aguardem!

  2. Gostaria de entender uma coisa que NINGUÉM explica, o que Miriam Leitão fez para ser entregue aos Militares? …

    Será porque ela não queria comer buchada de bode?

    Só percebi uma coisa muito grave, INVERTERAM a história, porque os Militares PROTEGERAM o Brasil de um forte grupo de bandidos, assassinos, sequestradores, usurpadores da pátria, que queriam implantar o comunismo no Brasil… Graças a Deus, os Militares tomaram a direção da nação antes desses bandidos.

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